Sócio de filho de Lula mandou esconder documentos na véspera da condução coercitiva do ex-presidente

O caso foi mais uma das descobertas do Antagonista. A operação Aletheia ganhou o noticiário em 4 de março de 2016. Trata-se daquela fase da Lava Jato que conduziu Lula para um depoimento no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Na véspera, Jonas Suassuna ordenou que os diretores do Grupo Gol remetessem todos os documentos de cada área da empresa numa determinada “sala 3”. Um email do diretor de relações institucionais da empresa registra a ordem.

“As pastas de cada área deverão ser agrupadas na Sala 3, conforme recomendação do Jonas. Obrigado.”

Suassuna é sócio de Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos de Lula, o principal alvo da operação no dia seguinte.

Marco Aurélio Vitale, que recebera cópia da mensagem, percebeu que estava em jogo uma obstrução de justiça e se negou a seguir adiante com o plano. Mais do que isso, entregou o e-mail aos investigadores e revelou que a chave do “depósito” ficara com o tesoureiro Alessandro Sargentelli.

Ao cumprir o mandato de busca e apreensão, a PF deixou de verificar justamente a tal “sala 3”.

Segundo delator, fotógrafo de Lula recebia verba oriunda do governo do RJ

Renato Pereira era o marqueteiro de Sérgio Cabral. Dono da Prole, o publicitário foi beneficiado em contratos do governo do Rio de Janeiro. Em delação premiada assinada com a Procuradoria-geral da República, entregou uma lista com 11 nomes que, num intervalo de 10 anos, receberam propina por intermédio de agência, ou mesmo produtoras parceiras. Eram cifras que somavam de R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão por ano.

Dentre os beneficiários, despontou um nome bastante recorrente no noticiário, apesar de passar batido por boa parte dos leitores. Trata-se de Ricardo Stuckert, o ótimo fotógrafo que registra os passos de Lula e libera o trabalho para uso da imprensa. De acordo com o delator, o delatado recebera R$ 40 mil mensais entre 2012 e 2014. Teria sido uma forma de Cabral agradar o ex-presidente.

Se o fotógrafo de Lula era pago com verba desviada do governo fluminense, há como entender que Lula recebia propina pelo esquema. Mas, para tanto, a Justiça precisa estar convencida de que Stuckert trabalhou com exclusividade para o ex-presidente, coisa que o fotógrafo negou em resposta ao Globo, uma vez que alegou prestar serviço a empresas, “sempre em relações legítimas”.