Na mesma “altura do campeonato”, Dilma tinha em 2014 bem mais votos do que Lula tem (ou tinha) em 2018

17/03/2016- Brasília- DF, Brasil- Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de posse dos novos Ministros de Estado Chefe da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva

Como se o Brasil não tivesse uma lei impedindo que candidatos ficha suja disputem eleições, ou ainda como se Lula estivesse acima da lei, o Datafolha sugeriu, em cinco dos nove cenários testados, o nome do condenado. Pior: usou os votos que o ex-presidente teria para alegar que a “inelegibilidade” dele estaria prejudicado a democracia.

A depender dos adversários enfrentados, Lula teria entre 34% e 37% das intenções de voto. Parece muito e é, tanto que o colocava na liderança da corrida presidencial. Mas, em altura semelhante do “campeonato”, e de acordo com o mesmo Datafolha, Dilma Rousseff acumulava entre 43% e 47% das intenções de voto em 2014.

Aquele primeiro turno terminaria com a petista recebendo 41,6% dos votos válidos. Considerando brancos e nulos, a apadrinhada de Lula teve 37,6% – mais de 5% abaixo do que o instituto prometia naquele fevereiro.

Claro, muita água rolou, até um avião caiu matando um dos presidenciáveis. Mas tais dados deixam claro que, a mais de um semestre da eleição, condenar a democracia pela ausência de Lula é de uma leviandade gritante. Uma leviandade que – coincidentemente ou não – o PT adorou. Até demais.

Imprensa usa triplex como prova de imparcialidade, mas o argumento não se sustenta

Imprensa

O Globo usou duas das reportagens citadas pela Lava Jato durante o processo para se vender como jornalismo imparcial. Mas é preciso apostar na preguiça do público para convencer com este argumento.

Pois basta ler os links referenciados. A primeira matéria retrata o casal Lula da Silva como uma das vítimas da Bancoop. A segunda, escrita longínquos quatro anos e meio depois, celebra a entrega do empreendimento, reforçando que estava tudo devidamente declarado e quitado pelo já ex-presidente da República – a investigação provaria que este detalhe final estava bem distante da verdade.

A imprensa como um todo tem explorado tais manchetes como exemplo de que estaria praticando um jornalismo impiedoso também com Lula. Não pratica. Nunca praticou.

Se não fosse o Ministério Público Federal e a Polícia Federal desafiando seguidamente o petismo, e a independência de projetos alternativos como o Antagonista, Dilma Rousseff passaria o verão de 2018 trabalhando a eleição de seu sucessor, Aloisio Mercadante. E com a caneta amiga da imprensa a cada nascer do sol.

Como a imprensa tradicional reverberou a mentira de que Bono acompanharia o julgamento de Lula

18.20.2006 - Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva aperta a mão de Bono Vox, líder do U2 em Brasília.

Começou com a Folha Poder. Mas logo escalou para a própria Folha. Numa reação em cadeia, o conteúdo foi se replicando no Valor Econômico, MSN Brasil, Vice Brasil e uma porção de blogs sujos esquerdistas. Pouco após a meia noite, um primeiro desmentido por meio de um veículo alternativo já havia pintado. Ainda assim, a Folha seguiu reprisando a informação falsa no dia seguinte.

Em todas as manchetes, Roberto Requião dizendo que Bono Vox viria ao Brasil para acompanhar o julgamento de Lula. Que, claro, ocorreria sem a presença do cantor. Era algo que nem o próprio senador confirmava.

Antes de reverberar desinformação, o bom jornalismo teria checado com a assessoria do U2 se aquilo era verdade. Não sendo possível, a assessoria do parlamentar resolveria. No entanto, a imprensa tradicional viu vantagem em publicar algo sem a devida apuração. Afinal, e ao pé da letra, tinha o fiapo que interessava para driblar qualquer acusação: a origem de informação seria o senador, não o jornal.

Praticando o bom jornalismo, a imprensa teria feito um ótimo favor à sociedade, pois desmentiria um senador da República que não costuma honrar a cadeira na qual senta. Praticando o que praticou, ajudou Lula, o primeiro ex-presidente condenado da história do Brasil, a fazer pressão no tribunal que o condenaria.

Porque a imprensa tem lado. E esse lado não é o da sociedade.

No mês mais atribulado da ALERJ, filha de Lula foi nomeada assessora parlamentar na casa

30.05.2013 - Vista para o Pão de Açúcar do Corcovado, à noite

Por causa dos avanços da Lava Jato carioca, que prendeu Jorge Picciani apenas para ver o presidente da ALERJ ser solto em seguida pelos votos dos presididos, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro nunca esteve tão presente no noticiário nacional.

Em meio ao “tiroteio”, a imprensa descobriu que, duas semanas antes, havia sido publicada no Diário Oficial a nomeação de Lurian Cordeiro Lula da Silva como “assessora parlamentar IV” no gabinete Rosângela Zeidan, deputada estadual pelo PT.

Como o sobrenome entrega, Lurian é filha de Lula. Zeidan, por suas vez, é esposa de Washington Quaquá, ex-prefeito de Maricá/RJ, e grande aliado do ex-presidente.

Quaquá diz que não interferiu na escolha de Zeidan. Zeidan disse que atribuir à nomeação ao parentesco com Lula seria “misoginia”. Mas fato é que Lurian preside o partido no município onde o ex-prefeito fez o sucessor.

Pelo trabalho, a filha de Lula receberá salário de invejáveis R$ 7.326,64.

Defesa de Lula alegou não ter os R$ 21,4 milhões, mas a empresa dele recebeu R$ 27 milhões em 4 anos

19/11/2017- Lula participa do 14º Congresso do PCdoB.

O Implicante já havia observado a incoerência dos números. Lula havia declarado um patrimônio de R$ 11,7 milhões. Mas o MPF pediu bloqueio de R$ 21,4 milhões, gerando o protesto da defesa do investigado, que alega não possuir tamanha fortuna.

Foi quando o Estadão relembrou um dado já conhecido. Em 4 anos, no que tem sido investigado como uma forma de lavar dinheiro proveniente de tráfico de influência, a empresa de palestras do ex-presidente recebeu R$ 27 milhões pelos serviços prestados. Com o petista tendo cota societária de 98%, o que permitiria o bloqueio e ainda sobraria um “troco” de R$ 5 milhões.

No mesmo período, a conta da empresa registrou movimentação de R$ 52 milhões. Ao todo, teriam sido 72 palestras ao custo de 200 mil dólares. Desta graça, foram retirados exatos R$ 25.269.235,53.

A operação Zelotes entendeu que a movimentação não condizia com a atividade econômica ou capacidade financeira do cliente. E o fato de grande parte dos pagamentos vir de empreiteiras investigadas contou contra o sócio majoritário.

 

Lula e a esquerda brasileira apoiam um ditador acusado de matar 8.290 venezuelanos

10.09.2015 - Lula participa da abertura do 3º Congresso Internacional de Responsabilidade Social, na Argentina

Mesmo com tudo o que se sabe de Nicolás Maduro, a esquerda brasileira em pesa seguiu oferecendo apoio ao ditador venezuelano. Em especial, chamou atenção as manifestações pública de partidos como PT, PCdoB, PDT e PSOL, além das palmas pedidas por Lula nas redes sociais – e uma estranha fala, quando o ex-presidente insistiu que estava ficando mais “maduro”.

Se o que o noticiário apontava já tinha força em suficiência para tornar repudiáveis o posicionamento da esquerda brasileira, o que dizer após Luisa Ortega Díaz acusar em Haia que Maduro matara 8.290 venezuelanos no intervalo de dois anos e meio?

Portanto, é preciso deixar claro para a opinião pública quem é a pessoa que, até a redação deste texto, lidera pesquisas na corrida presidencial. E esta pessoa é alguém que aplaude um ditador sanguinário – e se manifesta de forma a deixar a sensação de que está ficando como ele.

MPF pediu bloqueio de R$ 21,4 milhões, mas Lula declarara patrimônio de R$ 11,7 milhões

29.10.2017 - Lula durante visita ao Museu "Casa JK"

Lula e Luiz Cláudio são investigados na operação Zelotes, que apura um esquema de corrupção nas gestões petistas num órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Desconfia-se que o ex-presidente tenha feito tráfico de influência já durante o governo Dilma.

No 16 de novembro de 2017, a PGR brasiliense pediu que a Justiça bloqueasse R$ 23,9 milhões de ambos, sendo R$ 21,4 milhões apenas do pai. E, claro, as cifras chamaram atenção.

E não só pelo volume, mas pelo conflito. Um mês antes, a própria defesa do investigado, em esclarecimento à operação Lava Jato, afirmara que o casal Lula da Silva possuía um patrimônio de R$ 11,7 milhões. É um valor quase R$ 10 milhões abaixo do bloqueio solicitado pela Zelotes.

Qualquer que seja a quantia real, contudo, leva por terra a imagem de homem humilde que o ex-presidente tenta vender aos eleitores mesmo tendo ele comandado o país por 8 anos. E cai por terra de uma forma bem pouco nobre.

Sócio do filho de Lula levou mais de R$ 10 milhões em negócio com o governo de Sérgio Cabral

14.06.2007 - O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, à frente do Cristo Redentor.

Quando governou o Rio de Janeiro, Sérgio Cabral laçou o “Conexão Educação”, um programa que distribuiria 1,5 milhão de cartões eletrônicos que serviriam para controlar o consumo de merenda, frequência em aula e até uso do transporte público pelos estudantes fluminenses.

Desenvolvido em parceria com a Oi, a telefônica contratou a Gol Mobile para implementar a tecnologia. Para tanto, e ainda que o projeto jamais emplacasse, pagou R$ 100 milhões, dos quais mais de R$ 10 milhões ficaram com Jonas Suassuna, sócio da fornecedora. O caso foi descoberto pelo Antagonista.

Suassuna ficou conhecido por ser o dono oficial do sítio usado por Lula em Atibaia. A intimidade é tamanha que o empresário é sócio de um dos filhos do ex-presidente.

Delcídio do Amaral entregou que “Lula foi o único mentor” da compra de silêncio de Cerveró

09/05/2016 – Brasília – DF, Brasil – A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania se reúne para a votação do relatório pela cassação de Delcídio do Amaral.

O Antagonista teve acesso às as alegações finais do processo por obstrução de Justiça delatada por Delcídio do Amaral. E as notícias para Lula não são boas.

De acordo com o senador cassado, “Lula foi o único mentor da obstrução”. Delcídio explicou que a tentativa de suborno de Nestor Cerveró só aconteceu para proteger José Carlos Bumlai, amigo próximo do ex-presidente:

“Após extensa apresentação de ações penais que demonstram o íntimo relacionamento existente entre o sr. Maurício Bumlai (filho de José Carlos) e o ex-presidente Lula, não resta qualquer dúvida que a intervenção de Maurício Bumlai na forma de financiar pagamentos à família de Nestor Cerveró com o intuito de interferir na colaboração processual deste tinha por objetivo evitar a revelação do empréstimo fraudulento concedido pelo Banco Schahin a Maurício Bumlai, que na realidade pretendia defender os interesses do PT e de Lula.

(…) A cronologia dos fatos nos permite concluir que Delcídio se encontrou com Lula, no Instituto que tem o seu nome, e, logo em seguida, após Delcídio procurar Maurício Bumlai, iniciaram-se os pagamentos à família de Nestor Cerveró.”

Em qualquer país sério, alguém com uma acusação deste magnitude estaria fora da vida pública. Mas o Brasil não é sério. E, até a redação deste texto, o acusado segue liderando a corrida presidencial.

Sócio de filho de Lula mandou esconder documentos na véspera da condução coercitiva do ex-presidente

29.10.2017 - Lula durante visita ao Museu "Casa JK"

O caso foi mais uma das descobertas do Antagonista. A operação Aletheia ganhou o noticiário em 4 de março de 2016. Trata-se daquela fase da Lava Jato que conduziu Lula para um depoimento no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Na véspera, Jonas Suassuna ordenou que os diretores do Grupo Gol remetessem todos os documentos de cada área da empresa numa determinada “sala 3”. Um email do diretor de relações institucionais da empresa registra a ordem.

“As pastas de cada área deverão ser agrupadas na Sala 3, conforme recomendação do Jonas. Obrigado.”

Suassuna é sócio de Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos de Lula, o principal alvo da operação no dia seguinte.

Marco Aurélio Vitale, que recebera cópia da mensagem, percebeu que estava em jogo uma obstrução de justiça e se negou a seguir adiante com o plano. Mais do que isso, entregou o e-mail aos investigadores e revelou que a chave do “depósito” ficara com o tesoureiro Alessandro Sargentelli.

Ao cumprir o mandato de busca e apreensão, a PF deixou de verificar justamente a tal “sala 3”.