Hiperinflação venezuelana já é (muito) pior do que a vivida no Brasil em seu pior momento

28.07.2010 - Brasília - O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, fala à imprensa após se reunir com o presidente Lula.

Por mais que boa parte dos americanos não tenha a mínima ideia de quem seja Nicolás Maduro, os mais versados em política seguem de olho no que acontece mais ao sul dos Estados Unidos. Steve Hanke, economista que assina artigos na Forbes, usou o próprio perfil no Twitter para destacar o que ocorria no 21 de novembro de 2017.

O gráfico mostrava o número assustador: 4.114%. Era a inflação acumulada dos doze meses anteriores no experimento bolivariano lançado por Hugo Chávez. O desenho ainda alerta que a situação tem piorado a passos cada vez mais largos.

Para efeito de comparação, o Brasil nunca viu inflação tão sufocante quanto a medida em 1993. Naquela temporada, os indicadores acumularam 2.477,15% de alta. No ano seguinte, contudo, a política econômica adotada por FHC não só seguraria o galope inflacionário, como garantiria ao tucano dois mandatos como presidente da República.

Em outras palavras, é possível afirmar que a hiperinflação venezuelana já é bem pior do que a enfrentada pelos brasileiros nos governos Sarney, Collor e Itamar.

A deflação vivida pelas famílias mais humildes funciona como um bônus generoso no Bolsa Família

Tomates à venda num mercado

Entre 2006 e 2017, a inflação acumulada chegou a 102,2% nos lares em que o rendimento não superava os R$ 900,00. Já nas família dez vezes mais ricas, a inflação ficou bem menor, em “apenas” 83,6%. Os números são do estudo de Maria Andréia Parente, do Ipea. E comprovam que o aumento do custo de vida prejudica muito mais os mais pobres.

Contudo, a política econômica adotada  após o impeachment tem conseguido reverter a situação. Um ano após a queda de Dilma Rousseff, enquanto ricos enfrentaram inflação de 0,53%, os mais pobres viveram uma DEflação de 0,22%.

No acumulado do ano, a inflação dos mais ricos (3,5%) é proporcionalmente bem maior que a das famílias de renda mais baixa (2%).

Em segmentos vitais, essa diferença é ainda mais clara. Como destacou O Globo, as classes C, D e E viram o preço dos alimentos cair 5,1% no período de um ano. Cair. De acordo com a consultoria Tendências, a deflação liberou uma folga R$ 7,8 bilhões no orçamento das famílias mais humildes. Trocando em miúdos, é como se cada família recebesse um bônus de R$ 145 no Bolsa Família – na sondagem mais recente, o valor médio do benefício pago pelo programa estava em R$ 179,73.

A dinâmica foi explicada pela economista Camila Saito:

“O rendimento cresceu, e a perda foi menor para essas famílias. O valor representa por volta de 34% do volume total destinado ao Bolsa Família e uma média de R$ 145 por família que está nessa faixa de renda.”

Na prática, é como se a deflação nos alimentos resultasse num aumento de 34% no valor destinado ao programa social mais importante do Brasil.

Driblando a versão oficial, descobre-se que a inflação na Venezuela já superou os 2.400%

Ditaduras não são transparentes, e não seria diferente com a Venezuela. Entre dezembro de 2014 e janeiro de 2016, por exemplo, o Banco Central venezuelano simplesmente não publicou qualquer dado a respeito da inflação no país. Contudo, há como driblar a censura de Nicolás Maduro e calcular isso. E o Johns Hopkins – Cato Institute Troubled Currencies Project mergulhou nas planilhas com esta intenção.

Para tanto, confrontou a cotação da moeda local perante o dólar americano no mercado livre (pejorativamente tratado como “mercado negro” pelo discurso oficial). “Mudanças na taxa de câmbio do mercado negro podem ser transformadas de forma confiável em estimativas precisas das taxas de inflação em todo o país“, garantiu Steve H. Hanke, diretor do Instituto.

Pelos cálculos de Hanke, a inflação anual venezuelana atingiu absurdos 2.432,94% em 20 de setembro de 2017. O que permitiu a ele afirmar: “A Venezuela está testemunhando a pior inflação do mundo“.

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Enquanto isso, o Brasil, que se livrara de Dilma Rousseff um ano antes via impeachment, caminhava para ter a menor inflação em 19 anos.