Não é verdade que Zeca Pagodinho se negou a sair na foto com João Doria

No domingo de carnaval, as redes sociais foram tomadas por todo tipo de piada contra João Doria, prefeito de São Paulo. Naquela madrugada, o G1 publicou que Zeca Pagodinho se irritara “ao tirar foto com Doria no Anhembi“. Se o título podia ser interpretado de formas distintas, o trecho abaixo não deixava dúvidas:

“Irritado com a presença do tucano, Zeca se recusava a tirar uma foto com o político. Foi necessário a intervenção do dono do camarote, que fez um pedido ao cantor.

Após muita negociação das duas assessorias, Zeca concordou com a foto, mas com uma condição, queria a presença do ex-jogador Amaral, caso contrário, não posaria.

Extremamente irritado, Zeca gesticulava com as mãos e fazia sinal de negativo com a cabeça antes da aproximação de Doria. Quando o prefeito lhe deu a mão, Zeca não fez cara de muitos amigos e ficou com a cabeça baixa. Eles trocaram poucas palavras e o encontro durou menos de um minuto.

Mas Mônica Bergamo, que tinha tudo para deitar e rolar em cima da história, foi testemunha ocular da confusão e contou outra bem diferente na Folha de S.Paulo. Nesta, enfrentando protestos dos amigos, o cantor faz questão de sair na fotografia. Que conta com a participação do jogador de futebol por exigência dos, por assim dizer, “manifestantes”.

A história da já célebre fotografia de Zeca Pagodinho com João Doria no camarote do Bar Brahma não é o que parece: o cantor, ao contrário do propalado, concordou em tirar foto com o prefeito e resistiu aos apelos de amigos que estavam com ele para que evitasse a imagem.

(…) “Eu tiro foto com um monte de gente que não conheço. Eu não peço documento pra ninguém“, seguia Zeca à coluna. “Eu nem conheço ele [Doria]. Foto é foto. Apoio é outra coisa. Eu não voto em ninguém. Fazer o que? Eu não confio em ninguém!”

A resistência do grupo de Zeca gerou certo impasse, mas depois de uma sinalização positiva o prefeito se aproximou. Só não conseguiu ficar ao lado do artista: amigos empurraram o ex-jogador Amaral para ficar entre o tucano e o cantor. “Salvamos o Zeca”, festejavam.

A gestão Doria está bem aquém do esperado e o prefeito merece muitas das críticas que recebe. Mas estas precisam ser calcadas em verdades, e não em “narrativas” plantadas na imprensa. Imprensa esta que, exceto pela colunista em questão, não se preocupou em corrigir os próprios erros – o texto do G1 segue inalterado até a redação desta nota.

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“Canetada” de Fux fez o gasto com auxílio-moradia multiplicar por vinte

De janeiro de 2010 a setembro de 2014, a União gastou R$ 96,5 milhões com auxílio-moradia, algo como R$ 1,7 milhão por mês. De outubro de 2014 a novembro de 2017, a despesa tomou R$ 1,3 bilhão do povo brasileiro, ou R$ 35,1 milhões mensais, uma média vinte vezes superior.

Foi justo em setembro de 2014 que Luiz Fux monocraticamente decidiu estender o benefício a todos os juízes federais brasileiros. Numa segunda decisão, convidou para a farra também os juízes trabalhistas, os da Justiça Militar e os magistrados das Justiças Estaduais de um terço do país – os outros dois terços já recebiam.

Apenas em dezembro de 2017, o membro do STF liberou o processo para o plenário da casa onde trabalha. Que, até a redação deste texto, não tinha pautado o assunto.

É importante frisar a quantidade de servidores públicos recebendo tal benefício. Só assim para neutralizar a narrativa trabalhada pela imprensa mais petista contra os investigadores da operação Lava Jato. O problema veio de antes, e de cima. E contou justamente com um gordo apoio da presidente petista cassada em 2016.

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Pouco antes de cair, Dilma Rousseff liberou R$ 419,4 milhões para auxílio-moradia

Pela carência de armas melhores para atacar a Lava Jato, o petismo desferiu toda a própria força contra o auxílio-moradia, um dos muitos artifícios explorados por imensa parte do poder público para driblar leis e aprovar aumentos bem acima do permitido. Claro, trata-se de algo que deve ser combatido pela opinião pública, mas a seletividade do alvo escancara a estratégia explorada pelos maiores corruptos do país.

O petismo finge esquecer, contudo, que a regalia extrapolou qualquer limite durante o governo Dilma Rousseff. E que, meses antes de cair, a petista abriu um crédito extraordinário no valor de R$ 419,4 milhões para despesas com residências dos membros do Judiciário, Legislativo, Defensoria Pública da União e Ministério Público da União.

À época, Dilma justificou o envio da medida provisória “pelo fato de que o não pagamento dessas despesas inviabilizaria o regular funcionamento dos poderes”.

No 18 de janeiro de 2016, a Medida Provisória 711 justificou o gasto com “relevância e urgência”, mas, como explicou a Coluna do Estadão, crédito extraordinário só pode ser destinado “ao atendimento de despesas urgentes e imprevisíveis, como em caso de guerra, comoção interna ou calamidade pública“.

Qual era a urgência no referido verão? Evitar a própria queda? Se foi isso, jogou dinheiro público fora à toa.

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Na mesma “altura do campeonato”, Dilma tinha em 2014 bem mais votos do que Lula tem (ou tinha) em 2018

Como se o Brasil não tivesse uma lei impedindo que candidatos ficha suja disputem eleições, ou ainda como se Lula estivesse acima da lei, o Datafolha sugeriu, em cinco dos nove cenários testados, o nome do condenado. Pior: usou os votos que o ex-presidente teria para alegar que a “inelegibilidade” dele estaria prejudicado a democracia.

A depender dos adversários enfrentados, Lula teria entre 34% e 37% das intenções de voto. Parece muito e é, tanto que o colocava na liderança da corrida presidencial. Mas, em altura semelhante do “campeonato”, e de acordo com o mesmo Datafolha, Dilma Rousseff acumulava entre 43% e 47% das intenções de voto em 2014.

Aquele primeiro turno terminaria com a petista recebendo 41,6% dos votos válidos. Considerando brancos e nulos, a apadrinhada de Lula teve 37,6% – mais de 5% abaixo do que o instituto prometia naquele fevereiro.

Claro, muita água rolou, até um avião caiu matando um dos presidenciáveis. Mas tais dados deixam claro que, a mais de um semestre da eleição, condenar a democracia pela ausência de Lula é de uma leviandade gritante. Uma leviandade que – coincidentemente ou não – o PT adorou. Até demais.

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Após lutar contra prisões desnecessárias, Gilmar Mendes acionou a PF contra quem o xingou em voo

Quando, em outubro de 2017, Luís Roberto Barroso respondeu-lhe à altura, Gilmar Mendes evocou mais uma vez o Mutirão Carcerário, iniciativa que libertou mais de 22 mil presos no Brasil. Foi uma forma que o membro do STF encontrou para insistir que não era benevolente apenas com os milionários que gozam de intimidade suspeita com o integrante da Suprema Corte.

Nada disso o impediria de ser visto pela opinião pública como uma máquina de liberar habeas corpus aos políticos de mais baixa popularidade do país. E isso descambaria no coro de “fora, Gilmar” gritado em voo que contava com a presença do excelentíssimo.

Contudo, findado o protesto, Mendes esqueceu que se vendera naquele outubro como um libertário, e logo enviou uma representação à Polícia Federal para que investigasse não só quem o xingou no voo, mas também o provocador que ofereceu R$ 300,00 a quem acertasse um tomate no magistrado.

Não que Barroso seja alguém que mereça a confiança da opinião pública – ninguém no STF tem feito por merecer –, mas pareceu certeiro ao dizer que Gilmar “vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu“. Pelo que se observa no noticiário, este tem dedicado o que pode aos amigos. Quanto aos inimigos, o peso da letra da lei.

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Imprensa usa triplex como prova de imparcialidade, mas o argumento não se sustenta

O Globo usou duas das reportagens citadas pela Lava Jato durante o processo para se vender como jornalismo imparcial. Mas é preciso apostar na preguiça do público para convencer com este argumento.

Pois basta ler os links referenciados. A primeira matéria retrata o casal Lula da Silva como uma das vítimas da Bancoop. A segunda, escrita longínquos quatro anos e meio depois, celebra a entrega do empreendimento, reforçando que estava tudo devidamente declarado e quitado pelo já ex-presidente da República – a investigação provaria que este detalhe final estava bem distante da verdade.

A imprensa como um todo tem explorado tais manchetes como exemplo de que estaria praticando um jornalismo impiedoso também com Lula. Não pratica. Nunca praticou.

Se não fosse o Ministério Público Federal e a Polícia Federal desafiando seguidamente o petismo, e a independência de projetos alternativos como o Antagonista, Dilma Rousseff passaria o verão de 2018 trabalhando a eleição de seu sucessor, Aloisio Mercadante. E com a caneta amiga da imprensa a cada nascer do sol.

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Como a imprensa tradicional reverberou a mentira de que Bono acompanharia o julgamento de Lula

Começou com a Folha Poder. Mas logo escalou para a própria Folha. Numa reação em cadeia, o conteúdo foi se replicando no Valor Econômico, MSN Brasil, Vice Brasil e uma porção de blogs sujos esquerdistas. Pouco após a meia noite, um primeiro desmentido por meio de um veículo alternativo já havia pintado. Ainda assim, a Folha seguiu reprisando a informação falsa no dia seguinte.

Em todas as manchetes, Roberto Requião dizendo que Bono Vox viria ao Brasil para acompanhar o julgamento de Lula. Que, claro, ocorreria sem a presença do cantor. Era algo que nem o próprio senador confirmava.

Antes de reverberar desinformação, o bom jornalismo teria checado com a assessoria do U2 se aquilo era verdade. Não sendo possível, a assessoria do parlamentar resolveria. No entanto, a imprensa tradicional viu vantagem em publicar algo sem a devida apuração. Afinal, e ao pé da letra, tinha o fiapo que interessava para driblar qualquer acusação: a origem de informação seria o senador, não o jornal.

Praticando o bom jornalismo, a imprensa teria feito um ótimo favor à sociedade, pois desmentiria um senador da República que não costuma honrar a cadeira na qual senta. Praticando o que praticou, ajudou Lula, o primeiro ex-presidente condenado da história do Brasil, a fazer pressão no tribunal que o condenaria.

Porque a imprensa tem lado. E esse lado não é o da sociedade.

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Críticas a movimentos políticos não são críticas às minorias que eles alegam defender

Ter críticas ao movimento negro não significa ser contra afrodescendentes. O mesmo vale para militância LGBT e ao feminismo – respectivamente em relação a homossexuais e mulheres, claro.

O movimento estudantil costuma ser eleito por uma parcela ínfima dos estudantes que eles alegam representar. No Brasil, não falta ateu com vergonha das manifestações truculentas da ATEA. Um breve giro nas redes sociais e é possível encontrar um considerável número de mulheres com fortes ressalvas ao feminismo.

Movimentos políticos equivocados estão na origem das maiores tragédias da humanidade. E por isso devem atuar sob forte vigilância dos críticos. Ou isso, ou errarão feio – alguns, novamente.

A divergência serve para podar excessos. Sem ela, vem a radicalização que tantos temem. Com radicalização, o erro é aplaudido, o acerto é criminalizado.

Parece óbvio e é. Mas o Brasil de hoje exige que mesmo o óbvio seja constantemente repetido. Do contrário, impera o caos.

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O petismo pregou desobediência civil, mas o passaporte de Lula foi entregue na manhã seguinte

Com a condenação de Lula em segunda instância, “desobediência civil” virou palavra da moda na boca do petismo. E isso não vem da parte da militância mais bovina, mas dos próprios parlamentares. Por vezes, e ainda que com outros termos não menos truculentos, do próprio condenado.

Mas, na primeira oportunidade que teve para desobedecer a ordem judicial, a defesa do ex-presidente prometeu e entregou o passaporte na manhã seguinte.

O discurso do PT mete medo pois é algo já posto muito em prática na história e na vizinhança mais ao norte do país. E de fato leva ao colapso, como se percebe no exemplo venezuelano.

Todavia, a forma pacífica como o passaporte foi entregue pode ser um sinal de que tudo não passa de frases feitas para incendiar a militância. Que nenhum dos líderes está disposto a se sacrificar por nada. E que cão barulhento não morde.

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O PSL disponibilizou a Bolsonaro menos de 1% da verba que Dilma usou oficialmente na campanha de 2014

Tentando viabilizar a própria candidatura à Presidência da República, Jair Bolsonaro selou um acordo com o Partido Social Liberal, dono de um bancada composta por apenas três deputados federais. Conforme detalhou o Estadão, a sigla nanica reservou ao presidenciável um terço do fundo que receberá para trabalhar na campanha eleitoral. Apesar de considerável, a fatia resulta em minguados R$ 3 milhões.

Para efeito de comparação, sem correção inflacionária, essa quantia equivale a menos de 1% do que a campanha de Dilma Rousseff torrou para reeleger a presidente da República em 2014. Contudo, ao se obedecer a proporção delatada por Marcelo Odebrecht, que atribuía ao “caixa 2″por volta de três quartos do que de fato se gastava em uma eleição, a petista teria superado o bilhão de reais com uma folga de R$ 400 milhões.

O principal, apontam as pesquisas, Bolsonaro já teria: voto para ir a um segundo turno. De resto, há de ser o candidato a enfrentar mais dificuldades, uma vez que será atacado por governo e oposição, não terá apoio da imprensa e precisará se virar com segundos de TV. E um orçamento bem menor que o de seus adversários.

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