Dois anos após dizer que não confia em delator, Dilma prometeu usar uma delação para anular impeachment

Em delação premiada assinada com o STF, Lúcio Funaro afirmou que, dias antes de o impeachment de Dilma Rousseff ser votado, Eduardo Cunha entrou em contato para saber se o doleiro tinha algum recurso para “comprar votos” a favor do processo. Em entrevista à revista Época, Cunha já comentou o episódio:

Janot queria que eu colocasse na proposta de delação que houve pagamentos para deputados votarem a favor do impeachment. Isso nunca aconteceu. Um absurdo. Se o próprio Joesley confessou o contrário na delação dele, dizendo que se comprometeu a pagar deputados para votar contra o impeachment, de onde sai esse tipo de coisa? Qual o sentido? Mas aí essa história maluca, olha que surpresa, aparece na delação do Lúcio (Funaro, doleiro próximo a Cunha). É uma operação política, não jurídica.”

Nenhum dos três – Cunha, Funaro e Rodrigo Janot – fez por merecer a confiança da opinião pública. Mas Dilma Rousseff achou por bem confiar nos dois últimos. E promete usar a delação do doleiro para anular o processo de impeachment que a derrubou.

O cruzamento de notícias levar a crer que a presidente cassada assim age por pura conveniência política. Afinal, dois anos antes, a ainda presidente da República surgia em manchete deixando bem claro: “Não respeito delator“. No caso, por ter sido alvo de vários, que entregavam os podres de seu governo já moribundo.

Mas as chances dessa investida contra o processo de impeachment tendem a zero. Quanto a isso, o brasileiro pode ficar tranquilo.

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Publicado por

Marlos Ápyus

Jornalista e músico. Edita o implicante.org desde julho de 2017. Siga-o no Twitter (@apyus) ou no Facebook (/apyus), ou contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) clicando aqui.

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