Após lutar contra prisões desnecessárias, Gilmar Mendes acionou a PF contra quem o xingou em voo

Quando, em outubro de 2017, Luís Roberto Barroso respondeu-lhe à altura, Gilmar Mendes evocou mais uma vez o Mutirão Carcerário, iniciativa que libertou mais de 22 mil presos no Brasil. Foi uma forma que o membro do STF encontrou para insistir que não era benevolente apenas com os milionários que gozam de intimidade suspeita com o integrante da Suprema Corte.

Nada disso o impediria de ser visto pela opinião pública como uma máquina de liberar habeas corpus aos políticos de mais baixa popularidade do país. E isso descambaria no coro de “fora, Gilmar” gritado em voo que contava com a presença do excelentíssimo.

Contudo, findado o protesto, Mendes esqueceu que se vendera naquele outubro como um libertário, e logo enviou uma representação à Polícia Federal para que investigasse não só quem o xingou no voo, mas também o provocador que ofereceu R$ 300,00 a quem acertasse um tomate no magistrado.

Não que Barroso seja alguém que mereça a confiança da opinião pública – ninguém no STF tem feito por merecer –, mas pareceu certeiro ao dizer que Gilmar “vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu“. Pelo que se observa no noticiário, este tem dedicado o que pode aos amigos. Quanto aos inimigos, o peso da letra da lei.

Imprensa usa triplex como prova de imparcialidade, mas o argumento não se sustenta

O Globo usou duas das reportagens citadas pela Lava Jato durante o processo para se vender como jornalismo imparcial. Mas é preciso apostar na preguiça do público para convencer com este argumento.

Pois basta ler os links referenciados. A primeira matéria retrata o casal Lula da Silva como uma das vítimas da Bancoop. A segunda, escrita longínquos quatro anos e meio depois, celebra a entrega do empreendimento, reforçando que estava tudo devidamente declarado e quitado pelo já ex-presidente da República – a investigação provaria que este detalhe final estava bem distante da verdade.

A imprensa como um todo tem explorado tais manchetes como exemplo de que estaria praticando um jornalismo impiedoso também com Lula. Não pratica. Nunca praticou.

Se não fosse o Ministério Público Federal e a Polícia Federal desafiando seguidamente o petismo, e a independência de projetos alternativos como o Antagonista, Dilma Rousseff passaria o verão de 2018 trabalhando a eleição de seu sucessor, Aloisio Mercadante. E com a caneta amiga da imprensa a cada nascer do sol.

Como a imprensa tradicional reverberou a mentira de que Bono acompanharia o julgamento de Lula

Começou com a Folha Poder. Mas logo escalou para a própria Folha. Numa reação em cadeia, o conteúdo foi se replicando no Valor Econômico, MSN Brasil, Vice Brasil e uma porção de blogs sujos esquerdistas. Pouco após a meia noite, um primeiro desmentido por meio de um veículo alternativo já havia pintado. Ainda assim, a Folha seguiu reprisando a informação falsa no dia seguinte.

Em todas as manchetes, Roberto Requião dizendo que Bono Vox viria ao Brasil para acompanhar o julgamento de Lula. Que, claro, ocorreria sem a presença do cantor. Era algo que nem o próprio senador confirmava.

Antes de reverberar desinformação, o bom jornalismo teria checado com a assessoria do U2 se aquilo era verdade. Não sendo possível, a assessoria do parlamentar resolveria. No entanto, a imprensa tradicional viu vantagem em publicar algo sem a devida apuração. Afinal, e ao pé da letra, tinha o fiapo que interessava para driblar qualquer acusação: a origem de informação seria o senador, não o jornal.

Praticando o bom jornalismo, a imprensa teria feito um ótimo favor à sociedade, pois desmentiria um senador da República que não costuma honrar a cadeira na qual senta. Praticando o que praticou, ajudou Lula, o primeiro ex-presidente condenado da história do Brasil, a fazer pressão no tribunal que o condenaria.

Porque a imprensa tem lado. E esse lado não é o da sociedade.

Críticas a movimentos políticos não são críticas às minorias que eles alegam defender

Ter críticas ao movimento negro não significa ser contra afrodescendentes. O mesmo vale para militância LGBT e ao feminismo – respectivamente em relação a homossexuais e mulheres, claro.

O movimento estudantil costuma ser eleito por uma parcela ínfima dos estudantes que eles alegam representar. No Brasil, não falta ateu com vergonha das manifestações truculentas da ATEA. Um breve giro nas redes sociais e é possível encontrar um considerável número de mulheres com fortes ressalvas ao feminismo.

Movimentos políticos equivocados estão na origem das maiores tragédias da humanidade. E por isso devem atuar sob forte vigilância dos críticos. Ou isso, ou errarão feio – alguns, novamente.

A divergência serve para podar excessos. Sem ela, vem a radicalização que tantos temem. Com radicalização, o erro é aplaudido, o acerto é criminalizado.

Parece óbvio e é. Mas o Brasil de hoje exige que mesmo o óbvio seja constantemente repetido. Do contrário, impera o caos.

O petismo pregou desobediência civil, mas o passaporte de Lula foi entregue na manhã seguinte

Com a condenação de Lula em segunda instância, “desobediência civil” virou palavra da moda na boca do petismo. E isso não vem da parte da militância mais bovina, mas dos próprios parlamentares. Por vezes, e ainda que com outros termos não menos truculentos, do próprio condenado.

Mas, na primeira oportunidade que teve para desobedecer a ordem judicial, a defesa do ex-presidente prometeu e entregou o passaporte na manhã seguinte.

O discurso do PT mete medo pois é algo já posto muito em prática na história e na vizinhança mais ao norte do país. E de fato leva ao colapso, como se percebe no exemplo venezuelano.

Todavia, a forma pacífica como o passaporte foi entregue pode ser um sinal de que tudo não passa de frases feitas para incendiar a militância. Que nenhum dos líderes está disposto a se sacrificar por nada. E que cão barulhento não morde.

O PSL disponibilizou a Bolsonaro menos de 1% da verba que Dilma usou oficialmente na campanha de 2014

Tentando viabilizar a própria candidatura à Presidência da República, Jair Bolsonaro selou um acordo com o Partido Social Liberal, dono de um bancada composta por apenas três deputados federais. Conforme detalhou o Estadão, a sigla nanica reservou ao presidenciável um terço do fundo que receberá para trabalhar na campanha eleitoral. Apesar de considerável, a fatia resulta em minguados R$ 3 milhões.

Para efeito de comparação, sem correção inflacionária, essa quantia equivale a menos de 1% do que a campanha de Dilma Rousseff torrou para reeleger a presidente da República em 2014. Contudo, ao se obedecer a proporção delatada por Marcelo Odebrecht, que atribuía ao “caixa 2″por volta de três quartos do que de fato se gastava em uma eleição, a petista teria superado o bilhão de reais com uma folga de R$ 400 milhões.

O principal, apontam as pesquisas, Bolsonaro já teria: voto para ir a um segundo turno. De resto, há de ser o candidato a enfrentar mais dificuldades, uma vez que será atacado por governo e oposição, não terá apoio da imprensa e precisará se virar com segundos de TV. E um orçamento bem menor que o de seus adversários.

A sigla mais interessada em Luciano Huck é a herdeira oficial do Partido Comunista Brasileiro

Ao comentar a polêmica entrevista de Luciano Huck no Domingão do Faustão, o Antagonista foi incisivo: “Se Luciano Huck se candidatar, será pelo PPS“.

De fato, o deputado Roberto Freire, principal nome da sigla no governo Temer, nunca escondeu o interesse na candidatura do apresentador da Globo. E foi a personalidade política a melhor caminhar na missão de encontrar um “outsider” que funcionasse bem aos interesses dos que estão “inside”.

No entanto, é preciso alertar o eleitor, ou mesmo o potencial candidato, do que se trata o Partido Popular Socialista. Pois o termo “socialista” não está ali por acaso.

O PPS nasceu em 1992, um ano após o fim da União Soviética. Não por coincidência: seus fundadores compunham uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro descontente com a falência do Bloco Soviético – e disposta a apoiar o governo Itamar Franco.

Para o TSE, o partido do ex-ministro da Cultura foi o herdeiro oficial do legado do PCB, e por isso manteve o espaço conquistado até então no parlamento. Mas PCdoB e um novo PCB – fundado apenas no ano seguinte – reclamam para si a origem do “Partidão”, ou a organização que desde 1922 defendia no Brasil um dos sistemas que mais matou seres humanos na história.

Todavia, o trio é bem menos distinto do que aparenta. Como se observa no próprio site do grupo, são quase metade das sete siglas brasileiras a integrarem oficialmente o Foro de São Paulo.