Antonio Palocci confirmou à Lava Jato que Lula virou ministro para evitar ser preso

A ideia de Lula virar ministro de Dilma Rousseff para evitar ser preso já era discutida nas redes sociais pelos militantes mais fervorosos em meados de 2015. Mas ganhou corpo no início de 2016, quando a Lava Jato conduziu coercitivamente o ex-presidente. Dias depois, a presidente da República fez do próprio padrinho o seu ministro da Casa Civil, cargo que ocuparia por pouquíssimo tempo, uma vez que Gilmar Mendes suspenderia a nomeação após grampos vazados mostrarem a dupla atuando contra uma eventual prisão.

Em delação premiada para a mesma Lava Jato da qual Lula supostamente fugia, Antonio Palocci garantiu que não havia nada de “supostamente”. Segundo o ex-ministro das gestões petistas, o ex-presidente havia sido informado de que seria preso. E que, numa evidente obstrução de Justiça, seria nomeado por Dilma para evitar o encarceramento.

Consultado numa reunião sigilosa, Palocci sugeriu a Lula não aceitar o convite e iniciar uma luta política de dentro da cadeia. Mas este evitou o caminho seguido por tantos aliados que se negaram a delatar o que sabiam dos crimes pelos quais foram condenados.

Não daria certo. Dois meses depois, Dilma seria afastada do cargo. No ano seguinte, Lula se tornaria o primeiro ex-presidente do Brasil condenado em primeira instância.

Na delação, Antonio Palocci garantiu ter entregue propina em dinheiro vivo para Lula

A delação de Antonio Palocci tem feito um estrago tão grande em Lula que rendeu, dentro do próprio PT, um movimento para que o partido busque um novo candidato para 2018. Em um dos trechos mais bombásticos, o ex-presidente é citado como o destinatário de propina em dinheiro vivo.

De acordo com os relatos obtidos por Veja, os pagamentos eram feitos em pacotes de R$ 30 mil a 50 mil, sempre com o objetivo de quitar despesas pessoais do petista. O delator narrou aos investigadores ao menos cinco episódios em que Palocci em pessoa fazia a entrega.

Quando valores superavam a referida quantia, Branislav Kontic, um “faz-tudo” do ex-ministro, se encarregava de entregar a grana no Instituto Lula.

A origem da propina era a reserva feita pela Odebrecht em benefício do PT, uma espécie de “conta-corrente” também delatada pela empreiteira.

Driblando a versão oficial, descobre-se que a inflação na Venezuela já superou os 2.400%

Ditaduras não são transparentes, e não seria diferente com a Venezuela. Entre dezembro de 2014 e janeiro de 2016, por exemplo, o Banco Central venezuelano simplesmente não publicou qualquer dado a respeito da inflação no país. Contudo, há como driblar a censura de Nicolás Maduro e calcular isso. E o Johns Hopkins – Cato Institute Troubled Currencies Project mergulhou nas planilhas com esta intenção.

Para tanto, confrontou a cotação da moeda local perante o dólar americano no mercado livre (pejorativamente tratado como “mercado negro” pelo discurso oficial). “Mudanças na taxa de câmbio do mercado negro podem ser transformadas de forma confiável em estimativas precisas das taxas de inflação em todo o país“, garantiu Steve H. Hanke, diretor do Instituto.

Pelos cálculos de Hanke, a inflação anual venezuelana atingiu absurdos 2.432,94% em 20 de setembro de 2017. O que permitiu a ele afirmar: “A Venezuela está testemunhando a pior inflação do mundo“.

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Enquanto isso, o Brasil, que se livrara de Dilma Rousseff um ano antes via impeachment, caminhava para ter a menor inflação em 19 anos.

Com Cristina Kirchner fora do poder, peritos puderam confirmar: promotor que a investigava morreu assassinado

Em 18 de julho de 1994, um carro-bomba lançado contra a sede da Associação Mutual Israelita da Argentina matou 85 pessoas, deixando 300 feridos. Alberto Nisman mergulhou no caso só em 13 de setembro de 2004, já após a Justiça local acusar o governo iraniano de planejar o ataque que findaria executado pelo Hezbollah. Em 19 de janeiro de 2015, convicto de que o governo argentino havia pactuado com o Irã para blindar os responsáveis pelo atentado, o procurador se preparava para apresentar o caso no Congresso Nacional, mas apareceu morto.

De imediato, Cristina Kirchner insinuou que Nisman cometera suicídio, versão que seria confirmada oficialmente com apenas 12 horas de investigação. Mas poucos além dos kirchneristas engoliram a versão. Uma perícia contratada pela família da vítima desmentia tal leitura. Entretanto, com a esquerdista fora do poder desde dezembro daquele ano, peritos federais puderam revisitar o caso. Em setembro de 2017, chegaram à conclusão: o procurador fora assassinado.

“A quantidade de evidências que comprovam que Alberto Nisman foi executado é tão grande, que todas as perícias anteriores que comprovam o contrário só podem ter sido feitas sob encomenda para justificar uma história oficial.”

Para os investigadores, Nisman estava rendido de joelhos com uma das mãos torcidas para trás quando baleado. Não foram encontrados vestígios de pólvora em suas mãos, e a cena do crime findou alterada para vender a tese de que a vítima havia se matado.

Não à toa, uma das maiores aliadas do petismo vem tendo dificuldades para voltar à política.

Lúcio Funaro confirmou que de fato vendia “silêncio” a Joesley Batista

No grampo que Joesley Batista divulgou contra Michel Temer, restou evidente que o dono da JBS comunicava ao presidente da República que estava comprando o silêncio de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha. Em vez de censurar a atitude, o peemedebista mandou um sonoro “tem que manter isso, viu?“.

Em delação premiada recentemente acordada com a investigação, Funaro entregou que de fato vinha sendo mensalmente pago por Joesley, conforme trecho do termo de depoimento publicado em O Globo:

“Quanto aos pagamentos recebidos da JBS após a sua prisão, esclarece que avisou seu irmão e sua esposa que se algo lhe acontecesse deveriam procurar Joesley.”

Mais do que nunca, há elementos para se encurtar o mandato de Temer, a exemplo do que já ocorrera com Dilma Rousseff. Mas o apreço pela recuperação econômica, e o receio de uma volta ao poder do grupo que comandou o país até 2016, afasta a população das ruas.

Há, claro, a esperança de o problema ser revolvido nas urnas de 2018. Mas esta esperança existiu também em 2005. E findou com a reeleição de Lula em 2006. É um caminho arriscado. Que sempre findou em vitória do governo.

Até Janot desconfiou que Teori havia sido assassinado, mas está seguro de que foi mesmo um acidente

Quando surgiu a notícia de que Teori Zavascki havia falecido num acidente aéreo, logo parte das redes sociais especulou algo ainda pior. Teóricos da conspiração temiam que o ministro do STF que se preparava para homologar a delação premiada da Odebrecht tivesse sido assassinado. Outra parte assumiu que a versão com a queima de arquivo só seria possível nas mentes mais histéricas. Pois bem…

O próprio procurador-geral da República desconfiou de assassinato. E entendeu que esta seria a conclusão lógica. Mas, em entrevista ao Correio Braziliense, já longe do cargo que o tornou famoso, Rodrigo Janot se disse seguro de que tudo não passara de um infeliz acidente:

Com a morte de Teori, temeu pelo fim das investigações?

Temi, sim. Eu sou agnóstico, eu creio muito pouco. Com a morte dele, eu passei a crer ainda menos. Eu dizia: não é possível.

Suspeitou de assassinato?

No começo, claro. Mas a investigação foi feita por nós, pelo MPF, em Angra dos Reis, e estamos seguros de que foi acidente mesmo.

Foi o momento mais difícil?

Esse foi um dos mais difíceis, com certeza, foi devastador para todo mundo. Ele era muito firme. Ainda bem que o ministro Fachin também é.

Até as eleições de 2018, cinco mulheres comandarão o judiciário no Brasil

Durante o governo Temer, Raquel Dodge se tornou a quarta mulher a ocupar um cargo de comando no judiciário brasileiro. A nova procuradora-geral da República passou a fazer companhia a Laurita Vaz, presidente do STJ, Grace Mendonça, chefe da Advocacia-geral da União, e Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Dodge e Mendonça, inclusive, são as primeiras mulheres a ocuparem tal posto.

Conforme apontado pelo Portal Jota, Rosa Weber ainda substituirá Gilmar Mendes na presidência do TSE em 2018, completando o “quinteto”.

É preciso destacar o feito para neutralizar um dos argumentos mais explorados pela esquerda nas últimas eleições, o de que, sem uma gestão esquerdista, mulheres são excluídas da cadeia de comando.

Talvez seja verdade que elas não são escolhidas apenas para que a militância tenha o que comemorar. E o silêncio desta militância a respeito do feito recente serve como “prova” de que o interesse feminino vem sendo eclipsado pelo partidarismo.

Lula se tornou réu – pela sétima vez – no esquema que causou prejuízo de R$ 19 bilhões ao povo brasileiro

A operação Zelotes foi deflagrada investigando o Conselho de Administração de Recursos Fiscais, ou simplesmente CARF. Trata-se de um órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Os investigadores suspeitavam que o colegiado, composto de 216 conselheiros, vendia decisões a ao menos 70 empresas, entre elas, Gerdau, BankBoston, Mundial-Eberle, Ford, Mitsubishi, Santander, Bradesco, Safra e a RBS, afiliada da Rede Globo.

Até a deflagração da operação, em março de 2015, o povo brasileiro já tinha sido lesado em R$ 5,7 bilhões. Mas estima-se que o total do rombo chegue a R$ 19 bilhões.

A Zelotes fez com que Lula se tornasse réu pela sétima vez. A participação do petista no esquema remonta a 2009, quando ainda presidia o Brasil. Juntamente com Gilberto Carvalho, ex-secretário-geral do governo Lula, e outros cinco envolvidos, o petista foi acusado de vender por R$ 6 milhões a aprovação da Medida Provisória 471. A MP prorrogava incentivos fiscais a montadoras de veículos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os valores teriam sido utilizados nas campanhas do PT.

Ainda na Zelotes, Lula corre risco de virar réu por tráfico de influência, no que teria feito lobby na polêmica compra de caças suecos durante o governo de Dilma Rousseff. O pagamento de R$ 2,5 milhões, contudo, teria sido mascarado com a empresa de um dos filhos do ex-presidente.

Michel Temer não cumpriu a promessa de afastar ministro denunciado na Lava Jato

Em 13 de fevereiro de 2017, como resposta às críticas de que usava o próprio ministério para garantir foro privilegiado a alguns de seus aliados, Michel Temer firmou um compromisso com a opinião pública. Nele, a promessa de que afastaria, ainda que provisoriamente, os ministros que fossem denunciados.

Se houver denúncia, o ministro que estiver denunciado será afastado provisoriamente. Faço essa declaração para dizer que o governo não quer blindar ninguém, nem vai blindar. Apenas não vai aceitar que a simples menção inauguradora seja uma condenação definitiva, pois, se acolhida a denúncia, e aí sim o ministro se transforma em réu, o afastamento é definitivo.”

É importante observar que, no pacto firmado pelo presidente da República, o acolhimento da denúncia pelo STF implicaria numa expulsão do ministro já réu.

Em setembro, Rodrigo Janot finalmente apresentou a denúncia do que vinha chamando de “quadrilhão”. Na calculadora, mais de R$ 3 bilhões em desvios. A ponta da caneta mirava 34 políticos de três partidos: PT, PMDB e PP. Além do próprio Temer, a lista incluía Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Moreira Franco é o Secretário-geral da Presidência da República. Eliseu Padilha, o ministro da Casa Civil. Uma semana após a denúncia, ambos continuavam no cargo.

Franco foi deputado federal até 2007. Padilha, até 2015. Em caso de afastamento, ambos perdem o foro privilegiado, e as denúncias podem ser remetidas a Sérgio Moro, que costuma prender peemedebistas graúdos como Eduardo Cunha, por exemplo.

Mas, aparentemente, esse não é um risco que Temer gostaria de correr. Geddel Vieira Lima, também por exemplo, deixou a Secretaria de Governo em novembro de 2016. No julho seguinte, foi preso pela primeira vez. Em setembro, pela segunda. E, desta, para já começar a falar em delação premiada.

Não é verdade que subprocuradora pediu suspeição de Moro por condenar Lula no caso envolvendo o triplex

Na manchete, o destaque: “Subprocuradora pede suspeição de Moro por condenar Lula por triplex“. O R7 apagou a notícia, mas o cache do Google ainda a salva. A Folha ajudou a espalhar a ideia equivocada, mas foi mais cuidadosa, podendo manter o texto original no ar sem retoques: “Subprocuradora dá parecer favorável a pedido de suspeição de Moro“. Onde estava o erro comemorado pela esquerda brasileira? No negrito destacado aqui neste mesmo parágrafo.

O parecer de Áurea Pierre não foi favorável à suspeição, mas ao pedido. Em outras palavras, ela apenas concordou que o pedido merece ser apreciado pelo TRF-4. Como bem explicou O Antagonista, a defesa de Lula não tinha conseguido nem sequer esta “vitória”, e recorreu a uma instância superior – o STJ – para que o TRF-4 seja obrigado a apreciar o pedido de suspeição.

Após o parecer da subprocuradora, o STJ avalia se concorda ou não que o TFR-4 deve ser obrigado a analisar o pedido da defesa de Lula. E, ainda que o STJ venha a concordar, nada disso contará contra a suspeição de Moro, que deve ser avaliada apenas pelo TRF-4.