Repudiar o acordo com a JBS é diferente de apoiar o governo Temer

Com a volta do petismo à oposição, o governismo perdeu força no Brasil, mas não deixou de existir. Contrariando a lógica, após a delação da JBS vir a público no primeiro semestre de 2017, tais vozes ganharam ainda mais corpo — reforçando as suspeitas de que estariam sendo pagas para defender a gestão Temer.

Desde então, comportam-se como gripes oportunistas. Sempre que os inimigos do governo Temer sofrem um derrota — e, nesse sentido, não há inimigo maior do que a Justiça em seu sentido mais amplo —, tentam converter o estrago em algo que bonifique não só o presidente da República, mas o bando protegido por ele no poder.

Todavia, é claro que uma coisa não implica noutra. É perfeitamente possível, por exemplo, repudiar a anistia concedida à JBS sem, para isso, apoiar o governo Temer.

A opinião pública parece saber disso. Do contrário, a popularidade desta gestão cresceria a cada nova trapalhada de Janot. Mas não foi o que se observou.