Mesmo que Caetano Veloso e Paula Lavigne vençam na Justiça, já acumulam derrotas políticas

Mesmo que Caetano Veloso e Paula Lavigne vençam na Justiça, já acumulam derrotas políticas

A Justiça determinou que Flavio Morgenstern apagasse não só a hashtag que ajudou a levantar, como qualquer ofensa proferida contra Caetano Veloso. Mais ainda, estabeleceu que o escritor nada comente sobre o alvo da campanha nas redes sociais. Medida semelhante já havia sido tomada contra Alexandre Frota.

Diferente do que findou publicado na imprensa, não significa que Morgenstern e Frota perderam a causa. Trata-se de um procedimento comum em ações do tipo.

Entretanto, quando se verifica o contexto da disputa, percebe-se que Caetano e Paula Lavigne, por mais que eventualmente ganhem a causa, já perderam politicamente. Pois diziam-se vítimas de censura quando se tornaram alvos de protesto nas redes sociais. Como resposta aos ataques, contra-atacaram exigindo que as críticas fossem silenciadas. Ainda que juridicamente uma coisa seja bem diferente da outra, resta à opinião pública a sensação de que os censurados rapidamente se converteram em censores, e de que há temas que não podem ser abordados ou advogados de rendas invejáveis entram em campo levando à falência quem se mete na briga.

Há ainda o chamado “Efeito Streisand”, crença segundo a qual, ao tentar calar algo, mais visibilidade é dada à coisa. Batizada após Barbra Streisand tentar evitar que fotos de uma mansão ganhassem o mundo, cai como uma luva nesta disputa. A cada passo dado pela ação, a cada instância e recurso superados, o tema novamente virá à tona, e será sacada a entrevista em que Lavigne confessa ter perdido a virgindade aos 13 anos para o aniversariante quando o cantor comemorava 40 voltas ao redor do sol.

Sem falar no risco considerável de ação ser julgada improcedente, o que poderia ser interpretado como uma derrota comparável ao 7 a 1. Mas isso só o tempo dirá.