Lula e a esquerda brasileira apoiam um ditador acusado de matar 8.290 venezuelanos

10.09.2015 - Lula participa da abertura do 3º Congresso Internacional de Responsabilidade Social, na Argentina

Mesmo com tudo o que se sabe de Nicolás Maduro, a esquerda brasileira em pesa seguiu oferecendo apoio ao ditador venezuelano. Em especial, chamou atenção as manifestações pública de partidos como PT, PCdoB, PDT e PSOL, além das palmas pedidas por Lula nas redes sociais – e uma estranha fala, quando o ex-presidente insistiu que estava ficando mais “maduro”.

Se o que o noticiário apontava já tinha força em suficiência para tornar repudiáveis o posicionamento da esquerda brasileira, o que dizer após Luisa Ortega Díaz acusar em Haia que Maduro matara 8.290 venezuelanos no intervalo de dois anos e meio?

Portanto, é preciso deixar claro para a opinião pública quem é a pessoa que, até a redação deste texto, lidera pesquisas na corrida presidencial. E esta pessoa é alguém que aplaude um ditador sanguinário – e se manifesta de forma a deixar a sensação de que está ficando como ele.

O próprio Datafolha confirmou que mais da metade dos jornalistas da Folha eram de esquerda

Xícara de café descansa ao lado de um laptop

Não fosse por uma menção em benefício da falácia das “fake news”, que nunca encontraram num estudo sério números que a confirmassem como fundamentais para a eleição de Donald Trump, o artigo de Sérgio Dávila rebatendo argumentos de Fernando Haddad seria perfeito. Noutro trecho valiosíssimo, o editor-executivo da Folha de S.Paulo confirma que, ao menos em 2014, mais da metade da redação do jornal era composta de profissionais que se consideravam de esquerda.

E a confirmação veio pelo próprio Datafolha:

“Posso falar com mais embasamento desta Folha. Em 2014, no segundo ano de governo Haddad, censo interno realizado pelo Datafolha atestou que 55% dos jornalistas da casa se consideravam de esquerda, e 23%, de centro. Indagados sobre como situavam o próprio jornal, 50% o colocavam no centro, e 30%, na esquerda.

A maioria adotava posição liberal em relação a aborto, direitos homossexuais e drogas, em números eloquentemente superiores aos da população brasileira como um todo: 82% a favor da descriminalização da maconha e 96% a favor da união civil entre homossexuais, ante 77% e 39% dos brasileiros, respectivamente. Naquela ocasião, outubro de 2014, foram ouvidos 321 profissionais, numa pesquisa com margem de erro de dois pontos percentuais.”

As opiniões sobre questões como descriminalização da maconha e união civil entre homossexuais evidenciam que “55%” pode ser uma estimativa conservadora que abraça apenas os  jornalistas que se assumem de esquerda, restando ainda uma considerável parcela que prefere se vender como neutra – o que valorizaria o próprio currículo.

Mas basta acompanhar o veículo para não ter dúvidas de que, apesar de um ou outro colunista conservador assinar artigos por lá, se trata de uma publicação esquerdista.

Para se safar do caso MAM, a esquerda finge que o problema é a nudez, e não a participação da criança

A estreia do 35º Panorama de Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo incendiou todo um debate envolvendo um possível caso de pedofilia. Afinal, as imagens assustaram: nelas, uma criança era incentivada por sua mãe a manipular o corpo de um adulto nu. Noutra edição da mesma performance, o ator surge em nu frontal dançando de mãos dadas contra outras quatro crianças. Em um terceiro exemplo de uma mostra de 2015, mais uma criança envolve em papel filme outro homem sem roupas.

São cenas tão graves que a mera reprodução delas neste espaço poderia justificar a penalização junto a serviços de anúncios, redes sociais ou mesmo a Justiça brasileira. Por isso o Implicante se limita a descrevê-las nos termos mais amistosos. Em resposta, a esquerda nacional optou por jogar fora todo o contexto e mentir para si mesma que em jogo estaria apenas a aplicação de castigo a qualquer nudez.

Ora, se assim fosse, essa revolta já teria sido instaurada há tempos, afinal, a esquerda brasileira vive a tirar a roupa no mais variados atos, políticos ou não. Há peças inteiras em que, por provação barata, os personagem imitam macacos e mexem partes íntimas uns dos outros. Mesmo nestes casos, os críticos não se dispuseram a entregar mais do que risadas.

Fingir que é só uma questão de nudez é uma saída cínica. E só quem perde com isso é a própria esquerda. Fora da bolha, fica bem claro que o inimigo é outro.