Só em 2016, o INSS desperdiçou R$ 1,1 bilhão pagando aposentadoria a quem já tinha morrido

Após o afastamento em definitivo de Dilma Rousseff, o governo Temer resolveu passar um pente fino nos benefícios de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez. E descobriu que, apenas entre janeiro e agosto de 2016, o INSS pagou benefícios a 101.414 beneficiários que já estavam mortos. Destes, nada menos do que 1.256 tinham morrido havia mais de 10 anos.

Ao todo, o prejuízo naquele ano somou R$ 1,134 bilhão. De todo o desperdício, até setembro de 2017, o instituto conseguiu reaver apenas R$ 119,1 milhões – ou basicamente 10%.

Burocracia e descaso explicam o prejuízo bilionário. De acordo com o UOL, os cartórios têm até o décimo dia de cada mês para informar ao INSS os óbitos registrados no mês anterior. Só então, o benefício é interrompido. Mas, na média, o instituto demora quatro meses para concluir o procedimento.

Contudo, a solução desta questão estaria longe de apresentar uma estabilização do problema previdenciário do país. Em 2016, o déficit foi de R$ 149,73 bilhões. Para 2017, a expectativa era de o rombo aumentar para R$ 184 bilhões.

Não à toa, a equipe econômica do governo Temer repete incansavelmente que este é o tema mais urgente da pauta. Mas o corpo político em Brasília preocupa-se mais em blindar-se da Lava Jato.