Não é verdade que Zeca Pagodinho se negou a sair na foto com João Doria

10.02.2018 - João Doria

No domingo de carnaval, as redes sociais foram tomadas por todo tipo de piada contra João Doria, prefeito de São Paulo. Naquela madrugada, o G1 publicou que Zeca Pagodinho se irritara “ao tirar foto com Doria no Anhembi“. Se o título podia ser interpretado de formas distintas, o trecho abaixo não deixava dúvidas:

“Irritado com a presença do tucano, Zeca se recusava a tirar uma foto com o político. Foi necessário a intervenção do dono do camarote, que fez um pedido ao cantor.

Após muita negociação das duas assessorias, Zeca concordou com a foto, mas com uma condição, queria a presença do ex-jogador Amaral, caso contrário, não posaria.

Extremamente irritado, Zeca gesticulava com as mãos e fazia sinal de negativo com a cabeça antes da aproximação de Doria. Quando o prefeito lhe deu a mão, Zeca não fez cara de muitos amigos e ficou com a cabeça baixa. Eles trocaram poucas palavras e o encontro durou menos de um minuto.

Mas Mônica Bergamo, que tinha tudo para deitar e rolar em cima da história, foi testemunha ocular da confusão e contou outra bem diferente na Folha de S.Paulo. Nesta, enfrentando protestos dos amigos, o cantor faz questão de sair na fotografia. Que conta com a participação do jogador de futebol por exigência dos, por assim dizer, “manifestantes”.

A história da já célebre fotografia de Zeca Pagodinho com João Doria no camarote do Bar Brahma não é o que parece: o cantor, ao contrário do propalado, concordou em tirar foto com o prefeito e resistiu aos apelos de amigos que estavam com ele para que evitasse a imagem.

(…) “Eu tiro foto com um monte de gente que não conheço. Eu não peço documento pra ninguém“, seguia Zeca à coluna. “Eu nem conheço ele [Doria]. Foto é foto. Apoio é outra coisa. Eu não voto em ninguém. Fazer o que? Eu não confio em ninguém!”

A resistência do grupo de Zeca gerou certo impasse, mas depois de uma sinalização positiva o prefeito se aproximou. Só não conseguiu ficar ao lado do artista: amigos empurraram o ex-jogador Amaral para ficar entre o tucano e o cantor. “Salvamos o Zeca”, festejavam.

A gestão Doria está bem aquém do esperado e o prefeito merece muitas das críticas que recebe. Mas estas precisam ser calcadas em verdades, e não em “narrativas” plantadas na imprensa. Imprensa esta que, exceto pela colunista em questão, não se preocupou em corrigir os próprios erros – o texto do G1 segue inalterado até a redação desta nota.

Imprensa usa triplex como prova de imparcialidade, mas o argumento não se sustenta

Imprensa

O Globo usou duas das reportagens citadas pela Lava Jato durante o processo para se vender como jornalismo imparcial. Mas é preciso apostar na preguiça do público para convencer com este argumento.

Pois basta ler os links referenciados. A primeira matéria retrata o casal Lula da Silva como uma das vítimas da Bancoop. A segunda, escrita longínquos quatro anos e meio depois, celebra a entrega do empreendimento, reforçando que estava tudo devidamente declarado e quitado pelo já ex-presidente da República – a investigação provaria que este detalhe final estava bem distante da verdade.

A imprensa como um todo tem explorado tais manchetes como exemplo de que estaria praticando um jornalismo impiedoso também com Lula. Não pratica. Nunca praticou.

Se não fosse o Ministério Público Federal e a Polícia Federal desafiando seguidamente o petismo, e a independência de projetos alternativos como o Antagonista, Dilma Rousseff passaria o verão de 2018 trabalhando a eleição de seu sucessor, Aloisio Mercadante. E com a caneta amiga da imprensa a cada nascer do sol.

Não é verdade que “autor da hashtag” contra Caetano Veloso já foi condenado

Martelo de tribunal

Não é estranho que, numa ação como a movida por Caetano Veloso contra Flávio Morgenstern, a parte ofendida peça que, em caráter liminar, o conteúdo a ser analisado seja retirado do ar. Assim como não é estranho que, por precaução, o juiz conceda a liminar antes de o julgamento propriamente dito acontecer.

Tudo isso é bem detalhado em vídeo de Ribeiro da Silva sobre a disputa envolvendo o cantor e o escritor. Mas aparentemente O Globo não sabia disso quando noticiou nas redes sociais a superação da primeira etapa. E desinformou ao dizer que Morgenstern fora condenado – o que não era verdade.

Para completar, no que pode ser interpretado como uma postura maliciosa da parte dos editores, ou ainda alguma provocação ao cantor da MPB, a publicação ainda fez uso da “hashtag” que motivou a ação, associando – involuntariamente ou não – Caetano à pedofilia.

A verdade é que muita água ainda vai rolar. E o resultado dessa briga é incerto. Contudo, por ser uma disputa política, não será estranho se mais desinformação do tipo seguir sendo disseminada.

Consulesa da Polônia disse que Guga Chacra mentiu ao falar em 60 mil nazistas em ato polonês

Mapa da Polônia em destaque.

Utilizando-se do próprio perfil no Twitter, enquanto comentava uma notícia publicada no Guardian, Guga Chacra comentou que “cerca de 60 mil pessoas participaram de manifestação nazista na Polônia defendendo uma Europa apenas para os brancos“. O correspondente internacional da GloboNews foi além e acrescentou: “antecipo para os supremacistas do Brasil que brasileiros não são considerados brancos por estes nazistas“.

De cara, alguns usuários da rede social estranharam. A notícia falava em direita radical, mas não fazia qualquer menção a nazismo. Até porque um acontecimento daquele porte teria sido notícia em todo o mundo, não só no perfil do jornalista.

Foi quando Katarzyna Braiter, que também possui perfil no Twitter, intercedeu. A conta não é verificada, mas é referendada pelo perfil oficial da Embaixada da Polônia em Brasília. A consulesa alertou o funcionário da Rede Globo que este havia publicado uma inverdade. Que a marcha era uma comemoração pela independência do país, um evento familiar que contava, inclusive, com a participação de combatentes que derrotaram os nazistas.

“Informações falsificam a realidade e, o que é tão triste, ofende milhares de cidadão honestos que comemoraram o Dia da Independência. Mulheres, crianças, idosos, e que lutaram contra o nazismo.”

Contudo, a resposta inicial de Chacra foi bloquear a consulesa. Que seguia explicando aos que dela duvidavam: “A minha família estava nesta passeata comemorativa e havia lá ex-combatentes da II Guerra Mundial que lutaram contra nazismo“.

Conforme Braiter explicou, não seria impossível que alguns extremistas estivessem participando do ato. Mas seria irresponsável tachar de nazistas os 60 mil poloneses que foram às ruas. Mais ainda, colocá-los contra o povo brasileiro.

Como Chacra se negava a dar retorno, a consulesa prometeu interceder junto aos contratantes:

“Como o Senhor persiste nas suas informações falsas, a carta do Embaixador da Polônia protestando contra suas acusações em que o senhor culpa todos os participantes por excessos somente de alguns vai ser enviada à redação do Globo.”

Ironicamente, no mês anterior, Chacra havia usado o Twitter para reclamar da proliferação de notícias falsas nas redes sociais.

Até o momento da redação deste texto, não foi observada qualquer retratação pública da parte de Chacra, que seguia tentando provar aos seguidores que tinha razão. Contudo, já é possível perceber que agora o jornalista segue o perfil da consulesa.

No período em que a Folha fez 93 menções negativas a Haddad, citou Doria negativamente por 290 vezes

Prefeito João Dória Jr participa do 45º MUTIRÃO Mário Covas – Programa CALÇADA NOVA, em Itaquera.

Outro dado valioso do artigo de Sérgio Dávilla para a Folha de S.Paulo aborda a cobertura do jornal a respeitos dos trabalhos de Fernando Haddad e João Doria. O levantamento junto aos próprios textos do jornal confirma que, em números absolutos ou relativos, o tucano foi mais atacado que o petista.

Se, no primeiro semestre de trabalho, apenas 15% dos textos publicados na Folha implicavam em algum prejuízo à imagem de Haddad, esta fatia cresceu para 28% quando João Doria assumiu a prefeitura. Em números absolutos, também porque o tucano é um político bem mais midiático, o atual prefeito recebeu três vezes mais menções negativas – no placar, 290 a 93.

Dávilla ainda aponta que Haddad recebeu quase o triplo de menções positivas (13% a 5%). A discrepância é tão grande que, mesmo em números absolutos, e considerando que ex-apresentador de TV foi alvo de 408 pautas a mais, o petista foi positivamente mencionado 83 vezes – contra 54 do adversário que o derrotou em primeiro turno.

“Comparou-se a cobertura da Folha dos seis primeiros meses da gestão de Fernando Haddad com a cobertura de igual período da administração João Doria. Em seu semestre inicial, o petista teve 619 menções no jornal. Delas, 443 podem ser consideradas de efeito neutro (72%), 83 de efeito positivo (13%) e 93 (15%) de efeito negativo. O tucano, por sua vez, teve 1.027 menções em seus 180 dias inaugurais, das quais 683 (67%) neutras, 54 (5%) positivas e 290 (28%) negativas. (…)

Depois, à parte a dominância bem-vinda dos índices de neutralidade em um caso e outro (72% para Haddad e 67% para Doria), impressiona como os percentuais de menções negativas e positivas se invertem: a proporção de textos de leitura negativa em relação ao tucano (28%) é quase o dobro da do petista (15%), enquanto a proporção de textos de leitura positiva em relação ao petista (13%) é quase o triplo da do tucano (5%).”

Os dados servem para confirmar que o jornalismo é muito mais carinhoso com políticos de esquerda. Coisa que o articulista também reconheceu.

O próprio Datafolha confirmou que mais da metade dos jornalistas da Folha eram de esquerda

Xícara de café descansa ao lado de um laptop

Não fosse por uma menção em benefício da falácia das “fake news”, que nunca encontraram num estudo sério números que a confirmassem como fundamentais para a eleição de Donald Trump, o artigo de Sérgio Dávila rebatendo argumentos de Fernando Haddad seria perfeito. Noutro trecho valiosíssimo, o editor-executivo da Folha de S.Paulo confirma que, ao menos em 2014, mais da metade da redação do jornal era composta de profissionais que se consideravam de esquerda.

E a confirmação veio pelo próprio Datafolha:

“Posso falar com mais embasamento desta Folha. Em 2014, no segundo ano de governo Haddad, censo interno realizado pelo Datafolha atestou que 55% dos jornalistas da casa se consideravam de esquerda, e 23%, de centro. Indagados sobre como situavam o próprio jornal, 50% o colocavam no centro, e 30%, na esquerda.

A maioria adotava posição liberal em relação a aborto, direitos homossexuais e drogas, em números eloquentemente superiores aos da população brasileira como um todo: 82% a favor da descriminalização da maconha e 96% a favor da união civil entre homossexuais, ante 77% e 39% dos brasileiros, respectivamente. Naquela ocasião, outubro de 2014, foram ouvidos 321 profissionais, numa pesquisa com margem de erro de dois pontos percentuais.”

As opiniões sobre questões como descriminalização da maconha e união civil entre homossexuais evidenciam que “55%” pode ser uma estimativa conservadora que abraça apenas os  jornalistas que se assumem de esquerda, restando ainda uma considerável parcela que prefere se vender como neutra – o que valorizaria o próprio currículo.

Mas basta acompanhar o veículo para não ter dúvidas de que, apesar de um ou outro colunista conservador assinar artigos por lá, se trata de uma publicação esquerdista.

Editor da Folha reconheceu que Fernando Haddad era paparicado pelo jornalismo

27/10/2016 - Brasília - DF, Brasil - Fernando Haddad (PT-SP) prefeito de São Paulo durante entrevista no Palácio do Planalto.

Em um longuíssimo artigo para a revista Piauí, Fernando Haddad tentou explicar o fracasso de sua gestão em São Paulo. Atirou contra muitos, mas ressalvou o próprio umbigo. Em especial, mirou a imprensa. Mais em especial ainda, a Folha de S.Paulo, que viu ingratidão na postura do petista.

Uma vez que a revista se recusou a abrir espaço, o editor-executivo Sérgio Dávilla assinou artigo no próprio jornal retrucando o ex-prefeito. E deixou claro aos leitores que, em verdade, Haddad era “paparicado pelos jornalistas“:

Fernando Haddad reclama do jornalismo porque não admite crítica (própria ou dos outros). Ele deve ter sido o prefeito mais paparicado por jornalistas em toda a história de São Paulo.

Isso tem explicação num motivo simples: em seus quatro anos no comando da cidade, o petista governou para uma jovem elite intelectual progressista de esquerda. As Redações são formadas em sua maioria por uma elite intelectual de jovens progressistas de esquerda.

Bom… Eles que são vermelhos que se entendam.

Nicolás Maduro é a prova de que a luta contra o “discurso de ódio” não passa de um eufemismo para censura

30/07/2017 - Venezuela - O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, elogiou os venezuelanos pela “lição de coragem” e “maior participação histórica” nas eleições, de domingo, para a Assembleia Constituinte.

Por tudo o que aconteceu na segunda metade do século passado, com a guerra fria disseminando ditaduras em todo o planeta, a humanidade pegou uma justa aversão à censura. O que está longe de significar que forças políticas, quando com o devido poder, não veem vantagem nela. Contudo, esse sentimento não pode ser explícito, ou não chegam ao posto em que conseguem calar adversários.

Não é por outro motivo que toda sorte de eufemismos é sacada para disfarçá-la. Por muito tempo, falou-se em “controle social da mídia”. Mas, com a internet descentrando a origem das “narrativas”, o recurso deu vez a uma eterna luta contra o que chamam de “discurso de ódio”. É, por exemplo, como o Vale do Silício se justifica ao derrubar tantos canais que rendem aos bilionários da TI algum nível de desconforto.

Pois bem… Nicolás Maduro, que já é reconhecido no mundo todo como um ditador, decidiu pesar a mão contra as críticas recebidas. E, sob a desculpa de que combate justamente o tal discurso de ódio, por intermédio de um “decreto-lei”, promulgou a Lei contra o Ódio, para Convivência e Tolerância Pacíficas.

O socialista jura agir assim para combater o racismo, mensagens hostis e a intolerância até mesmo contra orientações políticas. Como pena, aqueles que infringirem o texto terão os direitos políticos cassados, perderão concessões de rádio e TVs e podem pegar de 10 a 20 anos de cadeia.

Para a Human Rights Watch, por exemplo, tudo isso não passa de uma tentativa de acabar com a “liberdade de expressão nas mídias sociais”. Já Cecilia Sosa, ex-presidente Corte Suprema de Justiça venezuealana, a lei “pretende legalizar a repressão com aparência jurídica. É um atentado à liberdade de opinião, uma repressão sofisticada”.

Enquanto isso, o líder nas pesquisas presidenciais brasileiras já deixou claro que ficou “mais maduro“.

Após 13 anos de PT, a imprensa passou a cobrar domínio de economia

22/06/2016- Brasília- DF, Brasil- O deputado Jair Bolsonaro fala com a imprensa, ontem (21), sobre ter virado réu no STF, pela sua declaração que “Não estupraria Maria do Rosário porque ela não merece”.

Desde a primeira eleição de Lula, o brasileiro se acostumou a ouvir que o presidente da República não necessitava nem de domínio do português, quanto mais de uma segunda língua. E, em tom estranhamente orgulhoso, repetia-se na mídia que um “torneiro mecânico” havia sido escolhido para o Palácio do Planalto.

Quando chegou a vez de Dilma Rousseff, muito se duvidou da capacidade dela de gerir o país, afinal, na década anterior, levara à falência uma lojinha de produtos com valor fixo em R$ 1,99. Em resposta, até acusações de “preconceito” eram sacadas contra os céticos.

Com Jair Bolsonaro se confirmando como um presidenciável forte o suficiente para disputar um segundo turno, contudo, a imprensa mudou de postura. E se deu a cobrar do pré-candidato um domínio da economia que até então soava facultativo aos presidentes brasileiros.

A resposta do pai do clã Bolsonaro tem lá seu sentido, afinal, é comum que gestores de formação distinta se destaquem em funções pública de ponta – por exemplo, José Serra, que não é médico, foi considerado um ótimo ministro da Saúde, assim como o sociológico FHC é lembrado como o ministro da Fazenda que domou a hiperinflação.

Mas, a despeito de estar sendo usado um peso diferente para a mesma medida, é bom que a imprensa passe a cobrar dos candidatos algo além da capacidade de atrair votos. Porque determinado presidenciável apoiado por ela desconhecia a diferença entre uma “fatura e duplicata”. E muito se criticou a armadilha plantada por Fernando Collor em 1989.

Não foi demitida: secretária de Direitos Humanos pediu para sair do governo Temer

24/01/2017- Brasília- DF, Brasil- A secretária especial de Direitos Humanos, Flávia Piovesan, participa da cerimônia de abertura da Semana Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo.

O governo Temer não faz por merecer qualquer defesa, mas a verdade precisa sempre ser defendida. Com o título “secretária de Direitos Humanos é exonerada do cargo“, o G1 passou a sensação de que o Governo Federal abriu mão dos serviços de Flávia Piovesan, jurista e advogada muito elogiada na área. E de cara alimentou uma chuva de críticas da parte de todos aqueles que viram na chamada a informação completa.

Mas bastava conferir o subtítulo para confirmar que Piovesan pediu “para deixar o governo“. No conteúdo, aspas da ex-secretária explicando a exoneração:

“A minha exoneração foi a pedido, no sentido de viabilizar uma transição adequada para o exercício do mandato junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a iniciar em janeiro de 2018. Observo que o exercício do mandato demanda total independência, o que torna incompatível a permanência no cargo.”

A exoneração foi assinada por Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil.