Como a imprensa tradicional reverberou a mentira de que Bono acompanharia o julgamento de Lula

18.20.2006 - Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva aperta a mão de Bono Vox, líder do U2 em Brasília.

Começou com a Folha Poder. Mas logo escalou para a própria Folha. Numa reação em cadeia, o conteúdo foi se replicando no Valor Econômico, MSN Brasil, Vice Brasil e uma porção de blogs sujos esquerdistas. Pouco após a meia noite, um primeiro desmentido por meio de um veículo alternativo já havia pintado. Ainda assim, a Folha seguiu reprisando a informação falsa no dia seguinte.

Em todas as manchetes, Roberto Requião dizendo que Bono Vox viria ao Brasil para acompanhar o julgamento de Lula. Que, claro, ocorreria sem a presença do cantor. Era algo que nem o próprio senador confirmava.

Antes de reverberar desinformação, o bom jornalismo teria checado com a assessoria do U2 se aquilo era verdade. Não sendo possível, a assessoria do parlamentar resolveria. No entanto, a imprensa tradicional viu vantagem em publicar algo sem a devida apuração. Afinal, e ao pé da letra, tinha o fiapo que interessava para driblar qualquer acusação: a origem de informação seria o senador, não o jornal.

Praticando o bom jornalismo, a imprensa teria feito um ótimo favor à sociedade, pois desmentiria um senador da República que não costuma honrar a cadeira na qual senta. Praticando o que praticou, ajudou Lula, o primeiro ex-presidente condenado da história do Brasil, a fazer pressão no tribunal que o condenaria.

Porque a imprensa tem lado. E esse lado não é o da sociedade.