FHC não viu nada muito grave nas pedaladas fiscais cometidas por Dilma Rousseff

É compreensível o medo que FHC sente de Jair Bolsonaro. Afinal, nos anos 1990, o presidenciável defendeu que o então presidente fosse assassinado. O que soa incompreensível, contudo, é o esforço do ex-presidente em defender quem mais lhe rendeu prejuízos.

No caso, o PT. Ou o petismo. Ou mesmo Dilma Rousseff. Ao falar sobre o processo que deu fim ao mandato da presidente cassada, FHC endossou parte da narrativa trabalhada por seus detratores. Narrativa que, inclusive, o incriminava, afinal, alegava que o tucano também cometera “pedaladas fiscais“:

“Isso é um crime tremendo? Não, muitas pessoas fizeram (o mesmo). E por que não (foram afastadas)? Porque essas pessoas não estavam em uma frágil posição de poder e a consequência não foi a interrupção do processo de tomada de decisões. É uma questão política.”

Mas, ao contrário do que disse FHC, foi um crime tremendo, sim. As pedaladas fiscais quebraram a economia, desestabilizaram as relações políticas, levaram 14 milhões de brasileiros ao desemprego e condenaram uma década de desenvolvimento do país.

É uma vergonha que o tucano se esforce para desmerecer a própria história. E para abonar aqueles que seguem apoiando fascínoras como Nicolás Maduro.

Um ano após o impeachment de Dilma, a Petrobras saiu de prejuízo bilionário para lucro de R$ 266 milhões

Dilma Rousseff caiu no 31 de agosto de 2016. Por questões legais, os autores do impeachment se focaram nas pedaladas fiscais cometidas pela petista, mas a opinião pública revoltava-se principalmente com o esquema corrupto que depenava a Petrobras – naquele trimestre, a estatal acumularia um prejuízo de assustadores R$ 16,458 bilhões.

Um ano depois, e abordando o mesmo recorte, o noticiário destacou que a gigante do petróleo concluiu setembro com lucro líquido de R$ 266 milhões. Que poderiam ter sido bem melhor, não fossem os as perdas de R$ 3,3 bilhões com “programas de regularização de débitos, contingências judiciais e baixas contábeis.

Pela expectativa alta, restou a sensação de que a a cifra conquistada não era boa. Mas, um ano antes, davam a empresa como falida. No que é possível afirmar que o impeachment de Dilma ao menos serviu para salvar esta importante peça do patrimônio brasileiro.

Salvaram Temer por causa das reformas, alegaram que não podiam reformar pois salvaram Temer

O noticiário amanheceu o 7 de novembro de 2017 sentenciando que o governo Temer, ainda que não reconheça, desistiu da reforma previdenciária. Com informações de bastidores, Valdo Cruz chegou a registrar no G1:

“Os deputados e senadores não estão muito dispostos a votar a reforma da Previdência, considerada por eles um tema muito impopular e que pode prejudicar suas campanhas pela reeleição no ano que vem.”

Na véspera, Rodrigo Maia se pronunciara sobre:

Nós passamos cinco meses aqui de muita tensão. Um desgaste para os deputados da base que votaram com o presidente, muito grande. Não adianta a gente negar. Os deputados estão machucados.”

É preciso relembrar que a principal justificativa dada pelos deputados federais que salvaram o governo Temer – alguns deles mediante a articulação de senadores da base – era a preservação das prometidas reformas. Passado o sufoco, os parlamentares alegam não poderem tocar com a previdenciária justamente pelo desgaste da salvação de Temer.

Fazem isso para se preservarem nas urnas de 2018. A missão de quem se importa com o país é justamente usar os mesmos fatos para que o efeito seja o inverso.

A primeira grande aliança do PT para 2018 foi firmada com… o PMDB!

Desde que Eduardo Cunha sinalizou que deixava o governo Dilma, ainda em meados de 2015, o petismo se deu a tachar de golpistas alguns peemedebistas. Era uma forma de vender para a opinião pública que a presidente da República enfrentava um processo em desacordo com a lei – o que não passava de uma mentira descarada.

Com a aproximação da eleição de 2018, Lula percebeu que suas principais alianças atuavam justo no PMDB. E iniciou todo um movimento para reverter o estrago da narrativa, com pronunciamentos e iniciativas que se alinhavam com o mesmo governo Temer que ele tanto acusou de golpe. No 5 de novembro de 2017, a articulação deu um enorme salto e selou aliança para disputar o governo de Alagoas como vice.

Para surpresa de ninguém que acompanhou a sequência com a devida atenção, o arranjo se deu na chapa de Renan Filho, cria de Renan Calheiros, do tão surrado PMDB. Ou o mesmo peemedebista que atuou com Ricardo Lewandowski para inconstitucionalmente resguardar direitos políticos a Dilma. Mas esse “detalhe” nunca se encaixou com a “narrativa” mesmo.

Cada voto para salvar Temer custou R$ 70,6 milhões ao povo brasileiro

Michel Temer se livrou da segunda denúncia apresentada por Rodrigo Janot com 251 votos favoráveis contra apenas 233 somados pela oposição – que só lograria sucesso com o apoio de 342 parlamentares.

Na primeira, o placar fora ainda mais folgado: 263 votos a favor, 227 votos contra.

Sem contar abstenções e ausências, que também beneficiavam o Governo Federal, o peemedebista somou 514 votos nas duas disputas. Mas, para tanto, comprometeu R$ 36,3 bilhões do suado dinheiro do povo brasileiro.

É como se cada voto tivesse custado R$ 70,6 milhões aos cofres públicos. E é claro que essa gastança toda poderia ter tido justificativa muito mais nobre.

Para seguir no cargo, Michel Temer comprometeu mais de R$ 36 bilhões do povo brasileiro

Um dia após O Globo calcular em R$ 12 bilhões os custos para Michel Temer se livrar da segunda denúncia que poderia dar fim ao próprio mandato, o Estadão, que está longe de ser um veículo de oposição ao Governo Federal, resolveu fazer o mesmo, mas somando o prejuízo com a primeira. Resultado: ao menos R$ 32 bilhões da poupança do povo brasileiro foi comprometida.

Foram R$ 17 bilhões para o parcelamento de dívida de ruralistas, R$ 6,4 bilhões da arrecadação prevista para o Refis, R$ 6 bilhões com o adiamento das privatizações da Infraero e R$ 2,7 bilhões com descontos de multas do Ibama. Além disso, ainda empenhou-se R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares, o que faria a conta superar os R$ 36 bilhões.

Ironica e tragicamente, são contas que justificariam um processo de impeachment contra o presidente da República. Mas a oposição passou a fingir que o problema não é com ela. Talvez por dividir com o governo o mesmo inimigo: a operação Lava Jato.

Para se livrar da segunda denúncia, Michel Temer comprometeu ao menos R$ 12 bilhões de recursos público

O Globo fez as contas e chegou ao número: para se livrar da segunda denúncia apresentada ainda por Rodrigo Janot, Michel Temer comprometeu ao menos R$ 12 bilhões do dinheiro do povo brasileiro. A metade deste prejuízo veio do atraso de dois anos na privatização de um punha de aeroportos, medida feita para agradar o mensaleiro Valdemar Costa Neto. Outros R$ 2,8 bilhões sairiam da anistia de parte de multas ambientais.

Por fim, estimados R$ 2,4 bilhões seriam perdidos com a frustração de receita com o novo Refis, e a liberação descabida de emendas parlamentares, que em menos de dois meses já somavam R$ 881 milhões.

Os governistas podem alegar que parte ou mesmo grande parte destas fortunas já seriam utilizadas por força de lei e o governo Temer apenas acelerou o processo. Mas o sentimento de “compra de voto” é evidente. Não fosse o receio da população de que, com uma nova troca de comando, Brasília se anime para jogar no lugar do presidente da República algum projeto de ditador, os gritos pelo impeachment do peemedebista já estariam lotando ruas.

Apenas 15% das pedaladas fiscais ajudaram programas sociais: o resto mirou empresários e agronegócio

Apenas 15% dos R$ 40 bilhões de crédito ilegal tomados por Dilma Rousseff junto aos bancos públicos serviram a programas sociais como o Bolsa Família. Os R$ 34 bilhões restantes foram aplicados em grandes empresários e setores do agronegócio.

Os dados do TCU são conhecidos desde outubro de 2015, mas é preciso relembrá-los pois o petismo vive alimentando a narrativa de que as “pedaladas fiscais” socorreram os programas sociais que o eleitorado tanta ama. Entretanto, por mais que de fato algum valor tenha sido utilizado nessa pauta, o grosso do crime de responsabilidade cometido mirava as relações espúrias entre Estado e os empresários corruptos que o PT finge combater.

Como explicou Míriam Leitão, prática semelhante já havia sido explorada pelos governos militares ainda nos anos 70, fazendo da economia brasileira um caos na década seguinte.

A dose do veneno petista, no entanto, parece ter sido bem maior. Dessa vez, os catorze milhões de desempregados surgiram na mesma década.

Dois anos após dizer que não confia em delator, Dilma prometeu usar uma delação para anular impeachment

Em delação premiada assinada com o STF, Lúcio Funaro afirmou que, dias antes de o impeachment de Dilma Rousseff ser votado, Eduardo Cunha entrou em contato para saber se o doleiro tinha algum recurso para “comprar votos” a favor do processo. Em entrevista à revista Época, Cunha já comentou o episódio:

Janot queria que eu colocasse na proposta de delação que houve pagamentos para deputados votarem a favor do impeachment. Isso nunca aconteceu. Um absurdo. Se o próprio Joesley confessou o contrário na delação dele, dizendo que se comprometeu a pagar deputados para votar contra o impeachment, de onde sai esse tipo de coisa? Qual o sentido? Mas aí essa história maluca, olha que surpresa, aparece na delação do Lúcio (Funaro, doleiro próximo a Cunha). É uma operação política, não jurídica.”

Nenhum dos três – Cunha, Funaro e Rodrigo Janot – fez por merecer a confiança da opinião pública. Mas Dilma Rousseff achou por bem confiar nos dois últimos. E promete usar a delação do doleiro para anular o processo de impeachment que a derrubou.

O cruzamento de notícias levar a crer que a presidente cassada assim age por pura conveniência política. Afinal, dois anos antes, a ainda presidente da República surgia em manchete deixando bem claro: “Não respeito delator“. No caso, por ter sido alvo de vários, que entregavam os podres de seu governo já moribundo.

Mas as chances dessa investida contra o processo de impeachment tendem a zero. Quanto a isso, o brasileiro pode ficar tranquilo.

Um ano após o impeachment de Dilma, o Monitor do PIB da FGV viu o fim da pior recessão do Brasil

Em julho de 2017, a economia brasileira cresceu 0,1% em relação a junho, que já havia crescido 0,4% em relação a maio. Parece pouco, mas foi o sétimo crescimento observado no período de dez meses que o antecedeu.

No trimestre que se encerrava ali, o aumento tinha sido de 0,6% em relação ao anterior, ou de 1,3% em relação a recorte idêntico em 2016. Para um Brasil que vinha enfrentando uma queda venezuelana, de fato era motivo para se comemorar. Só nos sete primeiros meses de 2017, o PIB local acumulou R$ 3,778 trilhões.

Os números vieram do Monitor do PIB-FGV, divulgados pela Fundação Getulio Vargas. Que viu nos resultados o fim de uma longa recessão iniciada ainda no governo Dilma, afastado em maio, e finalizado em definitivo em agosto de 2016.

Mesmo com um governo Temer desastroso politicamente, a economia deu mostras de recuperação. O que é ótimo justo para as camadas mais carentes da população, ou as primeiras a sofrerem os efeitos de um mercado em colapso.