Como um mensaleiro atrasou a privatização dos aeroportos no governo Temer

Era julho de 2016. Os técnicos da Infraero prometiam uma paralisação durante a realização dos Jogos Olímpicos. Mas não era apenas oportunismo dos funcionários da estatal. Antônio Claret, presidente da empresa indicado em maio pelo Partido Republicano, pedira que toda a diretoria colocasse os cargos à disposição. A empresa jurava se tratar um procedimento comum, que buscava apenas “adequar administrativamente a empresa aos parâmetros do” governo Temer. Mas a situação era bem mais complexa.

De acordo com fonte ouvida pelo Globo, era interesse do PR promover uma “verticalização” da Infraero, ou seja, aparelhar a estatal com nomes do próprio partido. Desta forma, conseguiriam excluir todos os técnicos contrários à uma mudança no estatuto que permitiria a indicações de nomes inexperientes para a direção dos aeroportos nacionais.

Claret estaria respondendo a exigências de Valdemar Costa Neto, mensaleiro preso e condenado a 7 anos e 10 meses de cadeia pela participação no esquema.

Corta para outubro de 2017. Michel Temer desistia de fazer a concessão de 14 aeroportos no próprio mandato, adiando tudo para 2019. Tentava, assim, livrar-se da segunda denúncia oferecida pela PGR à Câmara Federal e permanecer no cargo. O que uma coisa tem a ver com a outra? O Globo explica alguns parágrafos abaixo:

Para atender ao Partido da República (PR), comandado por Valdemar Costa Neto (SP), Temer desistiu de privatizar os aeroportos no seu governo para não mexer com a Infraero, nas mãos do partido.”

Com o impeachment de Dilma Rousseff, o brasileiro se livrou da gestão petista, mas não se livrou do petismo. Não à toa, Temer era vice na chapa eleita e reeleita.

Curtiu o texto? Siga o autor no Twitter ou Facebook, ou contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) dele clicando aqui e seguindo as instruções.
Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 100% OFF (com desconto máximo de R$ 10) em até 2 corridas. Após ativado, o crédito terá validade de 30 dias.

Publicado por

Marlos Ápyus

Jornalista e músico. Edita o implicante.org desde julho de 2017. Siga-o no Twitter (@apyus) ou no Facebook (/apyus), ou contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) clicando aqui.

Deixe uma resposta