É preciso rever como o Brasil combate o trabalho escravo, mas o governo Temer o faz da pior forma possível

Enquanto esta nota é escrita, o noticiário é tomado por manchetes anunciando que Rosa Weber suspendeu a portaria editada pelo governo Temer, aquela que alterava as regras para fiscalização do trabalho escravo. Soa uma vitória da oposição, mas só o plenário do STF pode confirmar ou não. De qualquer forma, a luta por uma atualização das relações de trabalho já pode se considerar derrotada.

Porque há muito o que se revisar na forma como o Brasil combate o trabalho análogo à escravidão. Empresários reclamam que a subjetividade do texto faz deles reféns de fiscais corruptos, que, mirando propinas, distorcem como podem a situação, e colocam em risco o emprego de milhares de brasileiros, incluindo alguns dos mais necessitados.

Se os reclames parecem fazer sentido, ganham ares de verdade nos grandes centros, onde gritos contra “trabalho escravo” viram armas políticas nas mãos dos militantes mais aguerridos. E basta conferir quem mais se coloca na defesa da lei para ter a certeza de que uma revisão em todos os seus parágrafos seria salutar.

Mas o governo Temer faz isso da pior forma possível. Age exclusivamente nos bastidores, deixando à opinião pública a versão vendida pela imprensa, que sempre traz um viés esquerdista característico. Num contexto em que a decisão é vendida como forma de comprar apoio contra a investigação que o persegue. Não há diálogo. Não há releases. Há apenas personae non gratae como Gilmar Mendes tentando remendar com esparadrapo e tornando tudo ainda pior.

É um desfavor à “causa”. Não seria estranho a militância que se beneficia da lei sair ainda mais fortalecida do episódio. Se não de imediato, ao menos em futuras eleições. Pois andam colecionando argumentos – falaciosos ou não – aos montes.