No período em que a Folha fez 93 menções negativas a Haddad, citou Doria negativamente por 290 vezes

Prefeito João Dória Jr participa do 45º MUTIRÃO Mário Covas – Programa CALÇADA NOVA, em Itaquera.

Outro dado valioso do artigo de Sérgio Dávilla para a Folha de S.Paulo aborda a cobertura do jornal a respeitos dos trabalhos de Fernando Haddad e João Doria. O levantamento junto aos próprios textos do jornal confirma que, em números absolutos ou relativos, o tucano foi mais atacado que o petista.

Se, no primeiro semestre de trabalho, apenas 15% dos textos publicados na Folha implicavam em algum prejuízo à imagem de Haddad, esta fatia cresceu para 28% quando João Doria assumiu a prefeitura. Em números absolutos, também porque o tucano é um político bem mais midiático, o atual prefeito recebeu três vezes mais menções negativas – no placar, 290 a 93.

Dávilla ainda aponta que Haddad recebeu quase o triplo de menções positivas (13% a 5%). A discrepância é tão grande que, mesmo em números absolutos, e considerando que ex-apresentador de TV foi alvo de 408 pautas a mais, o petista foi positivamente mencionado 83 vezes – contra 54 do adversário que o derrotou em primeiro turno.

“Comparou-se a cobertura da Folha dos seis primeiros meses da gestão de Fernando Haddad com a cobertura de igual período da administração João Doria. Em seu semestre inicial, o petista teve 619 menções no jornal. Delas, 443 podem ser consideradas de efeito neutro (72%), 83 de efeito positivo (13%) e 93 (15%) de efeito negativo. O tucano, por sua vez, teve 1.027 menções em seus 180 dias inaugurais, das quais 683 (67%) neutras, 54 (5%) positivas e 290 (28%) negativas. (…)

Depois, à parte a dominância bem-vinda dos índices de neutralidade em um caso e outro (72% para Haddad e 67% para Doria), impressiona como os percentuais de menções negativas e positivas se invertem: a proporção de textos de leitura negativa em relação ao tucano (28%) é quase o dobro da do petista (15%), enquanto a proporção de textos de leitura positiva em relação ao petista (13%) é quase o triplo da do tucano (5%).”

Os dados servem para confirmar que o jornalismo é muito mais carinhoso com políticos de esquerda. Coisa que o articulista também reconheceu.

O próprio Datafolha confirmou que mais da metade dos jornalistas da Folha eram de esquerda

Xícara de café descansa ao lado de um laptop

Não fosse por uma menção em benefício da falácia das “fake news”, que nunca encontraram num estudo sério números que a confirmassem como fundamentais para a eleição de Donald Trump, o artigo de Sérgio Dávila rebatendo argumentos de Fernando Haddad seria perfeito. Noutro trecho valiosíssimo, o editor-executivo da Folha de S.Paulo confirma que, ao menos em 2014, mais da metade da redação do jornal era composta de profissionais que se consideravam de esquerda.

E a confirmação veio pelo próprio Datafolha:

“Posso falar com mais embasamento desta Folha. Em 2014, no segundo ano de governo Haddad, censo interno realizado pelo Datafolha atestou que 55% dos jornalistas da casa se consideravam de esquerda, e 23%, de centro. Indagados sobre como situavam o próprio jornal, 50% o colocavam no centro, e 30%, na esquerda.

A maioria adotava posição liberal em relação a aborto, direitos homossexuais e drogas, em números eloquentemente superiores aos da população brasileira como um todo: 82% a favor da descriminalização da maconha e 96% a favor da união civil entre homossexuais, ante 77% e 39% dos brasileiros, respectivamente. Naquela ocasião, outubro de 2014, foram ouvidos 321 profissionais, numa pesquisa com margem de erro de dois pontos percentuais.”

As opiniões sobre questões como descriminalização da maconha e união civil entre homossexuais evidenciam que “55%” pode ser uma estimativa conservadora que abraça apenas os  jornalistas que se assumem de esquerda, restando ainda uma considerável parcela que prefere se vender como neutra – o que valorizaria o próprio currículo.

Mas basta acompanhar o veículo para não ter dúvidas de que, apesar de um ou outro colunista conservador assinar artigos por lá, se trata de uma publicação esquerdista.