Os erros de Janot não são erros da Lava Jato, são erros da PGR

A Lava Jato ganhou os jornais em 17 de março de 2014. Só no mês seguinte, uma força-tarefa composta por quinze procuradores da República foi designada para atuar na primeira instância da Justiça Federal do Paraná. Esta equipe responsabilizou-se pelo trabalho levado em consideração por parte dos eleitores ao, já na semana seguinte à reeleição de Dilma Rousseff, ir às ruas pedir o impeachment da petista.

O termo parece um capricho, mas não é. Apenas em janeiro de 2015 foi formado em Brasília um “grupo de trabalho” na Procuradoria-Geral da República. Tinha por objetivo analisar o material que chegava de Curitiba. O motivo era simples: alguns investigados gozavam de foro privilegiado e, por força de lei, Sérgio Moro remetia à capital federal o que tinha em mãos. Mas, não fosse pelo ótimo trabalho da trupe de Deltan Dallagnol, este segundo time nem existiria.

Perto do primeiro aniversário, a marca “Lava Jato” já gozava de certo prestígio junto à opinião pública. Mas muita confusão nascia das ações da Polícia Federal. O noticiário se acostumou a misturar as fases da operação com os desdobramentos. E, de repente, soava vantajoso a qualquer investigador ser associado ao trabalho curitibano.

Com a PF descobrindo áudios ocultos no gravador de Joesley Batista, a polêmica delação da JBS ajudou a queimar o filme de Rodrigo Janot e, principalmente, Marcelo Miller, ex-braço direito do procurador-geral.

Miller chegou a integrar o “grupo de trabalho” da PGR em Brasília, aquele que só nasceu porque a lei brasileira protege alguns privilegiados. Mas o abandonaria para se converter em defensor do grupo J&F, uma jogada para lá de criticada na cobertura jornalística.

Empolgadas com o fracasso da investida de Janot contra Michel Temer, vozes governistas se deram a gritar que a crise acabava com a Lava Jato. Sabem que uma coisa não tem tanto a ver com a outra. Mas torcem para que a opinião pública acredite no contrário. Só assim, conseguiriam salvar dúzias de corruptos que ainda driblam a Justiça com os cargos conquistados nas últimas eleições.

Isso, claro, não pode acontecer. O eleitor precisa entender que o trabalho feito em Curitiba é técnico. Quanto ao de Brasília, até mesmo pela lógica do sistema – o comando é escolhido pelo presidente da República, esteja ele sendo ou não investigado –, é político. E o Brasil tem visto o mal que a política é capaz de fazer.

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Publicado por

Marlos Ápyus

Jornalista e músico. Edita o implicante.org desde julho de 2017. Siga-o no Twitter (@apyus) ou no Facebook (/apyus), ou contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) clicando aqui.

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