Gilmar Mendes: “O Brasil sobreviveu a um desastrado na PGR”

Mesmo em Paris, Gilmar Mendes falou a O Globo. Por telefone, como tem sido habitual, não poupou adjetivos a Rodrigo Janot. Mas, desta vez, num tom ainda mais enfático. E com alguma razão, coisa que vinha rareando em manifestações anteriores:

“Eles tentaram arrastar o STF para a lama em que eles se meteram. Essa atitude tem que ser repudiada. Ele armou isso para atingir o STF. Esse processo todo é desastroso, um fracasso. A PGR terá que ser reconstruída e essa será a tarefa da procuradora Raquel Dodge. A PGR virou, com Janot, uma mula sem cabeça. Mas a institucionalidade no Brasil é muito forte. O Brasil sobreviveu a um desastrado na PGR. Temos que ter fé no nosso destino. O que ele tentou fazer no episódio revela sua total falta de escrúpulo.”

Claro que é preciso fazer ressalvas ao pronunciamento. Mendes mesmo tem sido constantemente acusado de atuar contra a reputação do Supremo. Mas a desconfiança da opinião pública confirmou-se na indiscrição de Joesley: em vários momentos, o delator deixa a entender que a PGR tinha por objetivo “dissolver” o Supremo por intermédio de ministros amigos. Tudo com uma incômoda aproximação de José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, mais famoso por ter atuado como advogado de Dilma Rousseff na fase final do impeachment.

Seguidamente, a população negou convites para ir às ruas pedir o fim do governo Temer. Nas redes sociais, vozes temiam que tudo não passasse de um plano para a volta do PT ao poder. No papo com Ricardo Saud, Joesley joga ainda mais lenha na fogueira: o futuro  do Brasil estaria reservado a Janot.

Mas faltou combinar com os russos. Ou com a própria habilidade para manipular um gravador.