A sigla mais interessada em Luciano Huck é a herdeira oficial do Partido Comunista Brasileiro

18.04.2010 - Luciano Huck, at the Miami Brazilian Day, of the Cauldron

Ao comentar a polêmica entrevista de Luciano Huck no Domingão do Faustão, o Antagonista foi incisivo: “Se Luciano Huck se candidatar, será pelo PPS“.

De fato, o deputado Roberto Freire, principal nome da sigla no governo Temer, nunca escondeu o interesse na candidatura do apresentador da Globo. E foi a personalidade política a melhor caminhar na missão de encontrar um “outsider” que funcionasse bem aos interesses dos que estão “inside”.

No entanto, é preciso alertar o eleitor, ou mesmo o potencial candidato, do que se trata o Partido Popular Socialista. Pois o termo “socialista” não está ali por acaso.

O PPS nasceu em 1992, um ano após o fim da União Soviética. Não por coincidência: seus fundadores compunham uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro descontente com a falência do Bloco Soviético – e disposta a apoiar o governo Itamar Franco.

Para o TSE, o partido do ex-ministro da Cultura foi o herdeiro oficial do legado do PCB, e por isso manteve o espaço conquistado até então no parlamento. Mas PCdoB e um novo PCB – fundado apenas no ano seguinte – reclamam para si a origem do “Partidão”, ou a organização que desde 1922 defendia no Brasil um dos sistemas que mais matou seres humanos na história.

Todavia, o trio é bem menos distinto do que aparenta. Como se observa no próprio site do grupo, são quase metade das sete siglas brasileiras a integrarem oficialmente o Foro de São Paulo.

Lula e a esquerda brasileira apoiam um ditador acusado de matar 8.290 venezuelanos

10.09.2015 - Lula participa da abertura do 3º Congresso Internacional de Responsabilidade Social, na Argentina

Mesmo com tudo o que se sabe de Nicolás Maduro, a esquerda brasileira em pesa seguiu oferecendo apoio ao ditador venezuelano. Em especial, chamou atenção as manifestações pública de partidos como PT, PCdoB, PDT e PSOL, além das palmas pedidas por Lula nas redes sociais – e uma estranha fala, quando o ex-presidente insistiu que estava ficando mais “maduro”.

Se o que o noticiário apontava já tinha força em suficiência para tornar repudiáveis o posicionamento da esquerda brasileira, o que dizer após Luisa Ortega Díaz acusar em Haia que Maduro matara 8.290 venezuelanos no intervalo de dois anos e meio?

Portanto, é preciso deixar claro para a opinião pública quem é a pessoa que, até a redação deste texto, lidera pesquisas na corrida presidencial. E esta pessoa é alguém que aplaude um ditador sanguinário – e se manifesta de forma a deixar a sensação de que está ficando como ele.

Desde 2008, a taxa de mortalidade infantil da Venezuela supera a da Síria

Estátua de um anjo contra o sol

Nos anos 1960, a taxa de mortalidade infantil na Síria era o dobro da venezuelana. De lá até 2015, no entanto, o dado sírio caiu 91%, enquanto o da Venezuela foi mais contido: 78%. Ao ponto de que, em 2008, o “jogo” virou, e a nação que enfrentaria a partir de 2011 uma das guerra mais destruidoras passaria a oferecer estatísticas melhores.

Contudo, a situação de ambas vem enfrentando pioras. Enquanto, em 2016, a taxa da Síria aumentou de 11,1 por mil nascidos vivos para 15,4, a da Venezuela subiu de 12,9 para 18,6. O registro foi feito pela Human Progress.

O projeto observa que a queda do número tem forte ligação com a liberdade econômica do país. E cita o caso do Chile como exemplo.

Nos anos 1960, chilenos viviam uma situação ainda pior que o da nação do Oriente Médio. Mas, já na década seguinte, melhoraria consideravelmente. E, com a virada do século, acumularia resultados comparáveis ao de nações desenvolvidas, como os Estados Unidos.

No artigo, Chelsea Follett conclui:

Enquanto o socialismo da Venezuela conseguiu matar mais bebês do que uma guerra na Síria, a incrível história de sucesso do Chile nos mostra que, implementando as políticas corretas, a humanidade pode fazer um progresso rápido e proteger melhor os membros mais jovens e vulneráveis ​​da sociedade.”

Infelizmente, falta essa noção chegar ao sistema educacional brasileiro.

Grupo de brasileiros foi à Rússia celebrar o centenário da “revolução” comunista, mas não havia festa

Sanduíche de caviar

A matéria da Folha de S.Paulo seria cômica se não fosse trágica. Um grupo de brasileiros que, pela descrição, aparentam sair da elite carioca, foi à Rússia comemorar o centenário da “revolução” comunista. Chegando lá, contudo, descobriram que só estrangeiros viam na efeméride algum motivo para sorrisos. E que não havia qualquer celebração oficial sobre o momento em que o Comunismo conquistou sua primeira grande vitória.

No museu, o fato é narrado sob o alerta de que os revoltosos cometeram assassinatos. Os turistas se surpreenderam com os fatos de a guia ser “anticomunista”, e de os jovens não conhecerem o hino socialista que é cantado em bloco no carnaval de São Paulo. De quebra, elaboraram uma faixa homenageando o regime, mas não encontram onde a exibir, uma vez que não havia festa para um sistema que escravizou a nação e parte do mundo por quase um século.

Num dos depoimentos colhidos, uma professora russa diz: “Não entendo por que tantos estrangeiros gastam tanto dinheiro vindo até a Rússia para uma comemoração que não existe. É como se eles viessem para uma festa na minha casa, mas eu mesma não estou fazendo nenhuma festa.

Mas Svetlana Solodovnikova entenderia facilmente, pois a explicação é simples: o brasileiro não tem um sistema educacional, mas um programa de doutrinação político em sua academia. Comandado justo por quem vê beleza em tanta desgraça.

Lula pediu palmas para a Venezuela 47 dias após a OEA qualificá-la de ditadura

Em 30 de março de 2017, o El País não teve dúvida: Nicolás Maduro havia aplicado um golpe de estado e consolidado uma ditadura na Venezuela. Em 5 de agosto, o Mercosul suspendeu os direitos políticos do país, e a Folha de S.Paulo deu o braço a torcer passando a chamá-lo de ditadura. No dia 31, a OEA concordou plenamente com a leitura. Em 9 de setembro, o próprio Maduro disse estar disposto a se tornar um ditador para superar a crise que enfrentava.

Nada disso importou para o PT. Que, em 16 de outubro, publicou nota chamando a Venezuela de “exemplo de democracia e participação cidadã“:

O Partido dos Trabalhadores saúda o presidente Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV, pela contundente vitória eleitoral nas eleições regionais deste domingo, 15 de outubro de 2017, a vigésima segunda eleição em dezoito anos de governos liderados pelo PSUV.

Este dia será lembrado como o dia de uma vitoriosa jornada de democracia, onde mais de 60% do eleitorado atendeu à convocação democrática e compareceu, de maneira cívica e pacífica, manifestando seu apoio à paz , à democracia e à soberania na Venezuela.”

No Twitter, Lula chegou a pedir uma “salva de palmas” para a Venezuela.

Meses antes, em maio, no VI Congresso do PT, Lula garantiu: “Não fiquei mais radical, fiquei mais ‘maduro’”. Nas redes sociais, por causa da ênfase no termo “maduro”, muitos entenderam a frase enigmática como o que os americanos chamam de dog-whistle politics, uma mensagem codificada que significa uma coisa sem peso para a opinião pública, mas um recado à militância mais aguerrida.