Para se safar do caso MAM, a esquerda finge que o problema é a nudez, e não a participação da criança

A estreia do 35º Panorama de Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo incendiou todo um debate envolvendo um possível caso de pedofilia. Afinal, as imagens assustaram: nelas, uma criança era incentivada por sua mãe a manipular o corpo de um adulto nu. Noutra edição da mesma performance, o ator surge em nu frontal dançando de mãos dadas contra outras quatro crianças. Em um terceiro exemplo de uma mostra de 2015, mais uma criança envolve em papel filme outro homem sem roupas.

São cenas tão graves que a mera reprodução delas neste espaço poderia justificar a penalização junto a serviços de anúncios, redes sociais ou mesmo a Justiça brasileira. Por isso o Implicante se limita a descrevê-las nos termos mais amistosos. Em resposta, a esquerda nacional optou por jogar fora todo o contexto e mentir para si mesma que em jogo estaria apenas a aplicação de castigo a qualquer nudez.

Ora, se assim fosse, essa revolta já teria sido instaurada há tempos, afinal, a esquerda brasileira vive a tirar a roupa no mais variados atos, políticos ou não. Há peças inteiras em que, por provação barata, os personagem imitam macacos e mexem partes íntimas uns dos outros. Mesmo nestes casos, os críticos não se dispuseram a entregar mais do que risadas.

Fingir que é só uma questão de nudez é uma saída cínica. E só quem perde com isso é a própria esquerda. Fora da bolha, fica bem claro que o inimigo é outro.