A deflação vivida pelas famílias mais humildes funciona como um bônus generoso no Bolsa Família

Entre 2006 e 2017, a inflação acumulada chegou a 102,2% nos lares em que o rendimento não superava os R$ 900,00. Já nas família dez vezes mais ricas, a inflação ficou bem menor, em “apenas” 83,6%. Os números são do estudo de Maria Andréia Parente, do Ipea. E comprovam que o aumento do custo de vida prejudica muito mais os mais pobres.

Contudo, a política econômica adotada  após o impeachment tem conseguido reverter a situação. Um ano após a queda de Dilma Rousseff, enquanto ricos enfrentaram inflação de 0,53%, os mais pobres viveram uma DEflação de 0,22%.

No acumulado do ano, a inflação dos mais ricos (3,5%) é proporcionalmente bem maior que a das famílias de renda mais baixa (2%).

Em segmentos vitais, essa diferença é ainda mais clara. Como destacou O Globo, as classes C, D e E viram o preço dos alimentos cair 5,1% no período de um ano. Cair. De acordo com a consultoria Tendências, a deflação liberou uma folga R$ 7,8 bilhões no orçamento das famílias mais humildes. Trocando em miúdos, é como se cada família recebesse um bônus de R$ 145 no Bolsa Família – na sondagem mais recente, o valor médio do benefício pago pelo programa estava em R$ 179,73.

A dinâmica foi explicada pela economista Camila Saito:

“O rendimento cresceu, e a perda foi menor para essas famílias. O valor representa por volta de 34% do volume total destinado ao Bolsa Família e uma média de R$ 145 por família que está nessa faixa de renda.”

Na prática, é como se a deflação nos alimentos resultasse num aumento de 34% no valor destinado ao programa social mais importante do Brasil.

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Publicado por

Marlos Ápyus

Jornalista e músico. Edita o implicante.org desde julho de 2017. Siga-o no Twitter (@apyus) ou no Facebook (/apyus), ou contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) clicando aqui.

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