Pela denúncia da PGR, Lula recebeu ao menos R$ 230 milhões em propina

Na denúncia apresentada por Rodrigo Janot, Lula surge como o destinatário de ao menos R$ 230 milhões em “valores indevidos”. Para chegar ao resultado, contudo, é preciso somar toda uma gama de ilicitudes observadas pela PGR. Que vão desde R$ 504 mil, utilizados na compra de um apartamento em São Bernardo do Campo, a R$ 128,1 milhões, por contratos na Refinaria do Nordeste e na Comperj – entre 2004 e 2012.

Há ainda uma atribuição de R$ 75,4 milhões por contratos na Refinaria Getúlio Vargas, entre outros.

As empreiteiras envolvidas nas obras seriam as grandes parceiras nessas transações. Em especial, a Odebrecht, mas com merecido destaque à OAS, que teria canalizado R$ 27 milhões a Lula no mesmo período.

Palocci disse que o Instituto Lula recebera R$ 4 milhões da Odebrecht

Entre 2012 e 2013, Antonio Palocci voltou a atender necessidades de Lula a respeito de “recursos”. No depoimento a Sérgio Moro, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff confirmou ser verdadeira a acusação feita por Marcelo Odebrecht: o depoente havia pedido ao empreiteiro R$ 4 milhões para o Instituto Lula. Os detalhes já são de conhecimento da Lava Jato:

“Acho que foi meio para o final de 2013, começo de 2014. Ele [Paulo Okamotto, presidente do instituto] tinha um buraco nas contas, me pediu para arrumar recursos. Eu fui ao Marcelo Odebrecht. Eu ia viajar para o exterior, ele disse que precisava com muita urgência. A ideia dele era que eu procurasse várias empresas. Eu disse: ‘Não posso, vou procurar só o Marcelo’. Pedi R$ 4 milhões

Palocci também confirmou que era negociado de forma ilícita a compra de um terreno para o Instituto Lula. Mas que ele próprio convencera o ex-presidente a buscar um caminho legal para o acordo com a Odebrecht, ou ficariam muito expostos a problemas com a Justiça.

Não adiantou. O depoimento prestado tinha justamente a intenção de esclarecer tal negociação.

Palocci confessou que tentava, ao lado de Lula, sabotar a Lava Jato

No já histórico depoimento dado por Antonio Palocci a Sérgio Moro, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma entregou muito mais do que se esperava. Além dos R$ 300 milhões avalizados pelo próprio ex-presidente ao PT, o “Italiano” confessou que foi comparsa do presidenciável em algumas tentativas de barrar o avanço da operação Lava Jato.

“Em algumas oportunidades, eu me reuni com o ex-presidente Lula e com outras pessoas no sentido de buscar, vamos dizer, criar obstáculos à evolução da Lava Jato.”

Palocci se dispôs a, inclusive, revelar detalhes no referido depoimento. Mas Sérgio Moro achou melhor deixar o detalhamento para um processo específico sobre o tema – na mesma semana, a PGR denunciou Lula e Dilma Rousseff por obstrução de Justiça à Lava Jato quando da nomeação desse a ministro da Casa Civil.

Ao criticar o apartamento de Geddel, Lula chamou o triplex de “meu”

A intenção de Lula era mais uma vez fazer pressão política contra a Lava Jato e o noticiário que o atinge diariamente. Mesmo contando com o apoio dissimulado da imprensa, que, sem ressalvas, vive a destacar em manchetes as aspas do ex-presidente. Foi o caso do Estadão Conteúdo e sua matéria replicada por toda uma rede de comunicação ainda em 2016.

As redes sociais, contudo, não deixaram escapar um detalhe. Ao discursar em um congresso de professores em Serra Negra, São Paulo, e ignorando que renega a posse do triplex pelo qual foi condenado, o petista falou do imóvel como se, de fato, pertencesse a ele:

“Vocês percebem que não dão destaque ao apartamento do Geddel como deram ao meu tríplex.”

Ato falho? Meses depois, Lula registrou nas redes sociais que não era dono do apartamento no Guarujá.

Afinal, de quem é o triplex?