Diretor escolhido por Temer para a PF começou os trabalhos duvidando da corrupção de Temer

20/11/2017 - Brasília – DF, Brasil - Solenidade de Transmissão do Cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal ao Delegado Fernando Queiroz Segovia Oliveira.

Para supresa de poucos, o novo diretor-geral da Polícia Federal começou bem mal. Fernando Segóvia abriu os trabalhos duvidando da corrupção por parte de Michel Temer em todo o imbróglio envolvendo a JBS.

De fato, as críticas à pressa com que Rodrigo Janot conduziu os trabalhos são válidas. Mas não há dúvidas de que Temer manteve com Joesley Batista uma conversa nada republicana, com direito a áudio capturando até mesmo os trechos mais complicados.

Ao pé da letra, Segóvia achou que uma mala de dinheiro era pouco coisa para incriminar os envolvidos:

“A gente acredita que, se fosse sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção”

Segóvia talvez não lembre, mas a compra de um FIAT Elba foi suficiente para acabar com o governo Collor. Hoje, um carro popular da mesma fabricante sai por um média de R$ 34 mil. Na mala recebida por Rodrigo Rocha Loures havia meio milhão de reais entregues por um executivo da JBS. Com tamanha verba, seria possível comprar uma dúzia de veículos. E ainda sobraria um bom troco.

O delegado foi escolhido para a direção-geral da PF após uma reunião a porta fechadas entre Temer e José Sarney.

Diretor da Polícia Federal foi escolhido em reunião fora da agenda entre Michel Temer e José Sarney

Presidente do Senado, (D) José Sarney (PMDB-AP), durante encontro com ex-presidente da República, (C) Luiz Inácio Lula da Silva; vice-presidente da República, (E) Michel Temer, e líderes dos partidos da base aliada do governo (25/05/11).

Era sábado, 4 de novembro de 2017. Sem qualquer registro em agenda oficial, Michel Temer recebeu José Sarney para acertarem a nomeação de Fernando Segóvia à direção-geral da Polícia Federal. A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo, que acrescentou: o encontro se deu no Palácio do Jaburu, e a dupla conversou a sós.

Quatro dias depois, chegou ao noticiário que Segóvia passaria a comandar a PF. Eliseu Padilha, também do PMDB, e também denunciado pela Lava Jato, apoiara a decisão.

Ainda segundo a Folha, os peemedebistas queriam, com isso, oferecer freios à operação que tem tocado fogo no cenário político brasileiro.

Ao que tudo indica, com um cansado silêncio “das ruas”, a Lava Jato sofreu o seu mais duro golpe.

Segundo aliado, Michel Temer cogitou a renúncia após grampo de Joesley Batista

09/11/2017 - Brasília – Presidente Michel Temer durante entrevista exclusiva ao programa A Voz do Brasil

A CPI da JBS é um circo. Foi forjada pela base do governo Temer apenas para retaliar ataques sofridos quando a operação Patmos entregara ao noticiário que havia grampeado Michel Temer. Numa sessão secreta cujo registro foi obtido pela Folha de S.Paulo, contudo, um aliado deixou escapar que o plano atribuído a Rodrigo Janot quase deu certo, e o peemedebista de fato cogitaria a renúncia.

No depoimento, Carlos Marun, relator da CPI, detalha que estava no gabinete presidencial enquanto a crise se encaminhava para um fim precoce do governo Temer. Referindo-se a Joesley Batista, confirmou que o delator quase conseguiu a queda do presidente.

Ele quase derrubou o presidente naquele dia 17. O complô era pro dia 18 o presidente renunciar. Quase conseguiu fazer o presidente renunciar! E quem tá lhe falando é quem tava dentro do gabinete!

De acordo com a Folha, auxiliares chegaram a confirmar que uma carta de renúncia fora redigida, mas findaria descartada após o conteúdo do grampo soar menos bombástico do que as informações plantadas na imprensa.

É difícil confiar na nomeação de Michel Temer para a direção da PF

09/11/2017- Brasília – Presidente Michel Temer durante entrevista exclusiva ao programa A Voz do Brasil

Apesar de os envolvidos negarem influência, o jornalismo confirmou que Fernado Segóvia tornou-se diretor-geral da Polícia Federal não só por nomeação de Michel Temer, mas com o aval de peemedebistas também denunciados como Eliseu Padilha e José Sarney.

Se os personagens em si já não não contam a favor, os detalhes apresentados pelo Antagonista tornam impossível confiar que a PF está em boas mãos:

  1. Segovia já defendeu limitação do poder do Ministério Público
  2. O novo “número” 2 da PF foi secretário do assessor de Temer preso pela própria PF
  3. Segóvia quer trocar o superintendente que cuida da Lava Jato no Paraná por delegado que teria tentado sabotar a operação
  4. Segóvia morou no Maranhão em casa de empreiteiro ligado a Edison Lobão
  5. A própria ABIN entregou ao presidente da República dossiê contrário ao nomeado

Toda a articulação foi noticiada para uma opinião pública já sem forças para defender a Lava Jato. E em favor de uma classe política ainda empenhada no fim da operação.

Fica a sensação de que esta foi a maior derrota dos investigadores até o momento.

Diretor-geral da Polícia Federal foi definido por 3 denunciados na operação Lava Jato

25/07/2017 - Brasília – DF, Brasil - Cerimônia de Posse do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. (E/D) Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, Presidente da República, Michel Temer, Ex-presidente, José Sarney, Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Julio Marcelo de Oliveira já tinha amanhecido o 9 de novembro de 2017 incomodado com a mera troca de comando da Polícia Federal. E, no Twitter, questionou aos próprio seguidores: “O que eu não entendi na mudança da direção da PF foi o porquê da mudança. Que razão de interesse público justificaria essa troca?

Ao saber que Camila Bomfim, repórter da Globo, confirmara que Fernando Sergóvia chegava à direção-geral da PF referendado por nomes como José Sarney, Eliseu Padilha e Augusto Nardes, o procurador que mais atacou as pedaladas fiscais de Dilma Rousseff foi além: “Por que um ministro do TCU participou de indicação de Diretor-Geral da PF? Não é função de membro do TCU indicar nomes para o governo“.

Bom… A nomeação foi feita por Michel Temer, um dos principais alvos da operação Patmos. Assim como o presidente da República, José Sarney e Eliseu Padilha foram denunciados pela operação Lava Jato. Quanto a Augusto Nardes, foi investigado pela operação Zelotes.

Para a opinião pública, fica a sensação de que as raposas ajudaram a definir quem investigaria os crimes cometidos no galinheiro.

Por que Michel Temer escolheu para o comando da Polícia Federal um alvo atacado em dossiê da ABIN?

07/11/2017- Brasília – DF, Brasil - Reunião de Líderes da Base Aliada no Senado Federal.

Oficialmente, a Agência Brasileira de Inteligência é um “serviço de inteligência civil” do país. Mas, na prática, não passa de uma agência de espionagem a serviço da Presidência da República.

No 7 de novembro de 2017, a Folha de S.Paulo noticiou que a ABIN havia preparado um dossiê com “informações desfavoráveis a Fernando Segóvia“. No dia seguinte, Michel Temer escolheu o delegado para ser o novo diretor-geral da Polícia Federal.

Por que o presidente nomearia para cargo tão importante alguém que, na véspera, surgira em dossiê com “informações desfavoráveis”?

Fica a sensação de que o peemedebista queria algum nível de controle sobre a pessoa que comandaria a força policial que aterrorizava a classe política. E que, caso o escolhido cause algum desconforto a quem o nomeou, o dossiê ganhará o mundo, forçando a queda de Segóvia.

Salvaram Temer por causa das reformas, alegaram que não podiam reformar pois salvaram Temer

25/10/2017- Brasília- DF, Brasil- Rodrigo Maia e deputados governista esperando o quórum durante sessão que discute denúncia contra Temer e ministros.

O noticiário amanheceu o 7 de novembro de 2017 sentenciando que o governo Temer, ainda que não reconheça, desistiu da reforma previdenciária. Com informações de bastidores, Valdo Cruz chegou a registrar no G1:

“Os deputados e senadores não estão muito dispostos a votar a reforma da Previdência, considerada por eles um tema muito impopular e que pode prejudicar suas campanhas pela reeleição no ano que vem.”

Na véspera, Rodrigo Maia se pronunciara sobre:

Nós passamos cinco meses aqui de muita tensão. Um desgaste para os deputados da base que votaram com o presidente, muito grande. Não adianta a gente negar. Os deputados estão machucados.”

É preciso relembrar que a principal justificativa dada pelos deputados federais que salvaram o governo Temer – alguns deles mediante a articulação de senadores da base – era a preservação das prometidas reformas. Passado o sufoco, os parlamentares alegam não poderem tocar com a previdenciária justamente pelo desgaste da salvação de Temer.

Fazem isso para se preservarem nas urnas de 2018. A missão de quem se importa com o país é justamente usar os mesmos fatos para que o efeito seja o inverso.

Oito sintomas de que Lula estaria dissimuladamente apoiando o governo Temer

12/08/2015- Brasília- DF, Brasil- Vice-presidente Michel Temer, reúne-se com senadores do PMDB e com o ex-presidente Lula para café da manhã.

Quando empunha um microfone, Lula ainda reserva a Michel Temer adjetivos como “golpista”. Afinal, trata-se da mentira que teceram como desculpa ao impeachment que derrubaria Dilma Rousseff. E muito militante ainda a entoa como alternativa única à vergonha que viveram.

Mas será que este sentimento é verdadeiro? Ou Lula estaria dissimuladamente apoiando o governo Temer? Um bom número de notícias leva a crer que seria o segundo caso.

Antes, contudo, é importante delinear o que seria o governo Temer. E ele se sustenta pelas autoridades que trabalharam para manter o cargo ao peemedebista mesmo após tantos escândalos. A saber:

  • Gilmar Mendes
  • Aécio Neves
  • Rodrigo Maia
  • FHC
  • José Serra
  • João Doria
  • E o próprio Michel Temer

Abaixo, o Implicante seleciona oito notícias amplamente difundidas em veículos da grande imprensa que levam a crer que, ao menos nos bastidores, a ala petista ligada a Lula estaria ajudando o governo Temer:

  1. No caso mais recente, prefeitos mineiros ligados a Temer e Aécio deram palco para Lula antecipar a campanha de 2018 em quase um ano.
  2. Dias antes, justo no início desta agenda em Minas Gerais, Fernando Pimentel atuou para livrar Temer da segunda denúncia oferecida pela PGR.
  3. No breve intervalo em que se descolou de Geraldo Alckmin e se aproximou do governo Temer, João Doria surgiu em público dizendo que seria um erro histórico prender Lula.
  4. No episódio mais pitoresco, Lula e Gilmar Mendes usaram o Twitter para explorarem o mesmo exemplo baixo contra as investigações em curso no país.
  5. Só após protestos e quando a vitória do governo parecia garantida, o PT votou contra Aécio. Antes, estava disposto a salvar o mandato do senador tucano.
  6. Em caravana, Lula chegou a dizer que o petismo deveria parar de gritar “Fora, Temer!”
  7. Quando o presidente visitou Lula após a morte de Marisa Letícia, ouviu do petista que bastaria chamá-lo para abrir um canal de diálogo. Temer, por suas vez, comemorou a notícia e prometeu chamar.
  8. A eleição de Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara contou com o aval de Aécio, Temer e Lula.

O que estaria unindo uma gama tão variada de forças políticas? O inimigo comum que elas tanto querem derrotar: a operação Lava Jato.

Cada voto para salvar Temer custou R$ 70,6 milhões ao povo brasileiro

Michel Temer se livrou da segunda denúncia apresentada por Rodrigo Janot com 251 votos favoráveis contra apenas 233 somados pela oposição – que só lograria sucesso com o apoio de 342 parlamentares.

Na primeira, o placar fora ainda mais folgado: 263 votos a favor, 227 votos contra.

Sem contar abstenções e ausências, que também beneficiavam o Governo Federal, o peemedebista somou 514 votos nas duas disputas. Mas, para tanto, comprometeu R$ 36,3 bilhões do suado dinheiro do povo brasileiro.

É como se cada voto tivesse custado R$ 70,6 milhões aos cofres públicos. E é claro que essa gastança toda poderia ter tido justificativa muito mais nobre.

Fernando Pimentel atuou para livrar Michel Temer da segunda denúncia

Apesar de ter arrefecido, ainda é possível ouvir o petismo gritar ocasionalmente que foi vítima de uma golpe durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ao menos é o que fica implícito quando xinga Michel Temer de golpista. Essa “narrativa” não enganou muita gente além da própria militância mais cega. E exemplos de que tudo não passou de farsa não faltam.

Um dos mais simbólicos se deu no destaque trazido pelo Estadão. Fernando Pimentel, petista que governa Minas Gerais, trabalhou para conseguir votos que livrassem Temer da segunda denúncia apresentada por Rodrigo Janot. Para tanto, acionou os aliados do PMDB mineiro.

Como justificativa, alegou que a continuidade do governo Temer favoreceria a candidatura de Lula. Mas paira no ar a suspeita de que o inimigo comum – a operação Lava Jato – forçou uma reaproximação de petistas e peemedebistas. E em benefício exclusivo da impunidade.

Que isso tenha se dado numa semana em que Lula excursiona pelo estado governado por Pimentel, só deixa tudo ainda mais impactante.