Em grampo, executivo denunciado diz que todo patrocinador frauda a Lei Rouanet

Em grampo, executivo denunciado diz que todo patrocinador frauda a Lei Rouanet

Bruno Amorim é filho do fundador do Grupo Bellini Cultural, o principal alvo da operação Boca Livre, que desvendou fraudes na Lei Rouanet que chegariam a R$ 79 milhões caso o esquema não tivesse sido contido pelos investigadores. Em grampo capturado junto à Polícia Federal, o denunciado explica para a própria mãe que “todo mundo” frauda a lei de incentivo do Governo Federal.

O diálogo é transcrito no texto da denúncia, no qual Bruno surge apenas como “B”, e sua mãe como “A”:

B: “Ah, porque ele não quer. Porque o que eu faço, na verdade, não é 100 por cento correto, entendeu? É tipo… Eu cumpro a lei, mas não poderia tá fazendo o que eu faço“;

A: “Por quê?”;

B: “Por que não, Mãe. Sei lá, é complicado”;

A: “Não é lei ROUANET?”;

B: “Não, é lei ROUANET, mas não é 100 por cento. Ah, depois eu te
explico. Mas não é 100 por cento correto“;

A: “Mas, Filho, se não é 100 por cento…”;

B: “TODO MUNDO FAZ, todo mundo faz“;

A: “É, filho, mas isso implica em quê?”;

B: “Não, não implica em nada, Mãe. Eu tô dando, tipo, as contrapartidas sociais, plano do projeto…”;

A: “Tá o quê?”;

B: “Tô fazendo tudo certinho”;

A: “Ham. Mas o que que não é correto, Bruno?”;

B: “É porque eu dou uma contrapartida a mais pro patrocinador que não podia dar, mas tudo bem, isso daí todo mundo dá, entendeu?“;

Mas, ao que tudo indica, Bruno se enganou no trecho em que alega que a prática não implicaria em nada. Também de acordo com o texto da denúncia, o executivo findou denunciado “por organização criminosa, por prática de estelionato contra a União e por falsidade ideológica, os dois últimos e cada qual, em continuidade delitiva, no período de 2002 a 2016“.

Em si, a denúncia apresentada já é bastante grave. O depoimento do denunciado apenas confirma os principais temores da opinião pública: que a Lei Rouanet serve principalmente para que grandes empresas utilizem verba pública como se pertencesse ao próprio caixa.