“Canetada” de Fux fez o gasto com auxílio-moradia multiplicar por vinte

De janeiro de 2010 a setembro de 2014, a União gastou R$ 96,5 milhões com auxílio-moradia, algo como R$ 1,7 milhão por mês. De outubro de 2014 a novembro de 2017, a despesa tomou R$ 1,3 bilhão do povo brasileiro, ou R$ 35,1 milhões mensais, uma média vinte vezes superior.

Foi justo em setembro de 2014 que Luiz Fux monocraticamente decidiu estender o benefício a todos os juízes federais brasileiros. Numa segunda decisão, convidou para a farra também os juízes trabalhistas, os da Justiça Militar e os magistrados das Justiças Estaduais de um terço do país – os outros dois terços já recebiam.

Apenas em dezembro de 2017, o membro do STF liberou o processo para o plenário da casa onde trabalha. Que, até a redação deste texto, não tinha pautado o assunto.

É importante frisar a quantidade de servidores públicos recebendo tal benefício. Só assim para neutralizar a narrativa trabalhada pela imprensa mais petista contra os investigadores da operação Lava Jato. O problema veio de antes, e de cima. E contou justamente com um gordo apoio da presidente petista cassada em 2016.

Nos últimos 5 anos do governo Dilma, as empresas estatais deram prejuízo de R$ 33 bilhões ao povo brasileiro

A Secretaria do Tesouro Nacional  analisou os cinco últimos anos do governo Dilma, incluindo a temporada na qual a petista caiu pelo processo de impeachment. E descobriu que as empresas estatais renderam neste intervalo um prejuízo de R$ 33 bilhões ao povo brasileiro.

Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica, Eletrobras e Petrobras representam 90% dos resultados medidos. Exceto por 2014, em todos as temporadas observadas, as estatais custavam mais do que traziam de retorno aos cofres públicos.

Na média, o prejuízo ficou em 27%. Mas chegou a 50% em 2013, e se aproximou de assustadores 80% com o aprofundamento da recessão em 2016.

Ao todo, custaram R$ 122,3 bilhões, mas só retornaram R$ 89,3 bilhões.

A explicação chega a ser simples: enquanto o governo Dilma ampliava gastos com tais estruturas, a receita caía seguidamente.

Por absurdos como este que o programa de privatizações é vital para a economia brasileira.

Perdão concedido pelo governo Temer pelo Refis gerou rombo de R$ 4 bilhões no orçamento de 2018

Para não perder a simpatia do “mercado”, o governo Temer foi bem generoso no programa de refinanciamento de dívidas conhecido como REFIS. Tão generoso que deixou um buraco no orçamento de 2018. E dos enormes: nada menos do que R$ 4 bilhões.

Essa quantia é superior à verba reservada para um quarto dos vinte e oito ministérios do Governo Federal, por exemplo.

Para resolver o problema, a equipe econômica precisou buscar “receitas adicionais”. Do contrário, Temer estaria descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. E o vice-presidente de Dilma Rousseff deve lembrar que foi um drible na LRF – apelidado de “pedaladas fiscais” – que justificou o impeachment da presidente cassada.

A grana extra pode vir, por exemplo, de uma exploração maior das privatizações. O primeiro alvo seria uma raspadinha vendida pela Caixa Econômica Federal. Mas esta cobriria só metade do rombo.

Mesmo sem uso, residência oficial da Presidência consumiu R$ 9 mil com telefonemas

A Presidência da República possui em Brasília três residências oficiais: além do Palácio do Planalto, há o Palácio do Jaburu (reservado ao vice-presidente) e a Granja do Torto, “casa de campo” com 370 mil metros quadrados, lagos  artificiais, piscina, campo de futebol, quadra poliesportiva, churrasqueira, heliponto e mata nativa.

Esta última foi convertida em primeiro endereço por João Figueiredo, mas desde então virou apenas um CEP para festividades, tendo em Lula um dos que mais a aproveitou. Michel Temer, por sua vez, a ignora.

Nada disso a impede de custar R$ 840 mil ao povo brasileiro anualmente. O levantamento foi feito pelo Metrópoles, que descobriu números assustadores para uma estrutura sem uso:

  • Conta de água: R$ 10.049,60
  • Conta de luz: R$ 24.237
  • Despesas com telefone: R$ 9.062,80

Os valores são de setembro de 2017. Conforme apontou a publicação, nos nove primeiros meses do ano, mesmo sem qualquer uso oficial da residência, foram gastos R$ 78.944,42 com telefonemas, .

Ao todo, a população arca com os custos de 16 funcionários no local, com salários que chegam a até R$ 5.652,01.

Mesmo com 84 apartamentos funcionais vazios, 154 deputados recebiam auxílio-moradia no valor de R$ 4.253

Daniel Adjunto segue fazendo um elogiável trabalho na cobertura dos acontecimentos em Brasília. Em uma de suas matérias para o SBT, destacou que, mesmo com 84 apartamentos funcionais vazios, há 154 deputados federais recebendo “auxílio-moradia” no valor de R$ 4.253,00 por mês.

Se a estrutura fosse utilizada para acomodar essa “massa parlamentar”, o brasileiro economizaria R$ 4,3 milhões por ano com o benefício. Ou mais de R$ 17 milhões no decorrer do mandato – e sem contar a inflação do período.

Sim, são valores nanicos perto das cifras que infelizmente se tornaram lugar-comum no noticiário policial brasileiro. Ainda assim, servem para mostrar a sede por verba pública dos envolvidos – não deixam de explorar mesmo as menores quantias.

No caso mais grave, há um prédio inteiro sem moradores. Os imóveis ficam numa área nobre de Brasília, e chegam a ter até 225 metros quadrados, com até quatro quartos e três banheiros. Em média, as unidades são avaliadas em R$ 2 milhões. Sem sombra de dúvida, um luxo acessível a poucos eleitores.

Governo Dilma gastava mais com Cultura do que com Saneamento, Relações Exteriores ou Cidadania

De acordo com o Portal da Transparência, o governo Dilma executou em âmbito nacional o total de R$ 2,2 trilhões em 2015. Diante deste volume, o R$ 1,7 bilhão executado pelo Ministério da Cultura de fato parecia pequeno, não passava de 0,08% do orçamento. Ainda assim, a quantia – exorbitante em valores absolutos – superava o investimento em segmentos mais vitais para a administração pública, como as relações exteriores, as comunicações, o saneamento e até mesmo os “direitos da cidadania” – para usar o termo que a esquerda respeita.

A quantia executada pela Cultura pagaria duas vezes os R$ 800 milhões que o país precisava para cobrir as dívidas do Ministério das Relações Exteriores. Daria para antecipar as eleições presidenciais – como tanto desejavam os petistas – e ainda garantir a realização das municipais, uma vez que o TSE também estava em dificuldades financeiras.

Com este orçamento, seria possível mais que dobrar os investimentos federais em saneamento. Os R$ 489 milhões usados pela Cultura para “promoção comercial” superavam em quase dez vezes os R$ 51 milhões executados pelo “Direitos da Cidadania” na “assistência à criança e ao adolescente“.

Os R$ 37 milhões que a Cultura gastou com “lazer” batiam em 19% os R$ 31 milhões que o governo Dilma investiu na “assistência aos povos indígenas“.

Diante de uma grave crise como a que o PT meteu o Brasil, é abominável que artistas milionários usem de seu poder de persuasão para exigirem reserva de recurso públicos em benefício próprio. Os números acima gritam.

O brasileiro paga R$ 1,65 milhão por ano em aposentadorias a deputados federais cassados

A Câmara Federal paga aposentadoria a uma dezena de deputados cassados. Conforme levantamento do Estadão, a conta é salgada: R$ 126.960,94 por mês. Ao subtrair-se o caso de Francisco Pinto, que perdeu o mandato ainda durante a ditadura, a média salarial supera os R$ 14 mil. No caso mais impactante, o mensaleiro Roberto Jefferson, fora da casa desde 2005, recebe invejáveis R$ 23.344,70. Mas nenhum dos outros oito nomes ganha menos do que R$ 8.775,38.

Conforme explicou o jornal, nada disso é ilegal, o que só deixa a notícia ainda mais escandalosa. Para completar, são enormes as chances de José Dirceu, que chegou a ser preso pela operação Lava Jato, também vir a receber benefício semelhante.

Em um ano, o custo deste abuso supera R$ 1,65 milhão. Mais da metade dos beneficiados são agraciados há mais de 20 anos, quando o escândalo dos “Anões do Orçamento” cassou cinco deputados federais de uma só vez – numa época em que escândalos do tipo ainda resultavam em prejuízo aos envolvidos.

Após tudo o que fez, a JBS recebeu R$ 1,1 bilhão em desconto nas dívidas fiscais

Refis é como ficou conhecido o mecanismo que regulariza os créditos da União decorrentes de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, Fazenda Nacional e INSS. Em resumo, trata-se de um programa de desconto de dívidas.

Como bem apontou Miriam Leitão, a JBS foi uma das empresas que aderiram à edição 2017 do Refis. A mesma JBS que se comprometera a pagar R$ 10,3 bilhões pelo crimes cometidos recebeu, além de prazo mais vantajoso, um desconto de R$ 1,1 bilhão nos débitos fiscais.

É ainda a empresa que participou do acordo de delação que renderia duas denúncias contra o presidente da República – o que só serviu para adiar reformas, uma vez que só arquitetos da manobra encontram-se presos.

É inacreditável. O Governo Federal segue fingindo que os últimos quatro anos não ocorreram.

O povo brasileiro gastou mais de R$ 20 mil com auxílio-moradia para deputado que dorme na prisão

Um raro caso de condenação pelo STF, o deputado federal Celso Jacob foi preso em 6 de junho de 2017. Contudo, no final do referido mês, uma vez que a pena é cumprida em regime semiaberto, o parlamentar recebeu autorização para, quando necessário, deixar a cadeia e trabalhar no Congresso.

Como se o parágrafo anterior já não contivesse absurdos em suficiência, O Globo descobriu que, mesmo “morando” na prisão, o peemedebista continuou recebendo auxílio-moradia. E o povo brasileiro seguiu desperdiçando R$ 4,2 mil por mês com o “deputado presidiário”.

Até o momento da redação deste texto, a conta já superou os R$ 20 mil.

Perto de outras cifras que tanto sujaram a vida pública nos anos anteriores, esta soa pequena. Mas a simbologia do ato fortalece a tese de que o país nunca teve uma classe política tão execrável.

Só em 2016, o INSS desperdiçou R$ 1,1 bilhão pagando aposentadoria a quem já tinha morrido

Após o afastamento em definitivo de Dilma Rousseff, o governo Temer resolveu passar um pente fino nos benefícios de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez. E descobriu que, apenas entre janeiro e agosto de 2016, o INSS pagou benefícios a 101.414 beneficiários que já estavam mortos. Destes, nada menos do que 1.256 tinham morrido havia mais de 10 anos.

Ao todo, o prejuízo naquele ano somou R$ 1,134 bilhão. De todo o desperdício, até setembro de 2017, o instituto conseguiu reaver apenas R$ 119,1 milhões – ou basicamente 10%.

Burocracia e descaso explicam o prejuízo bilionário. De acordo com o UOL, os cartórios têm até o décimo dia de cada mês para informar ao INSS os óbitos registrados no mês anterior. Só então, o benefício é interrompido. Mas, na média, o instituto demora quatro meses para concluir o procedimento.

Contudo, a solução desta questão estaria longe de apresentar uma estabilização do problema previdenciário do país. Em 2016, o déficit foi de R$ 149,73 bilhões. Para 2017, a expectativa era de o rombo aumentar para R$ 184 bilhões.

Não à toa, a equipe econômica do governo Temer repete incansavelmente que este é o tema mais urgente da pauta. Mas o corpo político em Brasília preocupa-se mais em blindar-se da Lava Jato.