Lula pediu palmas para a Venezuela 47 dias após a OEA qualificá-la de ditadura

Em 30 de março de 2017, o El País não teve dúvida: Nicolás Maduro havia aplicado um golpe de estado e consolidado uma ditadura na Venezuela. Em 5 de agosto, o Mercosul suspendeu os direitos políticos do país, e a Folha de S.Paulo deu o braço a torcer passando a chamá-lo de ditadura. No dia 31, a OEA concordou plenamente com a leitura. Em 9 de setembro, o próprio Maduro disse estar disposto a se tornar um ditador para superar a crise que enfrentava.

Nada disso importou para o PT. Que, em 16 de outubro, publicou nota chamando a Venezuela de “exemplo de democracia e participação cidadã“:

O Partido dos Trabalhadores saúda o presidente Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV, pela contundente vitória eleitoral nas eleições regionais deste domingo, 15 de outubro de 2017, a vigésima segunda eleição em dezoito anos de governos liderados pelo PSUV.

Este dia será lembrado como o dia de uma vitoriosa jornada de democracia, onde mais de 60% do eleitorado atendeu à convocação democrática e compareceu, de maneira cívica e pacífica, manifestando seu apoio à paz , à democracia e à soberania na Venezuela.”

No Twitter, Lula chegou a pedir uma “salva de palmas” para a Venezuela.

Meses antes, em maio, no VI Congresso do PT, Lula garantiu: “Não fiquei mais radical, fiquei mais ‘maduro’”. Nas redes sociais, por causa da ênfase no termo “maduro”, muitos entenderam a frase enigmática como o que os americanos chamam de dog-whistle politics, uma mensagem codificada que significa uma coisa sem peso para a opinião pública, mas um recado à militância mais aguerrida.