Funaro disse que Cunha era a “interface” de Temer no esquema do PMDB

Uma das grandes dificuldades para se atingir o topo do comando de uma quadrilha composta por políticos reside nos cuidados tomados por suas lideranças. As mais preparadas evitam o contato direto com o objeto do crime, mantendo controle do esquema por intermédio de emissários. Para ter sucesso, o investigador precisa do testemunho de membros da organização. É o caso de Lúcio Funaro, que, além de Eduardo Cunha, entregou o que sabe sobre Michel Temer.

Conforme relato adiantado pela Veja, o delator entregou que Eduardo Cunha era a “interface” do presidente da República na organização criminosa que atuava na Câmara Federal em benefício do PMDB:

“Temer participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB. Cunha narrava as tratativas e as divisões (de propina) com Temer.”

Temer teria sido o destino de ao menos R$ 13,5 milhões em propina. O que, por si só, legitimaria um impeachment. Mas este é um processo político. E aqueles que poderiam movê-lo contra o presidente estão em situação ainda mais complicada — e são, inclusive, cúmplices em alguns destes ilícitos, ou mesmo compartilham o desejo pelo fim da Lava Jato.

De qualquer forma, falta um ano para a campanha eleitoral. Se o Congresso não resolver, a população pode dar conta do serviço.