Na mesma “altura do campeonato”, Dilma tinha em 2014 bem mais votos do que Lula tem (ou tinha) em 2018

Como se o Brasil não tivesse uma lei impedindo que candidatos ficha suja disputem eleições, ou ainda como se Lula estivesse acima da lei, o Datafolha sugeriu, em cinco dos nove cenários testados, o nome do condenado. Pior: usou os votos que o ex-presidente teria para alegar que a “inelegibilidade” dele estaria prejudicado a democracia.

A depender dos adversários enfrentados, Lula teria entre 34% e 37% das intenções de voto. Parece muito e é, tanto que o colocava na liderança da corrida presidencial. Mas, em altura semelhante do “campeonato”, e de acordo com o mesmo Datafolha, Dilma Rousseff acumulava entre 43% e 47% das intenções de voto em 2014.

Aquele primeiro turno terminaria com a petista recebendo 41,6% dos votos válidos. Considerando brancos e nulos, a apadrinhada de Lula teve 37,6% – mais de 5% abaixo do que o instituto prometia naquele fevereiro.

Claro, muita água rolou, até um avião caiu matando um dos presidenciáveis. Mas tais dados deixam claro que, a mais de um semestre da eleição, condenar a democracia pela ausência de Lula é de uma leviandade gritante. Uma leviandade que – coincidentemente ou não – o PT adorou. Até demais.

15% dos próprios eleitores de Lula acreditam que ele deveria ser preso pela Lava Jato

No Datafolha publicado em outubro de 2017, o instituto foi bem claro na pergunta ao entrevistado: “Considerando o que foi revelado pela Operação Lava-Jato e seus desdobramentos
até o momento, na sua opinião, Lula deveria ou não ser preso?” Para máximo desgosto de Lula, mais da metade dos eleitores responderam que sim, o ex-presidente deveria ser preso:

  • 54% – Sim, deveria
  • 40% – Não deveria
  • 5% – Não sabe

Pela mesmo levantamento, é possível identificar onde se encontra o foco de pressão. Em sua maioria, o brasileiro que quer ver Lula na cadeia seria homem (59%), entre 16 de 34 anos (58%), com ensino superior (69%) e renda superior a 10 salário mínimos (76%).

Mas há detalhes ainda mais curiosos: 15% dos eleitores do próprio Lula acreditam que ele deveria ser preso, assim como 16% dos petistas entrevistados. Ainda que seja a única região a não concordar majoritariamente com a medida, um terço do Nordeste também concorda com o encarceramento do ex-presidente.

A descrença no sistema impera, contudo. Para dois terços dos eleitores, Justiça não será feita e Lula continuará solto.

Num período de 10 meses, o Datafolha viu o número de petistas mais que dobrar

Há um fenômeno acontecendo nos levantamentos do Datafolha a respeito da corrida presidencial. Cada vez que o instituto vai às ruas, encontra mais e mais eleitores que se dizem petistas. Em dezembro de 2016, apenas 9% assumiam ter o PT como partido de preferência. Em maio de 2017, o número saltou para 15%. Em junho, para 18%. E em outubro, para 19%.

Fenômeno semelhante não se deu com os grandes partidos do governo Temer. Durante este intervalo de 10 meses, PMDB e PSDB apenas oscilaram entre 4% e 5%. Considerado linha auxiliar do petismo, o PSOL também seguiu estacionado em 1%.

O gráfico abaixo desenha bem o que vem acontecendo:

Fonte: Datafolha (clique para ampliar)

É possível especular bastante coisa a respeito da barra vermelha cada vez maior. Inclusive, leituras que vão de encontro à credibilidade do instituto. O mais provável, contudo, é que a baixa popularidade do governo Temer venha permitindo ao petista se assumir como é, como foi, ou nunca deixou de ser.

Que isto sirva de alerta a quem acha que o jogo em 2018 já está decidido. Claro, muita água ainda há de rolar. Mas isso necessitará muito trabalho, e do bem feito.

O Datafolha confirmou que há mais brasileiro querendo Lula preso do que Lula na Presidência

Na pesquisa eleitoral realizada em 27 e 28 de setembro, o Datafolha testou nove cenários para eventuais segundos turnos na corrida presidencial. Quatro deles envolve o nome de Lula, e um quinto será ignorado pelo Implicante porque simplesmente não é sério – em alinhamento com a defesa do condenado, confronta o ex-presidente com Sérgio Moro, uma tentativa acusá-lo de fazer política em vez de Justiça.

Nos quatro cenários, Lula se sagra vencedor, com o melhor desempenho obtido contra João Doria. A saber:

  • Cenário 1
    Lula: 46%
    Alckmin: 32%
  • Cenário 2
    Lula: 48%
    Doria: 32%
  • Cenário 3
    Lula: 44%
    Marina: 36%
  • Cenário 4
    Lula: 47%
    Bolsonaro: 33%

Contudo, a mesma pesquisa buscou entender o apoio do eleitor brasileiro a uma eventual prisão de Lula. Questionados se o resultado da Lava Jato seria suficiente para justificar um tempo de cadeia ao ex-presidente, uma parcela bem maior se disse favorável:

  • É suficiente para justificar a prisão de Lula: 54%
  • Não há motivos para que o ex-presidente seja detido: 40%
  • Sem opinião e outros: 5%

De onde se conclui que há mais gente querendo Lula preso do que Lula presidente.

Entre os investigados com nível superior, esta parcela chega a 69%. Entre os mais ricos, a 76%. No Sudeste do Brasil, a 65%. Mas, mesmo entre os mais pobres, o estrago é considerável: 42%.

Contudo, a descrença no sistema é gigantesca. E dois terços dos entrevistados duvidam que Lula venha a ser encarcerado.