Os irmãos Batista achavam que o objetivo de Janot era mesmo usar a JBS para “melar” o governo Temer

No início de abril, o TSE analisava a cassação da chapa Dilma/Temer, o que permitiria ao país convocar eleições indiretas. No dia 5 do referido mês, Wesley e Joesley Batista trocaram mensagens de áudio no Whatsapp já calculando o impacto que teria a delação que acordavam com a PGR. E especularam que Rodrigo Janot tinha pressa na homologação do acordo com a JBS justamente para forçar a queda do presidente da República.

Wesley Batista
“A impressão que eu estou é que, com esse negócio aí da chapa, que vão ouvir mais gente. Com esse negócio das reformas, que estão no ‘pipeline’, não sei não. Estou achando eu esses caras estão com vontade de pôr isso, pôr isso na discussão logo, a questão nossa, para melar, de uma vez, a viabilidade da turma que está aí. Não sei não, estou com a impressão de que a velocidade está ligada a não dar tempo de deixar a turma que está aí conquistar avanços, tanto do lado do julgamento lá, que começou anteontem, e como do lado de reformas, essas coisas. Sei não, pode ser que não, mas estou com impressão de que pode ser isso.”

Joesley Batista
Eu também tenho exatamente essa impressão. Essa é uma arma que eles têm e estão pensando que está precisando usar, que está na hora de usar.

Isso não melhora a situação de Temer. O encontro nada republicano do presidente com Joesley seria inaceitável em qualquer país sério. Mas fortalece a suspeita de que Janot aproveitou-se do cargo para fazer política. E isso trouxe mais prejuízos ao Brasil – e à Lava Jato – do que ao governo Temer.