Michel Temer não cumpriu a promessa de afastar ministro denunciado na Lava Jato

Em 13 de fevereiro de 2017, como resposta às críticas de que usava o próprio ministério para garantir foro privilegiado a alguns de seus aliados, Michel Temer firmou um compromisso com a opinião pública. Nele, a promessa de que afastaria, ainda que provisoriamente, os ministros que fossem denunciados.

Se houver denúncia, o ministro que estiver denunciado será afastado provisoriamente. Faço essa declaração para dizer que o governo não quer blindar ninguém, nem vai blindar. Apenas não vai aceitar que a simples menção inauguradora seja uma condenação definitiva, pois, se acolhida a denúncia, e aí sim o ministro se transforma em réu, o afastamento é definitivo.”

É importante observar que, no pacto firmado pelo presidente da República, o acolhimento da denúncia pelo STF implicaria numa expulsão do ministro já réu.

Em setembro, Rodrigo Janot finalmente apresentou a denúncia do que vinha chamando de “quadrilhão”. Na calculadora, mais de R$ 3 bilhões em desvios. A ponta da caneta mirava 34 políticos de três partidos: PT, PMDB e PP. Além do próprio Temer, a lista incluía Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Moreira Franco é o Secretário-geral da Presidência da República. Eliseu Padilha, o ministro da Casa Civil. Uma semana após a denúncia, ambos continuavam no cargo.

Franco foi deputado federal até 2007. Padilha, até 2015. Em caso de afastamento, ambos perdem o foro privilegiado, e as denúncias podem ser remetidas a Sérgio Moro, que costuma prender peemedebistas graúdos como Eduardo Cunha, por exemplo.

Mas, aparentemente, esse não é um risco que Temer gostaria de correr. Geddel Vieira Lima, também por exemplo, deixou a Secretaria de Governo em novembro de 2016. No julho seguinte, foi preso pela primeira vez. Em setembro, pela segunda. E, desta, para já começar a falar em delação premiada.