Segundo assessoria, Jorge Picciani ameaçou dar um tiro na cara de Anthony Garotinho

22/11/2017 - Rio de Janeiro – O ex-governador Anthony Garotinho é levado preso por agentes da Polícia Federal, para o presídio em Benfica

Anthony Garotinho foi preso no 22 de novembro de 2017 por financiamento ilegal de campanha e cobrança de propina. Mas buscou evitar ir para a Penitenciária de Benfica, na zona norte do Rio, onde já se encontravam detidos outros nomes da política carioca. Para tanto, alegou que lá correria risco de ser morto por Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, detido novamente na véspera.

A assessoria do ex-governador explicou o caso em nota. Um agente penitenciário o alertara de uma reunião entre Picciani e Sérgio Cabral. Deste papo, teria saído a afirmação de que o primeiro “iria dar um tiro na cara de Garotinho“.

Fica a dúvida, no entanto, se a defesa do marido de Rosinha Garotinha não estava apenas explorando uma “narrativa” para amolecer o coração de quem analisa-lhe o caso. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, a “integridade física dos internos do sistema penitenciário fluminense” está garantida.

Será que Picciani soube que, um dia antes de ser preso novamente, Anthony Garotinho “celebrou” a prisão do presidente da ALERJ?

Perdão concedido pelo governo Temer pelo Refis gerou rombo de R$ 4 bilhões no orçamento de 2018

14/11/2017 – Brasília – DF, Brasil – Antonio Megale, Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA e presidentes das empresas associadas.

Para não perder a simpatia do “mercado”, o governo Temer foi bem generoso no programa de refinanciamento de dívidas conhecido como REFIS. Tão generoso que deixou um buraco no orçamento de 2018. E dos enormes: nada menos do que R$ 4 bilhões.

Essa quantia é superior à verba reservada para um quarto dos vinte e oito ministérios do Governo Federal, por exemplo.

Para resolver o problema, a equipe econômica precisou buscar “receitas adicionais”. Do contrário, Temer estaria descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. E o vice-presidente de Dilma Rousseff deve lembrar que foi um drible na LRF – apelidado de “pedaladas fiscais” – que justificou o impeachment da presidente cassada.

A grana extra pode vir, por exemplo, de uma exploração maior das privatizações. O primeiro alvo seria uma raspadinha vendida pela Caixa Econômica Federal. Mas esta cobriria só metade do rombo.

Hiperinflação venezuelana já é (muito) pior do que a vivida no Brasil em seu pior momento

28.07.2010 - Brasília - O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, fala à imprensa após se reunir com o presidente Lula.

Por mais que boa parte dos americanos não tenha a mínima ideia de quem seja Nicolás Maduro, os mais versados em política seguem de olho no que acontece mais ao sul dos Estados Unidos. Steve Hanke, economista que assina artigos na Forbes, usou o próprio perfil no Twitter para destacar o que ocorria no 21 de novembro de 2017.

O gráfico mostrava o número assustador: 4.114%. Era a inflação acumulada dos doze meses anteriores no experimento bolivariano lançado por Hugo Chávez. O desenho ainda alerta que a situação tem piorado a passos cada vez mais largos.

Para efeito de comparação, o Brasil nunca viu inflação tão sufocante quanto a medida em 1993. Naquela temporada, os indicadores acumularam 2.477,15% de alta. No ano seguinte, contudo, a política econômica adotada por FHC não só seguraria o galope inflacionário, como garantiria ao tucano dois mandatos como presidente da República.

Em outras palavras, é possível afirmar que a hiperinflação venezuelana já é bem pior do que a enfrentada pelos brasileiros nos governos Sarney, Collor e Itamar.

Três dos últimos sete governadores do Rio de Janeiro foram presos

16/11/2016 - Campos de Goytacazes - RJ, Brasil - O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi preso hoje (16/11), pela Polícia Federal. Garotinho é suspeito de envolvimento em uma esquema de compra de votos.

Desde que o Brasil voltou a ser uma democracia, o Rio de Janeiro elegeu 7 governadores. Destes, já morreram Leonel Brizola e Marcello Alencar. Dos cinco restantes, três foram presos: Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho – ou praticamente todos os governadores fluminenses eleitos que geriram o estado entre 1999 e 2014.

Só Luiz Fernando Pezão e Moreira Franco continuam livres, muito por causa do foro privilegiado, pois ambos estão sob a mira de investigações de peso, como as operações Lava Jato – tanto a de Curitiba, como a do Rio.

Quanto ao secretário-geral da Presidência da República, o próprio Ministério Público Federal já foi claro ao dizer que Michel Temer apenas o nomeou Moreira Franco para blindá-lo do trabalho conduzido por Sérgio Moro e Marcelo Bretas.

Nos últimos 34 anos, Nilo Batista e Benedita da Silva também assumiram o governo fluminense por alguns meses. Mas em casos distintos: tinham sido eleitos vice-governadores quando os titulares (Brizola e Garotinho, respectivamente) liberaram a cadeira para serem derrotados nas corridas presidenciais de 1994 e 2002.

Um dia antes de ser preso novamente, Anthony Garotinho “celebrou” a prisão de Jorge Picciani

16/11/2016 - Campos de Goytacazes - RJ, Brasil - O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi preso hoje (16/11), pela Polícia Federal. Garotinho é suspeito de envolvimento em uma esquema de compra de votos.

Em nota, a defesa de Anthony Garotinho vem insistindo que o ex-governador do Rio de Janeiro estaria sendo perseguido por denunciar o esquema de Sérgio Cabral, preso desde 2016. Se é verdade ou apenas uma “narrativa” para driblar a Justiça, só o tempo dirá. Mas fato é que, um dia antes, o marido da também detida Rosinha Garotinho estava comemorando a volta de Jorge Picciani à cadeia.

A comemoração foi registrada em transmissão ao vivo acompanhada por O Globo:

“Tem até aquela piadinha do PMDB, o Partido do Movimento Democrático de Benfica, está todo mundo em Benfica. Os três deputados, o ex-governador (Sergio Cabral), os seus principais auxiliares, os seus operadores, vários empresários. Uma situação terrível. É preciso que a população acorde, porque ainda não terminou a faxina. Faltam outros setores que foram altamente envolvidos com essa safadeza toda.

Ironicamente, assim que a população acordou, soube da notícia de que o antigo primeiro casal do Rio de Janeiro havia sido preso.

Governo teme que condenados sofram “danos físicos, sociais e psicológicos” por usarem tornozeleira eletrônica

Bola de ferro com corrente

No 17 de novembro de 2017, o Governo Federal publicou resoluções definidas pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. No texto, entre outros temas, despontam as regras para a aplicação de tornozeleiras eletrônicas. E, mais uma vez, percebe-se que o poder público curvou-se às vontades das mentes mais criminosas do país.

A publicação define, por exemplo, que o monitoramento deve restringir-se “às mais graves violações de direitos humanos”. Mas precisa ser voluntário. E a aplicação deve “primar pelo uso de tecnologia menos lesiva, com equipamentos leves, discretos e anatômicos, com vistas a minimizar a estigmatização e demais danos físicos, sociais e psicológicos”. De quebra, ainda proíbe que o equipamento seja utilizado com “sentido de punição”.

Dentre outras, aceita como justificativa a possibilidade de uso de tornozeleira como alternativa a prisões lotadas.

Mais um pouco e o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária pediria desculpas ao condenado por fazê-lo quitar o que deve à sociedade.

Banco Mundial sugeriu que o Brasil congele o salário dos servidores públicos por 7 anos

Carteira recheada no bolso de uma calça.

Em função semelhante, com mesma experiência e formação, um servidor federal ganha no Brasil, em média, 67% a mais do que um profissional que atua no setor privado. Esta diferença é o que o Banco Mundial chama de “prêmio salarial”. De acordo com a entidade, em 53 nações avaliadas, o brasileiro é quem arca com o “prêmio” mais caro.

Como se trata de alguém bancado pela carga tributária, cria-se a bizarra situação em que os cidadãos mais humildes transferem renda para os mais ricos – mais da metade dos servidores públicos estão entre os 20% mais bem pagos do país.

Para resolver o problema, o Banco Mundial sugeriu congelar os salários até pelo menos 2024. Com isso, seria possível economizar 0,9% do PIB – algo acima dos R$ 56 bilhões por ano.

Ainda que a medida seja tomada de imediato, os servidores sairão dela 16% melhor remunerados que os colegas do setor privado.

No Top 10 de atividades que mais lucram no Brasil, seis posições estão ligadas a serviços do setor público. E isso não é comum no restante do mundo.

Donald Trump recuou e suspendeu importação de “cabeças de elefante” e marfim

Marfim. Elefante.

Numa das decisões que mais recebeu críticas não só de opositores, mas também dos próprios aliados, o governo Trump autorizou que caçadores importassem cabeças de elefante para os Estados Unidos. A medida revertia política do governo Obama, que em 2014 tentara conter o tráfico de marfim no continente africano.

Contudo, menos de dois dias depois, e após a enxurrada de críticas, o presidente dos Estados Unidos voltou atrás e suspendeu a autorização.

O anúncio foi feito pelo Twitter. Nele, o republicano disse que colocou a “caça” em espera enquanto revisa “todos os aspectos de conservação“.

No passado, um dos filhos de Trump foi fotografado em safari na África segurando o rabo cortado de um elefante. E, claro, a imprensa não perdoou, fazendo uso recorrente da imagem para associar a medida a interesses familiares.

O povo brasileiro gasta R$ 800 mil por ano com aposentadoria de deputados federais presos

16/04/2015 - Brasília - DF, Brasil- A presidente Dilma Rousseff nomeou nesta quarta-feira (15) o ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para o comando do Ministério do Turismo. A nomeação foi divulgada por meio de nota oficial (leia a íntegra ao final desta reportagem).Alves, 66 anos, assume no lugar de Vinicius Lages, que havia sido indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Você já leu aqui no Implicante que o brasileiro paga R$ 1,65 milhão por ano em aposentadorias a deputados federais cassados. Mas a graça não para nos “deputados federais cassados“. Ela também  atinge a categoria dos “deputados federais presos“.

Conforme destacou o Estadão, a Câmara Federal gasta mensalmente R$ 62.114,26 com aposentadorias de ex-deputados federais presos. Ambos somam passagens pelos ministérios dos governos Lula, Dilma e/ou Temer. E foram detidos após investigações da operação Lava Jato.

Henrique Eduardo Alves recebe a aposentadoria mais gorda: R$ 41.760,00. Quanto a Geddel Vieira Lima, precisa se contentar com pouco menos da metade: R$ 20.354,26. Os valores fazem referência ao tempo de serviço e de contribuição aos planos de previdência dos congressistas.

Ambos soman 16 mandatos como deputados federais. No caso de Henrique, há inclusive uma passagem de dois anos pela Presidência da casa.

Em um ano, os detidos custarão mais de R$ 800 mil aos cofres públicos. Somados aos benefícios dos cassados, a farra se aproxima dos R$ 2,5 milhões.

A deflação vivida pelas famílias mais humildes funciona como um bônus generoso no Bolsa Família

Tomates à venda num mercado

Entre 2006 e 2017, a inflação acumulada chegou a 102,2% nos lares em que o rendimento não superava os R$ 900,00. Já nas família dez vezes mais ricas, a inflação ficou bem menor, em “apenas” 83,6%. Os números são do estudo de Maria Andréia Parente, do Ipea. E comprovam que o aumento do custo de vida prejudica muito mais os mais pobres.

Contudo, a política econômica adotada  após o impeachment tem conseguido reverter a situação. Um ano após a queda de Dilma Rousseff, enquanto ricos enfrentaram inflação de 0,53%, os mais pobres viveram uma DEflação de 0,22%.

No acumulado do ano, a inflação dos mais ricos (3,5%) é proporcionalmente bem maior que a das famílias de renda mais baixa (2%).

Em segmentos vitais, essa diferença é ainda mais clara. Como destacou O Globo, as classes C, D e E viram o preço dos alimentos cair 5,1% no período de um ano. Cair. De acordo com a consultoria Tendências, a deflação liberou uma folga R$ 7,8 bilhões no orçamento das famílias mais humildes. Trocando em miúdos, é como se cada família recebesse um bônus de R$ 145 no Bolsa Família – na sondagem mais recente, o valor médio do benefício pago pelo programa estava em R$ 179,73.

A dinâmica foi explicada pela economista Camila Saito:

“O rendimento cresceu, e a perda foi menor para essas famílias. O valor representa por volta de 34% do volume total destinado ao Bolsa Família e uma média de R$ 145 por família que está nessa faixa de renda.”

Na prática, é como se a deflação nos alimentos resultasse num aumento de 34% no valor destinado ao programa social mais importante do Brasil.