Por que Michel Temer escolheu para o comando da Polícia Federal um alvo atacado em dossiê da ABIN?

Oficialmente, a Agência Brasileira de Inteligência é um “serviço de inteligência civil” do país. Mas, na prática, não passa de uma agência de espionagem a serviço da Presidência da República.

No 7 de novembro de 2017, a Folha de S.Paulo noticiou que a ABIN havia preparado um dossiê com “informações desfavoráveis a Fernando Segóvia“. No dia seguinte, Michel Temer escolheu o delegado para ser o novo diretor-geral da Polícia Federal.

Por que o presidente nomearia para cargo tão importante alguém que, na véspera, surgira em dossiê com “informações desfavoráveis”?

Fica a sensação de que o peemedebista queria algum nível de controle sobre a pessoa que comandaria a força policial que aterrorizava a classe política. E que, caso o escolhido cause algum desconforto a quem o nomeou, o dossiê ganhará o mundo, forçando a queda de Segóvia.

O povo brasileiro gastou mais de R$ 20 mil com auxílio-moradia para deputado que dorme na prisão

Um raro caso de condenação pelo STF, o deputado federal Celso Jacob foi preso em 6 de junho de 2017. Contudo, no final do referido mês, uma vez que a pena é cumprida em regime semiaberto, o parlamentar recebeu autorização para, quando necessário, deixar a cadeia e trabalhar no Congresso.

Como se o parágrafo anterior já não contivesse absurdos em suficiência, O Globo descobriu que, mesmo “morando” na prisão, o peemedebista continuou recebendo auxílio-moradia. E o povo brasileiro seguiu desperdiçando R$ 4,2 mil por mês com o “deputado presidiário”.

Até o momento da redação deste texto, a conta já superou os R$ 20 mil.

Perto de outras cifras que tanto sujaram a vida pública nos anos anteriores, esta soa pequena. Mas a simbologia do ato fortalece a tese de que o país nunca teve uma classe política tão execrável.

Salvaram Temer por causa das reformas, alegaram que não podiam reformar pois salvaram Temer

O noticiário amanheceu o 7 de novembro de 2017 sentenciando que o governo Temer, ainda que não reconheça, desistiu da reforma previdenciária. Com informações de bastidores, Valdo Cruz chegou a registrar no G1:

“Os deputados e senadores não estão muito dispostos a votar a reforma da Previdência, considerada por eles um tema muito impopular e que pode prejudicar suas campanhas pela reeleição no ano que vem.”

Na véspera, Rodrigo Maia se pronunciara sobre:

Nós passamos cinco meses aqui de muita tensão. Um desgaste para os deputados da base que votaram com o presidente, muito grande. Não adianta a gente negar. Os deputados estão machucados.”

É preciso relembrar que a principal justificativa dada pelos deputados federais que salvaram o governo Temer – alguns deles mediante a articulação de senadores da base – era a preservação das prometidas reformas. Passado o sufoco, os parlamentares alegam não poderem tocar com a previdenciária justamente pelo desgaste da salvação de Temer.

Fazem isso para se preservarem nas urnas de 2018. A missão de quem se importa com o país é justamente usar os mesmos fatos para que o efeito seja o inverso.

Jair Bolsonaro é simpático à ideia de ter Mansueto Almeida como ministro da Fazenda

Cristian Klein assinou um ótimo artigo no Valor Econômico sobre como Jair Bolsonaro vem se preparando para a campanha presidencial de 2018. Com foco, claro, nas questões econômicas – ou nos posicionamentos do presidenciável que vinham assustando o Mercado devido a uma confessa falta de intimidade com o tema.

A missão foi dada pelo advogado Bernardo Santoro a Adolfo Sachsida, pesquisador do IPEA. Além de reuniões presenciais não remuneradas ocorridas fora do expediente, o economista montou um grupo no Whatsapp composto de onze especialistas que discutem com Bolsonaro tópicos caros a qualquer postulante ao cargo. E o resultado tem sido animador.

O pai do clã Bolsonaro, por exemplo, passou a defender a independência do Banco Central. E agora entende os programas sociais pela mesa visão de liberais como Milton Friedman e Friedrich Hayek. Já há também simpatia para com privatizações, ainda que haja uma bem-vinda barreira política a interferências de ditaduras como a chinesa.

Quanto à redução de impostos, o pé foi posto no chão. Segundo Sachsida, a saúde econômica do país ainda exige cautela. Mas a dupla encontrou um meio termo na simplificação dos tributos.

A notícia mais animadora, contudo, diz respeito ao nome cogitado para o Ministério da Fazenda: Mansueto Almeida, atual secretário de Acompanhamento Econômico do governo Temer. Trata-se do nome por trás dos principais acertos da gestão, o que se converte numa opção que oferece a devida tranquilidade a quem teme um desarranjo econômico nos moldes das gestões Collor e Dilma.

Em grampo, executivo denunciado diz que todo patrocinador frauda a Lei Rouanet

Bruno Amorim é filho do fundador do Grupo Bellini Cultural, o principal alvo da operação Boca Livre, que desvendou fraudes na Lei Rouanet que chegariam a R$ 79 milhões caso o esquema não tivesse sido contido pelos investigadores. Em grampo capturado junto à Polícia Federal, o denunciado explica para a própria mãe que “todo mundo” frauda a lei de incentivo do Governo Federal.

O diálogo é transcrito no texto da denúncia, no qual Bruno surge apenas como “B”, e sua mãe como “A”:

B: “Ah, porque ele não quer. Porque o que eu faço, na verdade, não é 100 por cento correto, entendeu? É tipo… Eu cumpro a lei, mas não poderia tá fazendo o que eu faço“;

A: “Por quê?”;

B: “Por que não, Mãe. Sei lá, é complicado”;

A: “Não é lei ROUANET?”;

B: “Não, é lei ROUANET, mas não é 100 por cento. Ah, depois eu te
explico. Mas não é 100 por cento correto“;

A: “Mas, Filho, se não é 100 por cento…”;

B: “TODO MUNDO FAZ, todo mundo faz“;

A: “É, filho, mas isso implica em quê?”;

B: “Não, não implica em nada, Mãe. Eu tô dando, tipo, as contrapartidas sociais, plano do projeto…”;

A: “Tá o quê?”;

B: “Tô fazendo tudo certinho”;

A: “Ham. Mas o que que não é correto, Bruno?”;

B: “É porque eu dou uma contrapartida a mais pro patrocinador que não podia dar, mas tudo bem, isso daí todo mundo dá, entendeu?“;

Mas, ao que tudo indica, Bruno se enganou no trecho em que alega que a prática não implicaria em nada. Também de acordo com o texto da denúncia, o executivo findou denunciado “por organização criminosa, por prática de estelionato contra a União e por falsidade ideológica, os dois últimos e cada qual, em continuidade delitiva, no período de 2002 a 2016“.

Em si, a denúncia apresentada já é bastante grave. O depoimento do denunciado apenas confirma os principais temores da opinião pública: que a Lei Rouanet serve principalmente para que grandes empresas utilizem verba pública como se pertencesse ao próprio caixa.

Grupo denunciado por fraudes à Lei Rouanet foi autorizado a captar R$ 79 milhões

A operação Boca Livre ganhou o noticiário em 28 de junho de 2016 ao investigar um grupo de empresas que fraudavam a Lei Rouanet em benefício de suas instituições. Em fevereiro de 2017, a Polícia Federal estimaria que a ação orquestrada teria causado um rombo de R$ 30 milhões. Mas, ao oferecer a denúncia, a Procuradoria fechou a conta em consideráveis R$ 21 milhões.

Contudo, o Grupo Bellini, principal alvo da denúncia, tinha autorização para captar outros R$ 58 milhões, que só não seguiram adiante por causa do trabalho dos investigadores. Nas 167 páginas apresentadas, os denunciados surgem como uma organização criminosa que pratica estelionato e falsidade ideológica para utilizar recursos públicos em benefício próprio.

O esquema consistia em forjar a execução de projetos culturais para que a lei de incentivo custeasse eventos institucionais dos envolvidos. Ao todo, foram denunciados 31 investigados.

Mais de 200 mil nordestinos foram assassinados durante os governos Lula e Dilma

A eleição presidencial de 2006 foi a primeira de três em que o Nordeste seria primordial para a vitória do PT (em 2002, praticamente todos os estados brasileiros tinham optado por Lula). Com isso, o petista iniciou o segundo mandato vendo a região contabilizar 15.706 homicídios.

Nove anos depois, quando Dilma Rousseff foi forçada a entregar o cargo para Michel Temer, a estatística já tinha crescido 58% e somado 24.825 óbitos. Contudo, só de 2016, há ainda 9.830 casos em investigação, o que pode ampliar o crescimento para além dos 120%.

Neste intervalo, sempre que a opinião pública reclamava do estouro da violência, ouvia o petismo insistir que as queixas deveriam ser remetidas aos governos estaduais. Mas todos os especialistas ouvidos pelo UOL concordam que a origem de tanto sangue estaria em facções criminosas que não respeitam fronteiras nacioais, ou mesmo internacionais.

Em outras palavras, cabia ao Governo Federal auxiliar os governadores numa ação conjunta para evitar tamanha desgraça.

Nos últimos dez anos das gestões petistas, mais de 200 mil nordestinos foram assassinados. Para completar a tragédia, o Nordeste é justo a região que vem prometendo mais votos a Lula.

Em vídeo, Lindbergh Farias ri da agressão sofrida por diretor de comunicação do Uber

Quando o Senado votou o projeto que, na prática, inviabilizaria o Uber no Brasil, um taxista foi flagrado agredindo Fabio Sabba, diretor de comunicação do serviço. Como se a notícia já não fosse grave em suficiência, o Poder 360 confirmou que o plano original era vitimar Dara Khosrowshahi, iraniano que ocupava o cargo de CEO da empresa e veio ao Brasil negociar uma solução para o problema criado pelo PT.

Nas redes sociais, o próprio agressor publicou um vídeo em que surge ironizando a agressão: “Fazendo o senador rir com o mosquito que assombrava o Senado“. No vídeo, Marcelo do Táxi pede “desculpas” a Lindbergh Farias alegando que “um cara estava com um mosquito lá“. É quando o senador ri e responde: “Foi você? Eu vi imagens“.

FAZENDO O SENADOR RIR COM O MOSQUITO QUE ASSOMBRAVA O SENADO

Publicado por João Marcelo Ferreira em Sexta, 3 de novembro de 2017

Ao mesmo Poder 360, o petista tentou reverter o estrago: “Não sou a favor de nenhum tipo de agressão. Minha reação foi mudar de assunto. Dei risada e tentei sair. Eu condeno qualquer tipo de violência.” Mas o discurso não parece casar com o que surge nas imagens.

A primeira grande aliança do PT para 2018 foi firmada com… o PMDB!

Desde que Eduardo Cunha sinalizou que deixava o governo Dilma, ainda em meados de 2015, o petismo se deu a tachar de golpistas alguns peemedebistas. Era uma forma de vender para a opinião pública que a presidente da República enfrentava um processo em desacordo com a lei – o que não passava de uma mentira descarada.

Com a aproximação da eleição de 2018, Lula percebeu que suas principais alianças atuavam justo no PMDB. E iniciou todo um movimento para reverter o estrago da narrativa, com pronunciamentos e iniciativas que se alinhavam com o mesmo governo Temer que ele tanto acusou de golpe. No 5 de novembro de 2017, a articulação deu um enorme salto e selou aliança para disputar o governo de Alagoas como vice.

Para surpresa de ninguém que acompanhou a sequência com a devida atenção, o arranjo se deu na chapa de Renan Filho, cria de Renan Calheiros, do tão surrado PMDB. Ou o mesmo peemedebista que atuou com Ricardo Lewandowski para inconstitucionalmente resguardar direitos políticos a Dilma. Mas esse “detalhe” nunca se encaixou com a “narrativa” mesmo.