Antonio Palocci confirmou à Lava Jato que Lula virou ministro para evitar ser preso

A ideia de Lula virar ministro de Dilma Rousseff para evitar ser preso já era discutida nas redes sociais pelos militantes mais fervorosos em meados de 2015. Mas ganhou corpo no início de 2016, quando a Lava Jato conduziu coercitivamente o ex-presidente. Dias depois, a presidente da República fez do próprio padrinho o seu ministro da Casa Civil, cargo que ocuparia por pouquíssimo tempo, uma vez que Gilmar Mendes suspenderia a nomeação após grampos vazados mostrarem a dupla atuando contra uma eventual prisão.

Em delação premiada para a mesma Lava Jato da qual Lula supostamente fugia, Antonio Palocci garantiu que não havia nada de “supostamente”. Segundo o ex-ministro das gestões petistas, o ex-presidente havia sido informado de que seria preso. E que, numa evidente obstrução de Justiça, seria nomeado por Dilma para evitar o encarceramento.

Consultado numa reunião sigilosa, Palocci sugeriu a Lula não aceitar o convite e iniciar uma luta política de dentro da cadeia. Mas este evitou o caminho seguido por tantos aliados que se negaram a delatar o que sabiam dos crimes pelos quais foram condenados.

Não daria certo. Dois meses depois, Dilma seria afastada do cargo. No ano seguinte, Lula se tornaria o primeiro ex-presidente do Brasil condenado em primeira instância.