Segundo delator, fotógrafo de Lula recebia verba oriunda do governo do RJ

30/10/2017- Ato de encerramento da Caravana Lula por Minas Gerais na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte.

Renato Pereira era o marqueteiro de Sérgio Cabral. Dono da Prole, o publicitário foi beneficiado em contratos do governo do Rio de Janeiro. Em delação premiada assinada com a Procuradoria-geral da República, entregou uma lista com 11 nomes que, num intervalo de 10 anos, receberam propina por intermédio de agência, ou mesmo produtoras parceiras. Eram cifras que somavam de R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão por ano.

Dentre os beneficiários, despontou um nome bastante recorrente no noticiário, apesar de passar batido por boa parte dos leitores. Trata-se de Ricardo Stuckert, o ótimo fotógrafo que registra os passos de Lula e libera o trabalho para uso da imprensa. De acordo com o delator, o delatado recebera R$ 40 mil mensais entre 2012 e 2014. Teria sido uma forma de Cabral agradar o ex-presidente.

Se o fotógrafo de Lula era pago com verba desviada do governo fluminense, há como entender que Lula recebia propina pelo esquema. Mas, para tanto, a Justiça precisa estar convencida de que Stuckert trabalhou com exclusividade para o ex-presidente, coisa que o fotógrafo negou em resposta ao Globo, uma vez que alegou prestar serviço a empresas, “sempre em relações legítimas”.

A primeira grande aliança do PT para 2018 foi firmada com… o PMDB!

Ex-presidente Lula com o senador Renan Calheiros e o governador Renan Filho.

Desde que Eduardo Cunha sinalizou que deixava o governo Dilma, ainda em meados de 2015, o petismo se deu a tachar de golpistas alguns peemedebistas. Era uma forma de vender para a opinião pública que a presidente da República enfrentava um processo em desacordo com a lei – o que não passava de uma mentira descarada.

Com a aproximação da eleição de 2018, Lula percebeu que suas principais alianças atuavam justo no PMDB. E iniciou todo um movimento para reverter o estrago da narrativa, com pronunciamentos e iniciativas que se alinhavam com o mesmo governo Temer que ele tanto acusou de golpe. No 5 de novembro de 2017, a articulação deu um enorme salto e selou aliança para disputar o governo de Alagoas como vice.

Para surpresa de ninguém que acompanhou a sequência com a devida atenção, o arranjo se deu na chapa de Renan Filho, cria de Renan Calheiros, do tão surrado PMDB. Ou o mesmo peemedebista que atuou com Ricardo Lewandowski para inconstitucionalmente resguardar direitos políticos a Dilma. Mas esse “detalhe” nunca se encaixou com a “narrativa” mesmo.

Oito sintomas de que Lula estaria dissimuladamente apoiando o governo Temer

12/08/2015- Brasília- DF, Brasil- Vice-presidente Michel Temer, reúne-se com senadores do PMDB e com o ex-presidente Lula para café da manhã.

Quando empunha um microfone, Lula ainda reserva a Michel Temer adjetivos como “golpista”. Afinal, trata-se da mentira que teceram como desculpa ao impeachment que derrubaria Dilma Rousseff. E muito militante ainda a entoa como alternativa única à vergonha que viveram.

Mas será que este sentimento é verdadeiro? Ou Lula estaria dissimuladamente apoiando o governo Temer? Um bom número de notícias leva a crer que seria o segundo caso.

Antes, contudo, é importante delinear o que seria o governo Temer. E ele se sustenta pelas autoridades que trabalharam para manter o cargo ao peemedebista mesmo após tantos escândalos. A saber:

  • Gilmar Mendes
  • Aécio Neves
  • Rodrigo Maia
  • FHC
  • José Serra
  • João Doria
  • E o próprio Michel Temer

Abaixo, o Implicante seleciona oito notícias amplamente difundidas em veículos da grande imprensa que levam a crer que, ao menos nos bastidores, a ala petista ligada a Lula estaria ajudando o governo Temer:

  1. No caso mais recente, prefeitos mineiros ligados a Temer e Aécio deram palco para Lula antecipar a campanha de 2018 em quase um ano.
  2. Dias antes, justo no início desta agenda em Minas Gerais, Fernando Pimentel atuou para livrar Temer da segunda denúncia oferecida pela PGR.
  3. No breve intervalo em que se descolou de Geraldo Alckmin e se aproximou do governo Temer, João Doria surgiu em público dizendo que seria um erro histórico prender Lula.
  4. No episódio mais pitoresco, Lula e Gilmar Mendes usaram o Twitter para explorarem o mesmo exemplo baixo contra as investigações em curso no país.
  5. Só após protestos e quando a vitória do governo parecia garantida, o PT votou contra Aécio. Antes, estava disposto a salvar o mandato do senador tucano.
  6. Em caravana, Lula chegou a dizer que o petismo deveria parar de gritar “Fora, Temer!”
  7. Quando o presidente visitou Lula após a morte de Marisa Letícia, ouviu do petista que bastaria chamá-lo para abrir um canal de diálogo. Temer, por suas vez, comemorou a notícia e prometeu chamar.
  8. A eleição de Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara contou com o aval de Aécio, Temer e Lula.

O que estaria unindo uma gama tão variada de forças políticas? O inimigo comum que elas tanto querem derrotar: a operação Lava Jato.

Lei assinada por Michel Temer pode complicar a vida de Lula, que alega possuir um fuzil AK-47

Iraqi airmen fire AK-47s during firing drills March 29, 2011. Members of the 447th Expeditionary Security Forces Squadron trained Iraqi security forces airmen ensuring weapons qualification and teaching defensive tactics, vehicle searches and other force protection measures. (U.S. Air Force photo/Staff Sgt. Levi Riendeau)

No 26 de outubro de 2017, Michel Temer anunciou que havia sancionado a lei proposta por Marcelo Crivella quando ainda não era prefeito do Rio de Janeiro, mas Senador da República. No texto, a posse ou o porte ilegal de armas de fogo de uso restrito, como os fuzis, viravam crime hediondo. Portanto, além de penas mais severas e progressão dificultada, o criminoso não mais poderia sequer pagar fiança.

De imediato, as redes sociais recordaram de uma autoridade que virara notícia pela posse de um AK-47. Ninguém menos do que Lula. No ano anterior, o ex-presidente detalhou à Lava Jato os pertences que estavam guardados pela OAS e eram investigados pela operação. Dentre os objetos, o polêmico fuzil se destacava.

Fabricada na Coreia do Norte, a arma possui o brasão da república de El Salvador. Uma placa dourada explica que “foi utilizado por forças da Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional  na guerra de El Salvador, na frente oriental, entre os anos de 1988 e 1991”. Contudo, de acordo com Fernando Rodrigues, do UOL, não foi explicado em que circunstâncias o petista ganhou a peça de colecionador.

Fica a dúvida se, ao manter a posse da – segundo o próprio investigado – “tralha”, Lula estaria cometendo um crime hediondo.

Provas de Mônica Moura contra Lula e Dilma Rousseff ficaram 7 meses paradas no STF

Em março, como prova da delação premiada acordada com a operação Lava Jato, Mônica Moura entregou ao STF dois cadernos de anotações, um celular e um notebook. Dentro deles havia conteúdo incriminando nomes graúdos como Marta Suplicy, Dilma Rousseff e até mesmo Lula. De acordo com o repórter Daniel Adjuto, do SBT, passados setes meses, o Supremo Tribunal Federal ainda não tinha extraído de lá uma única informação.

O material apenas mudou de status quando a Lava Jato de verdade – aquela que trabalha em Curitiba – pediu acesso ao conteúdo. A autorização foi dada em 10 de outubro por Edson Fachin. Entretanto, o pacote só foi remetido à Polícia Federal duas semanas depois. E sem a fatia digital, que ainda necessita de perícia para ser liberada.

Não à toa, dez em dez investigados preferem que seus casos sejam analisados em Brasília.

Lula negou que tenha falado em traição de Dilma, mas a correção não ajudou

Com direito a aspas, o jornal espanhol El Mundo publicou que Lula havia se pronunciado sobre a ex-presidente nos seguintes termos: “o segundo erro veio quando a presidente anunciou o ajuste fiscal e traiu o eleitorado que a havia eleito em 2014, ao qual havíamos prometido que manteríamos os gastos“. Foi quando o entrevistado protestou. Horas depois, o texto foi alterado para: “O segundo erro veio quando a presidente anunciou o ajuste fiscal, e o eleitorado que a havia eleito em 2014, ao qual havíamos prometido que manteríamos os gastos, se sentiu traído.”

Não parece um mero erro de transcrição, mas de interpretação de alguma resposta dada por Lula. Se o jornal não errou ao interpretá-la, errou cedendo ao protesto e alterando a fala.

De qualquer forma, a saia não ficou tão menos justa assim. Na primeira leitura, Dilma teria errado por trair os eleitores. Na segunda, por implementar uma agenda que fez com que os eleitores se sentissem traídos – o que se encaixa perfeitamente na definição de traição.

O que de fato seria um erro político (trair os eleitores), ainda que a medida fosse acertada – corrigir as lambanças cometidas com tanta pedalada fiscal.

Segundo a própria defesa, o casal Lula da Silva declarou patrimônio de R$ 11,7 milhões

A revista Época conseguiu a relação dos bens do casal Lula da Silva, declarados à Justiça brasileira em outubro de 2017, ainda que Marisa Letícia tenha falecido oito meses antes. A relação foi feita pela própria defesa do presidente. Com 20 itens, conclui que o patrimônio de Lula soma R$ 11,7 milhões, sendo três quartos disso apenas dos planos de previdência já noticiados quando dos bloqueios da operação Lava Jato.

 

São três apartamentos, dois sítios, dois automóveis, uma conta-corrente, três poupanças, três fundos de renda fixa e duas aplicações financeiras, além de cotas na empresa de palestras de Lula e créditos junto à Bancoop.

  1. Apartamento residencial no Edifício Green Hill, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 602.435,01
  2. Apartamento residencial no Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 179.606,73
  3. Apartamento residencia no Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 179.606,73
  4. Fração do Sítio Engenho da Serra, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 413.547,57
  5. Direito de aquisição de uma fração do Sítio Engenho da Serra, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 130.000,00
  6. Automóvel Ford Ranger 2013/2013
    Valor: R$ 104.732,00
  7. Automóvel Ômega CD 2010/2011
    Valor: R$ 57.447,00
  8. Conta-corrente no Bradesco
    Valor: R$ 26.091,51 (posição de fevereiro/2017)
  9. Crédito junto à Bancoop referente a sua demissão do quadro de sócios
    Valor: R$ 320.999,20 (posição de fevereiro/2017)
  10. 98 mil cotas sociais da LILS Palestras, Eventos e Publicações
    Valor: R$ 145.284,91
  11. Poupança na Caixa
    Valor: R$ 126.827,43
  12. Poupança no Itaú
    Valor: R$ 21.438,70
  13. Poupança no Bradesco
    Valor: R$ 2.946,69
  14. Aplicação financeira Invest Plus, no Bradesco
    Valor: R$ 16.605,25
  15. Aplicação financeira LCA, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 98.378,89
  16. Renda Fixa, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 191.926,45
  17. Renda Fixa, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 52.709,96
  18. Renda Fixa, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 39.929,24
  19. Previdência Privada VGBL, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 7.190.963,75
  20. Previdência Privada VGBL, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 1.848.331,34

Total: 11.749.806,36

É verdade que há políticos menos influentes com patrimônio  superior. Assim como é verdade que este volume de dinheiro abala a imagem de homem humilde tão vendida pelo próprio Lula. E que parte das investigações miram justamente imóveis que não teriam sido declarados.

Teria Lula entendido o alerta das Forças Armadas dado por Mourão?

Em 17 de setembro de 2017, chegou ao noticiário que o general do Exército Antonio Hamilton Martins Mourão não descartou a possibilidade de uma intervenção militar no Brasil. A medida drástica seria tomada caso as instituições brasileiras não fossem respeitadas por suas devidas autoridades.

Quatro dias depois, chegou à imprensa que Lula ficara preocupado com a fala. No dia seguinte, O Antagonista foi mais explícito: o recado era para o petista. Mas não só para ele.

Mourão serviu como uma espécie de porta-voz de Sérgio Etchegoyen, hoje o general mais poderoso do País e que tem ocupado cada vez mais espaço no governo Temer – num movimento avaliado por alguns observadores como uma espécie de ‘intervenção branca’, com o objetivo de garantir uma transição pacífica no ano que vem.

Meses atrás, Etchegoyen enviou recado semelhante ao Congresso Nacional – de forma bem menos ostensiva -, quando Lula, integrantes do PT e de outros partidos de esquerda passaram a disseminar a ideia de convocar novas eleições gerais.”

Na ocasião, o Antagonista garantiu que Lula entendera o recado. Duas semanas depois, sob orientação do ex-presidente, a presidente do PT usou a tribuna do Senado para elogiar as Forças Armadas.

Respondendo à questão do título: ao que tudo indica, sim.

Estudo comprova que o sucesso do governo Lula foi basicamente sorte

Os professores Daniela Campello e Cesar Zucco, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) verificaram as pesquisas de popularidade dos presidentes de 18 países da América Latina nas últimas três décadas e os separou em dois grupos: o das nações em que a economia depende da exportação de produtos primários, e o das que já se livraram dessas amarras. O Brasil caiu no primeiro.

Em paralelo, elaboraram o Índice de Bons Tempos Econômicos. O IBTE nasce de duas variáveis extremamente importantes para a economia: a taxa de juros dos EUA, e o preço da commodities, ou os produtos primários comercializados pela nação, como alimentos, petróleo e minério.

Ao cruzar as informações, comprovou-se que a popularidade dos presidentes do tal primeiro grupo depende quase que diretamente dos dois fatores. Quando ambos sopram a favor, as lideranças se dão bem. Do contrário, caem.

Em outras palavras, o fator sorte contaria mais do que qualquer outro. E quem mais teve sorte no Brasil? Lula.

Como fica claro nos gráficos abaixo, o ex-presidente surfou na onda do “boom das commodities”, que durou de 2003 e 2011. E, mesmo após o até então maior escândalo de corrupção do país, deixou a presidência com popularidade acima dos 80%.

FHC não teve a mesma sorte. Mas não dá para atribuir o fracasso do governo Dilma a mero azar. Como fica claro, a petista trabalhou num contexto ainda melhor que o do tucano. Mas atingiu resultados bem piores.

O estudo conclui que nações como a brasileira vivem reféns de fatores externos. Mas acredita que seria possível libertar-se das amarras ao poupar nos períodos de bonança para ter reservas que aguentem o tranco nos tempos de mares revoltos. No entanto, a prática tem sido outra: gasta-se mundos e fundos nos momentos favoráveis, e aperta-se os cintos quando no sufoco. Tudo pelo populismo mais predatório.

Essa história precisa mudar. E o brasileiro terá uma grande chance nas eleições de 2018.

A Lava Jato apura se governos Lula e Dilma venderam 29 medidas provisórias por R$ 625 milhões em propina

O Estadão descobriu que ao menos 29 medidas provisórias foram, por assim dizer, infectadas pela ação dos investigados na operação Lava Jato e seus desdobramentos. Ao todo, as bases dos governos Dilma Rousseff e Lula teriam recebido R$ 625,1 milhões em propina para a aprovação dos referidos textos.

Num número ainda não fechado, sabe-se que toda a movimentação sob suspeita resultou em renúncia fiscal de ao menos R$ 165 bilhões. Só com essa quantia, seria possível cobrir o rombo do orçamento de 2017, calculado em R$ 159 bilhões, e ainda sobrariam R$ 6 bilhões, algo suficiente para manter o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações funcionando por um ano.

O jornal ainda acrescenta que, no alvo das investigações, estão três projetos de lei e dois decretos presidenciais, um deles de Michel Temer. E destaca que o volume de renúncias não necessariamente impactou negativamente o país.

Esquece, contudo, que carece de legitimidade, uma vez que teriam deixado de lado os interesses da nação para se alinharem aos de lobistas corruptos.