Após 13 anos de PT, a imprensa passou a cobrar domínio de economia

Após 13 anos de PT, a imprensa passou a cobrar domínio de economia

Desde a primeira eleição de Lula, o brasileiro se acostumou a ouvir que o presidente da República não necessitava nem de domínio do português, quanto mais de uma segunda língua. E, em tom estranhamente orgulhoso, repetia-se na mídia que um “torneiro mecânico” havia sido escolhido para o Palácio do Planalto.

Quando chegou a vez de Dilma Rousseff, muito se duvidou da capacidade dela de gerir o país, afinal, na década anterior, levara à falência uma lojinha de produtos com valor fixo em R$ 1,99. Em resposta, até acusações de “preconceito” eram sacadas contra os céticos.

Com Jair Bolsonaro se confirmando como um presidenciável forte o suficiente para disputar um segundo turno, contudo, a imprensa mudou de postura. E se deu a cobrar do pré-candidato um domínio da economia que até então soava facultativo aos presidentes brasileiros.

A resposta do pai do clã Bolsonaro tem lá seu sentido, afinal, é comum que gestores de formação distinta se destaquem em funções pública de ponta – por exemplo, José Serra, que não é médico, foi considerado um ótimo ministro da Saúde, assim como o sociológico FHC é lembrado como o ministro da Fazenda que domou a hiperinflação.

Mas, a despeito de estar sendo usado um peso diferente para a mesma medida, é bom que a imprensa passe a cobrar dos candidatos algo além da capacidade de atrair votos. Porque determinado presidenciável apoiado por ela desconhecia a diferença entre uma “fatura e duplicata”. E muito se criticou a armadilha plantada por Fernando Collor em 1989.