Tribunal que julgará Lula costuma deixar ainda mais severas as penas aplicadas por Sérgio Moro

29/10/2017- Lula visita a Casa Guimarães Rosa em Cordisburgo

Na operação Lava Jato, todos os casos que seguem à segunda instância são encaminhados para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Segundo levantamento feito por O Globo, o TRF-4 costuma ajustar dois terços das decisões de Sérgio Moro.

Mas, ao contrário do que tantos militantes insistiam, metade dos ajustes são feitos no sentido de tornar ainda mais severas as penas impostas. Se 49% das condenações de Moro foram reformadas no intuito de o investigado cumprir penas ainda mais duras, apenas 22% resultaram em punições mais brandas.

Foram contabilizados ainda sete casos em que absolvições assinadas por Moro foram convertidas em condenações no TRF-4. No sentido oposto, uma dezena de condenados foi inocentada. Contudo, o alinhamento entre primeira e segunda instância na Lava Jato, a despeito de um ou outro detalhe, continua acima dos 80%.

Em 2018, o TRF-4 analisará a condenação aplicada por Moro a Lula.

Editor da Folha reconheceu que Fernando Haddad era paparicado pelo jornalismo

27/10/2016 - Brasília - DF, Brasil - Fernando Haddad (PT-SP) prefeito de São Paulo durante entrevista no Palácio do Planalto.

Em um longuíssimo artigo para a revista Piauí, Fernando Haddad tentou explicar o fracasso de sua gestão em São Paulo. Atirou contra muitos, mas ressalvou o próprio umbigo. Em especial, mirou a imprensa. Mais em especial ainda, a Folha de S.Paulo, que viu ingratidão na postura do petista.

Uma vez que a revista se recusou a abrir espaço, o editor-executivo Sérgio Dávilla assinou artigo no próprio jornal retrucando o ex-prefeito. E deixou claro aos leitores que, em verdade, Haddad era “paparicado pelos jornalistas“:

Fernando Haddad reclama do jornalismo porque não admite crítica (própria ou dos outros). Ele deve ter sido o prefeito mais paparicado por jornalistas em toda a história de São Paulo.

Isso tem explicação num motivo simples: em seus quatro anos no comando da cidade, o petista governou para uma jovem elite intelectual progressista de esquerda. As Redações são formadas em sua maioria por uma elite intelectual de jovens progressistas de esquerda.

Bom… Eles que são vermelhos que se entendam.

Nicolás Maduro é a prova de que a luta contra o “discurso de ódio” não passa de um eufemismo para censura

30/07/2017 - Venezuela - O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, elogiou os venezuelanos pela “lição de coragem” e “maior participação histórica” nas eleições, de domingo, para a Assembleia Constituinte.

Por tudo o que aconteceu na segunda metade do século passado, com a guerra fria disseminando ditaduras em todo o planeta, a humanidade pegou uma justa aversão à censura. O que está longe de significar que forças políticas, quando com o devido poder, não veem vantagem nela. Contudo, esse sentimento não pode ser explícito, ou não chegam ao posto em que conseguem calar adversários.

Não é por outro motivo que toda sorte de eufemismos é sacada para disfarçá-la. Por muito tempo, falou-se em “controle social da mídia”. Mas, com a internet descentrando a origem das “narrativas”, o recurso deu vez a uma eterna luta contra o que chamam de “discurso de ódio”. É, por exemplo, como o Vale do Silício se justifica ao derrubar tantos canais que rendem aos bilionários da TI algum nível de desconforto.

Pois bem… Nicolás Maduro, que já é reconhecido no mundo todo como um ditador, decidiu pesar a mão contra as críticas recebidas. E, sob a desculpa de que combate justamente o tal discurso de ódio, por intermédio de um “decreto-lei”, promulgou a Lei contra o Ódio, para Convivência e Tolerância Pacíficas.

O socialista jura agir assim para combater o racismo, mensagens hostis e a intolerância até mesmo contra orientações políticas. Como pena, aqueles que infringirem o texto terão os direitos políticos cassados, perderão concessões de rádio e TVs e podem pegar de 10 a 20 anos de cadeia.

Para a Human Rights Watch, por exemplo, tudo isso não passa de uma tentativa de acabar com a “liberdade de expressão nas mídias sociais”. Já Cecilia Sosa, ex-presidente Corte Suprema de Justiça venezuealana, a lei “pretende legalizar a repressão com aparência jurídica. É um atentado à liberdade de opinião, uma repressão sofisticada”.

Enquanto isso, o líder nas pesquisas presidenciais brasileiras já deixou claro que ficou “mais maduro“.

Diretor-geral da Polícia Federal foi definido por 3 denunciados na operação Lava Jato

25/07/2017 - Brasília – DF, Brasil - Cerimônia de Posse do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. (E/D) Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, Presidente da República, Michel Temer, Ex-presidente, José Sarney, Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Julio Marcelo de Oliveira já tinha amanhecido o 9 de novembro de 2017 incomodado com a mera troca de comando da Polícia Federal. E, no Twitter, questionou aos próprio seguidores: “O que eu não entendi na mudança da direção da PF foi o porquê da mudança. Que razão de interesse público justificaria essa troca?

Ao saber que Camila Bomfim, repórter da Globo, confirmara que Fernando Sergóvia chegava à direção-geral da PF referendado por nomes como José Sarney, Eliseu Padilha e Augusto Nardes, o procurador que mais atacou as pedaladas fiscais de Dilma Rousseff foi além: “Por que um ministro do TCU participou de indicação de Diretor-Geral da PF? Não é função de membro do TCU indicar nomes para o governo“.

Bom… A nomeação foi feita por Michel Temer, um dos principais alvos da operação Patmos. Assim como o presidente da República, José Sarney e Eliseu Padilha foram denunciados pela operação Lava Jato. Quanto a Augusto Nardes, foi investigado pela operação Zelotes.

Para a opinião pública, fica a sensação de que as raposas ajudaram a definir quem investigaria os crimes cometidos no galinheiro.

Salvaram Temer por causa das reformas, alegaram que não podiam reformar pois salvaram Temer

25/10/2017- Brasília- DF, Brasil- Rodrigo Maia e deputados governista esperando o quórum durante sessão que discute denúncia contra Temer e ministros.

O noticiário amanheceu o 7 de novembro de 2017 sentenciando que o governo Temer, ainda que não reconheça, desistiu da reforma previdenciária. Com informações de bastidores, Valdo Cruz chegou a registrar no G1:

“Os deputados e senadores não estão muito dispostos a votar a reforma da Previdência, considerada por eles um tema muito impopular e que pode prejudicar suas campanhas pela reeleição no ano que vem.”

Na véspera, Rodrigo Maia se pronunciara sobre:

Nós passamos cinco meses aqui de muita tensão. Um desgaste para os deputados da base que votaram com o presidente, muito grande. Não adianta a gente negar. Os deputados estão machucados.”

É preciso relembrar que a principal justificativa dada pelos deputados federais que salvaram o governo Temer – alguns deles mediante a articulação de senadores da base – era a preservação das prometidas reformas. Passado o sufoco, os parlamentares alegam não poderem tocar com a previdenciária justamente pelo desgaste da salvação de Temer.

Fazem isso para se preservarem nas urnas de 2018. A missão de quem se importa com o país é justamente usar os mesmos fatos para que o efeito seja o inverso.