Críticas a movimentos políticos não são críticas às minorias que eles alegam defender

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Ter críticas ao movimento negro não significa ser contra afrodescendentes. O mesmo vale para militância LGBT e ao feminismo – respectivamente em relação a homossexuais e mulheres, claro.

O movimento estudantil costuma ser eleito por uma parcela ínfima dos estudantes que eles alegam representar. No Brasil, não falta ateu com vergonha das manifestações truculentas da ATEA. Um breve giro nas redes sociais e é possível encontrar um considerável número de mulheres com fortes ressalvas ao feminismo.

Movimentos políticos equivocados estão na origem das maiores tragédias da humanidade. E por isso devem atuar sob forte vigilância dos críticos. Ou isso, ou errarão feio – alguns, novamente.

A divergência serve para podar excessos. Sem ela, vem a radicalização que tantos temem. Com radicalização, o erro é aplaudido, o acerto é criminalizado.

Parece óbvio e é. Mas o Brasil de hoje exige que mesmo o óbvio seja constantemente repetido. Do contrário, impera o caos.

As confusões que um mero sanduíche causou num grupo de mães no Facebook

O caso foi relatado no Daily Telegraph por Miranda Devine. Maddie, de apenas 22 anos, mãe de Sydney e um tanto ingênua, resolveu pedir receitas de sanduíches que prepararia para o marido levar ao trabalho. E lançou a questão às 26.186 mães de um grupo privado no Facebook. Abaixo, estão apenas algumas das respostas que recebeu:

  • “Ela não passa de uma ‘escrava’ e uma ‘dona de casa da década de 1950′”
  • “Ela era ‘estranha’ e ninguém com juízo ou num acesso de fúria faria algo tão humilhante quanto o almoço do marido. Imagine lanches”
  • “Seu marido é um adulto e você não é a mãe dele”
  • “Meu marido pode fazer a droga do próprio almoço”
  • “Eu faço para o meu marido o mesmo que ele faz para mim. Nada!!”
  • “Marido é um homem crescido. Eu já lavo suas roupas e mantenho seus filhos vivos.”
  • “Nosso conselho é pare de fazer os almoços dele”.
  • “Meu papel é de cuidadora de criança durante o horário de trabalho e é isso.”
  • “Ele tem sorte se eu decidir fazer jantar algumas noites”.
  • “Fui casada por vinte anos e minha marmita favorita para meu marido chamava-se ‘Faça você mesmo’ com um adicional de ‘Eu não sou sua mãe’.”

De acordo com Devine, a líder dos ataques foi Polly Dunning, filha da feminista Jane Caro e mãe de uma criança sobre quem ela escreveu em 2016 relatando horror ao descobrir que estava grávida de um menino: “Senti-me mal com o pensamento de algo masculino crescendo dentro de mim“.

 

Maddie explicou que ela e o marido estão economizando para comprar a primeira casa e “ele trabalha num emprego com extrema demanda física, faz tarefas domésticas, cozinha o jantar a cada duas noites… Ele se levanta no meio da noite com o nosso bebê. É um campeão“. E acrescentou: “O mínimo que eu posso fazer é preparar um maldito de um sanduíche. Eu amo meu homem, ele merece almoçar e nós não podemos pagar para ele almoçar fora“.

A resposta de Dunning não foi simpática: “Nós não somos, nenhuma de nós, apenas mães. Mãe é um dos muitos papéis que temos como mulheres e esse papel certamente não inclui fazer qualquer coisa para nossos parceiros porque não somos a mãe dele (ou dela). Só acho estranho colocar fazer almoço para meu marido com o papel de Mãe.

Houve, claro, quem também defendesse Maddie. Em especial, uma mãe que respondeu: “O casamento é uma parceria. Se mais pensassem assim, haveria muito menos divórcios neste mundo“. No que recebeu a concordância da própria autora do artigo:

“Esta é a verdade que as feministas do Baby Boomer se recusam a admitir. Consideração, dar e receber são os segredos de um casamento feliz, e não tratar o pai de seus filhos como um agente do patriarcado inimigo. É hora de acabar com a guerra dos sexos, mesmo que isso signifique fazer o tal sanduíche.”

Mas a discussão não parou por aí. Até o momento da redação deste texto, o artigo de Maddie já havia recebido 252 comentários.

E não há notícias confirmando se o marido de Maddie conseguiu ou não almoçar o tal sanduíche.

Até as eleições de 2018, cinco mulheres comandarão o judiciário no Brasil

Durante o governo Temer, Raquel Dodge se tornou a quarta mulher a ocupar um cargo de comando no judiciário brasileiro. A nova procuradora-geral da República passou a fazer companhia a Laurita Vaz, presidente do STJ, Grace Mendonça, chefe da Advocacia-geral da União, e Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Dodge e Mendonça, inclusive, são as primeiras mulheres a ocuparem tal posto.

Conforme apontado pelo Portal Jota, Rosa Weber ainda substituirá Gilmar Mendes na presidência do TSE em 2018, completando o “quinteto”.

É preciso destacar o feito para neutralizar um dos argumentos mais explorados pela esquerda nas últimas eleições, o de que, sem uma gestão esquerdista, mulheres são excluídas da cadeia de comando.

Talvez seja verdade que elas não são escolhidas apenas para que a militância tenha o que comemorar. E o silêncio desta militância a respeito do feito recente serve como “prova” de que o interesse feminino vem sendo eclipsado pelo partidarismo.