Palocci abriu o depoimento a Moro entregando muito mais do que pediam

Sérgio Moro abriu o depoimento perguntando a Antonio Palocci se este conhecia o episódio em que a Odebrecht teria adquirido um imóvel para o Instituto Lula. Contrariando a expectativa vendida por Lula meses antes nas redes sociais, o depoente foi muito além, confirmando não só que a denúncia fazia sentido, como integrava um conjunto muito maior de práticas ilícitas envolvendo a Odebrecht e as passagens do PT pela Presidência da República.

“Eu queria dizer, em princípio, que a denúncia procede. Os fatos narrados nela são verdadeiros. Eu diria apenas que os fatos narrados dizem respeito a um capítulo de um livro um pouco maior do relacionamento da Odebrecht com o governo Lula e o governo Dilma. Foi uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens, a propinas pagas pela Odebrecht a agentes públicos, em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais, em forma de caixa um e caixa dois. E eu tenho conhecimento porque participei de boa parte destes entendimentos na qualidade de ministro da Fazenda do presidente Lula e de ministro da Casa Civil da presidente Dilma.”

Em outras palavras, Palocci praticamente confirmou o principal ponto defendido pela força-tarefa curitibana: uma vez no poder, o petismo movia a máquina pública para se perpetuar nele. Para tanto, usava até mesmo dispositivos legais – como o caixa um alimentado por doações de campanha – para pagamento de propina e lavagem de dinheiro.