Lula e a esquerda brasileira apoiam um ditador acusado de matar 8.290 venezuelanos

Mesmo com tudo o que se sabe de Nicolás Maduro, a esquerda brasileira em pesa seguiu oferecendo apoio ao ditador venezuelano. Em especial, chamou atenção as manifestações pública de partidos como PT, PCdoB, PDT e PSOL, além das palmas pedidas por Lula nas redes sociais – e uma estranha fala, quando o ex-presidente insistiu que estava ficando mais “maduro”.

Se o que o noticiário apontava já tinha força em suficiência para tornar repudiáveis o posicionamento da esquerda brasileira, o que dizer após Luisa Ortega Díaz acusar em Haia que Maduro matara 8.290 venezuelanos no intervalo de dois anos e meio?

Portanto, é preciso deixar claro para a opinião pública quem é a pessoa que, até a redação deste texto, lidera pesquisas na corrida presidencial. E esta pessoa é alguém que aplaude um ditador sanguinário – e se manifesta de forma a deixar a sensação de que está ficando como ele.

Nicolás Maduro já recebeu ao menos US$ 10 bilhões da Rússia

Como Nicolás Maduro conseguiu continuar no cargo mesmo após tantos protestos? A resposta é simples: Vladimir Putin. Conforme destacou o NY Times, só nos últimos três anos, a Rússia socorreu Caracas com aportes que somaram US$ 10 bilhões, ou mais de R$ 30 bilhões.

O presidente russo mira o petróleo venezuelano, que responde atualmente como a segunda maior fonte da Rosneft, a estatal petroleira da nação europeia. Mas entende como vantagem a influência política na região, inclusive pela proximidade com os Estados Unidos – um avião que decola em Caracas aterrissa em Miami apenas 3h30 depois.

Segundo a publicação americana, ao substituir a China como principal financiadora do bolivarianismo sul-americano, a Rússia converteu a Venezuela em sua maior aposta. Que é de risco, e Moscou sabe disso.

A fartura de dólares talvez explique por que a esquerda brasileira segue em peso aplaudindo o ditador venezuelano.

Que as autoridades brasileiras não marquem bobeira.

Lula pediu palmas para a Venezuela 47 dias após a OEA qualificá-la de ditadura

Em 30 de março de 2017, o El País não teve dúvida: Nicolás Maduro havia aplicado um golpe de estado e consolidado uma ditadura na Venezuela. Em 5 de agosto, o Mercosul suspendeu os direitos políticos do país, e a Folha de S.Paulo deu o braço a torcer passando a chamá-lo de ditadura. No dia 31, a OEA concordou plenamente com a leitura. Em 9 de setembro, o próprio Maduro disse estar disposto a se tornar um ditador para superar a crise que enfrentava.

Nada disso importou para o PT. Que, em 16 de outubro, publicou nota chamando a Venezuela de “exemplo de democracia e participação cidadã“:

O Partido dos Trabalhadores saúda o presidente Nicolás Maduro e seu partido, o PSUV, pela contundente vitória eleitoral nas eleições regionais deste domingo, 15 de outubro de 2017, a vigésima segunda eleição em dezoito anos de governos liderados pelo PSUV.

Este dia será lembrado como o dia de uma vitoriosa jornada de democracia, onde mais de 60% do eleitorado atendeu à convocação democrática e compareceu, de maneira cívica e pacífica, manifestando seu apoio à paz , à democracia e à soberania na Venezuela.”

No Twitter, Lula chegou a pedir uma “salva de palmas” para a Venezuela.

Meses antes, em maio, no VI Congresso do PT, Lula garantiu: “Não fiquei mais radical, fiquei mais ‘maduro’”. Nas redes sociais, por causa da ênfase no termo “maduro”, muitos entenderam a frase enigmática como o que os americanos chamam de dog-whistle politics, uma mensagem codificada que significa uma coisa sem peso para a opinião pública, mas um recado à militância mais aguerrida.

Venezuela: pedidos de asilo ao Brasil quadruplicaram em 2017

A deterioração da situação humanitária na Venezuela e o crescente autoritarismo de seu governo estão forçando cada vez mais venezuelanos a fugirem para o vizinho. De janeiro a junho, 7.600 venezuelanos solicitaram asilo no Brasil, enquanto apenas 4 em 2010, de acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Justiça ao Human Rights Watch. A CONARE, a agência federal de refugiados do Brasil, não tem conseguido lidar com tal avalanche: mais de 98% dos pedidos desde 2010 ainda estão pendentes.

Como se percebe no gráfico abaixo, enquanto 3.368 pedidos foram feitos em todo 2016, o número mais que dobrou apenas no primeiro semestre de 2017. Na proporção, é como se tivesse enfrentando um aumento superior a 350%.

Dados da imigração de venezuelanos para o Brasil.

Em março, como uma melhor maneira de responder a imigração da Venezuela, autoridades brasileiras aprovaram uma resolução permitindo que venezuelanos solicitassem uma autorização de residência por 2 anos. Em agosto, um juiz federal isentou venezuelanos pobres de pagarem a taxa no valor de R$ 311,18 para pedir a residência temporária, o que havia impedido muitos de solicitarem. A Polícia Federal em Roraima – o Estado brasileiro que faz fronteira com a Venezuela – contou ao Human Rights Watch que foram recebidos, somente em agosto, 413 pedidos de venezuelanos para residência temporária.

E pensar que ainda há partidos brasileiros – sim, no plural – defendendo a ditadura bolivariana.

Via BNDES, os governos Lula e Dilma financiaram mais de R$ 10 bilhões em obras na ditadura venezuelana

Via BNDES, os governos Lula e Dilma Rousseff financiaram US$ 3,3 bilhões, ou algo em torno de R$ 10,3 bilhões, em obras de infraestrutura e contratos de serviço na Venezuela. Com verba do povo brasileiro, a ditadura venezuelana ergueu, por exemplo, o metrô de Caracas, o metrô de Los Teques, uma usina siderúrgica e até obras de saneamento.

Em 2017, a dívida da Venezuela com fornecedores brasileiros já chegou a US$ 5 bilhões, ou por volta de R$ 15 bilhões. No geral, são empreiteiras investigadas na Lava Jato e em tantos outros países da América Latina, como a Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa.

Em setembro, uma parcela de R$ 820 milhões foi simplesmente ignorada por Nicolás Maduro. E o calote fez soar o alerta no governo Temer. Porque as negociações estão seguradas pelo Fundo Garantidor de Exportações. E o fiador do FGE é ninguém menos que o Tesouro Nacional. Ou seja… Há o sério risco de essas faturas caírem mais uma vez nas costas do povo brasileiro.

O governo Temer enviou uma comitiva para negociar com Maduro. Mas a missão é complicada. Os países não se bicam desde que o Brasil tramou com a Argentina a justa expulsão da Venezuela do Mercosul.

A esperança talvez seja Vladimir Putin. O presidente russo não tem qualquer apreço pela democracia, mas vem cobrando de Maduro um mínimo de austeridade. Em contrapartida, pretende injetar US$ 20 bilhões no petróleo venezuelano.

A Venezuela foi o primeiro país a erradicar a malária na região, mas o socialismo fez a epidemia voltar com tudo

Até 1936, a Venezuela tinha os maiores registros de casos de malária na América Latina. Mas um eficiente programa de controle permitiu ao país declarar que havia erradicado a doença no final dos anos 1960. Infelizmente os números voltaram a incomodar já nos anos 1980. Mas começaram a sair do controle à medida em que Hugo Chávez implementava o que ele próprio chamava de “Socialismo do Século XXI”.

De menos de 25 mil casos em 2001, a situação superou os 50 mil quando Nicolás Maduro chegou ao poder. E saiu do controle desde então. Para 2017, a expectativa é de que se aproxime do milhão de casos – ou 930 mil, para ser mais exato.

A região mais afetada é justo a que faz fronteira com o Brasil, provando que a tragédia humanitária põe em risco a saúde até mesmo das nações vizinhas.