Pouco antes de cair, Dilma Rousseff liberou R$ 419,4 milhões para auxílio-moradia

Pela carência de armas melhores para atacar a Lava Jato, o petismo desferiu toda a própria força contra o auxílio-moradia, um dos muitos artifícios explorados por imensa parte do poder público para driblar leis e aprovar aumentos bem acima do permitido. Claro, trata-se de algo que deve ser combatido pela opinião pública, mas a seletividade do alvo escancara a estratégia explorada pelos maiores corruptos do país.

O petismo finge esquecer, contudo, que a regalia extrapolou qualquer limite durante o governo Dilma Rousseff. E que, meses antes de cair, a petista abriu um crédito extraordinário no valor de R$ 419,4 milhões para despesas com residências dos membros do Judiciário, Legislativo, Defensoria Pública da União e Ministério Público da União.

À época, Dilma justificou o envio da medida provisória “pelo fato de que o não pagamento dessas despesas inviabilizaria o regular funcionamento dos poderes”.

No 18 de janeiro de 2016, a Medida Provisória 711 justificou o gasto com “relevância e urgência”, mas, como explicou a Coluna do Estadão, crédito extraordinário só pode ser destinado “ao atendimento de despesas urgentes e imprevisíveis, como em caso de guerra, comoção interna ou calamidade pública“.

Qual era a urgência no referido verão? Evitar a própria queda? Se foi isso, jogou dinheiro público fora à toa.

Na mesma “altura do campeonato”, Dilma tinha em 2014 bem mais votos do que Lula tem (ou tinha) em 2018

Como se o Brasil não tivesse uma lei impedindo que candidatos ficha suja disputem eleições, ou ainda como se Lula estivesse acima da lei, o Datafolha sugeriu, em cinco dos nove cenários testados, o nome do condenado. Pior: usou os votos que o ex-presidente teria para alegar que a “inelegibilidade” dele estaria prejudicado a democracia.

A depender dos adversários enfrentados, Lula teria entre 34% e 37% das intenções de voto. Parece muito e é, tanto que o colocava na liderança da corrida presidencial. Mas, em altura semelhante do “campeonato”, e de acordo com o mesmo Datafolha, Dilma Rousseff acumulava entre 43% e 47% das intenções de voto em 2014.

Aquele primeiro turno terminaria com a petista recebendo 41,6% dos votos válidos. Considerando brancos e nulos, a apadrinhada de Lula teve 37,6% – mais de 5% abaixo do que o instituto prometia naquele fevereiro.

Claro, muita água rolou, até um avião caiu matando um dos presidenciáveis. Mas tais dados deixam claro que, a mais de um semestre da eleição, condenar a democracia pela ausência de Lula é de uma leviandade gritante. Uma leviandade que – coincidentemente ou não – o PT adorou. Até demais.

Imprensa usa triplex como prova de imparcialidade, mas o argumento não se sustenta

O Globo usou duas das reportagens citadas pela Lava Jato durante o processo para se vender como jornalismo imparcial. Mas é preciso apostar na preguiça do público para convencer com este argumento.

Pois basta ler os links referenciados. A primeira matéria retrata o casal Lula da Silva como uma das vítimas da Bancoop. A segunda, escrita longínquos quatro anos e meio depois, celebra a entrega do empreendimento, reforçando que estava tudo devidamente declarado e quitado pelo já ex-presidente da República – a investigação provaria que este detalhe final estava bem distante da verdade.

A imprensa como um todo tem explorado tais manchetes como exemplo de que estaria praticando um jornalismo impiedoso também com Lula. Não pratica. Nunca praticou.

Se não fosse o Ministério Público Federal e a Polícia Federal desafiando seguidamente o petismo, e a independência de projetos alternativos como o Antagonista, Dilma Rousseff passaria o verão de 2018 trabalhando a eleição de seu sucessor, Aloisio Mercadante. E com a caneta amiga da imprensa a cada nascer do sol.

O petismo pregou desobediência civil, mas o passaporte de Lula foi entregue na manhã seguinte

Com a condenação de Lula em segunda instância, “desobediência civil” virou palavra da moda na boca do petismo. E isso não vem da parte da militância mais bovina, mas dos próprios parlamentares. Por vezes, e ainda que com outros termos não menos truculentos, do próprio condenado.

Mas, na primeira oportunidade que teve para desobedecer a ordem judicial, a defesa do ex-presidente prometeu e entregou o passaporte na manhã seguinte.

O discurso do PT mete medo pois é algo já posto muito em prática na história e na vizinhança mais ao norte do país. E de fato leva ao colapso, como se percebe no exemplo venezuelano.

Todavia, a forma pacífica como o passaporte foi entregue pode ser um sinal de que tudo não passa de frases feitas para incendiar a militância. Que nenhum dos líderes está disposto a se sacrificar por nada. E que cão barulhento não morde.

Segundo assessoria, Jorge Picciani ameaçou dar um tiro na cara de Anthony Garotinho

Anthony Garotinho foi preso no 22 de novembro de 2017 por financiamento ilegal de campanha e cobrança de propina. Mas buscou evitar ir para a Penitenciária de Benfica, na zona norte do Rio, onde já se encontravam detidos outros nomes da política carioca. Para tanto, alegou que lá correria risco de ser morto por Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, detido novamente na véspera.

A assessoria do ex-governador explicou o caso em nota. Um agente penitenciário o alertara de uma reunião entre Picciani e Sérgio Cabral. Deste papo, teria saído a afirmação de que o primeiro “iria dar um tiro na cara de Garotinho“.

Fica a dúvida, no entanto, se a defesa do marido de Rosinha Garotinha não estava apenas explorando uma “narrativa” para amolecer o coração de quem analisa-lhe o caso. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, a “integridade física dos internos do sistema penitenciário fluminense” está garantida.

Será que Picciani soube que, um dia antes de ser preso novamente, Anthony Garotinho “celebrou” a prisão do presidente da ALERJ?

A deflação vivida pelas famílias mais humildes funciona como um bônus generoso no Bolsa Família

Entre 2006 e 2017, a inflação acumulada chegou a 102,2% nos lares em que o rendimento não superava os R$ 900,00. Já nas família dez vezes mais ricas, a inflação ficou bem menor, em “apenas” 83,6%. Os números são do estudo de Maria Andréia Parente, do Ipea. E comprovam que o aumento do custo de vida prejudica muito mais os mais pobres.

Contudo, a política econômica adotada  após o impeachment tem conseguido reverter a situação. Um ano após a queda de Dilma Rousseff, enquanto ricos enfrentaram inflação de 0,53%, os mais pobres viveram uma DEflação de 0,22%.

No acumulado do ano, a inflação dos mais ricos (3,5%) é proporcionalmente bem maior que a das famílias de renda mais baixa (2%).

Em segmentos vitais, essa diferença é ainda mais clara. Como destacou O Globo, as classes C, D e E viram o preço dos alimentos cair 5,1% no período de um ano. Cair. De acordo com a consultoria Tendências, a deflação liberou uma folga R$ 7,8 bilhões no orçamento das famílias mais humildes. Trocando em miúdos, é como se cada família recebesse um bônus de R$ 145 no Bolsa Família – na sondagem mais recente, o valor médio do benefício pago pelo programa estava em R$ 179,73.

A dinâmica foi explicada pela economista Camila Saito:

“O rendimento cresceu, e a perda foi menor para essas famílias. O valor representa por volta de 34% do volume total destinado ao Bolsa Família e uma média de R$ 145 por família que está nessa faixa de renda.”

Na prática, é como se a deflação nos alimentos resultasse num aumento de 34% no valor destinado ao programa social mais importante do Brasil.

Não há negação da política, há negação dos políticos sujos

Ao pé da letra, “política” seria nada mais do que “coisas do Estado”. Há definições mais poéticas, como que a tem por “arte da conveniência”. Na prática, contudo, pode ser resumida como uma forma civilizada de se resolver conflitos.

Negar a política, portanto, seria negar tal método, abandonar o jogo e, já sem debates, já sem compostura, solucionar as rusgas de forma truculenta, à moda antiga, com as próprias mãos.

Por instinto de sobrevivência, políticos são mestres no saque do argumento. Desta forma, qualquer sede por renovação é entendida por negação da política e uma defesa de toda a barbárie que a acompanha.

Mas quem de fato nega a política? Quem perdeu a paciência? Ou quem rasga provas, protege privilegiados, concede liberdade a criminosos e ignora até mesmo os trechos mais claros da Constituição?

Ainda que supostamente ambos estejam errado, fato é que o primeiro apenas reage aos abusos do segundo, que já não se importa com os anseios da opinião pública. Quando a opinião pública não é considerada, não há representatividade, não há democracia, e a Constituição não passa de palavras escritas no papel.

Mais do que negação da política, há a negação dos políticos. Políticos corruptos. Políticos incompetentes. Políticos que vivem a cavar a própria cova.

Porque respeito não é algo que se pede, é algo que se conquista. E a classe política brasileira já não o tem há tempos.

Consulesa da Polônia disse que Guga Chacra mentiu ao falar em 60 mil nazistas em ato polonês

Utilizando-se do próprio perfil no Twitter, enquanto comentava uma notícia publicada no Guardian, Guga Chacra comentou que “cerca de 60 mil pessoas participaram de manifestação nazista na Polônia defendendo uma Europa apenas para os brancos“. O correspondente internacional da GloboNews foi além e acrescentou: “antecipo para os supremacistas do Brasil que brasileiros não são considerados brancos por estes nazistas“.

De cara, alguns usuários da rede social estranharam. A notícia falava em direita radical, mas não fazia qualquer menção a nazismo. Até porque um acontecimento daquele porte teria sido notícia em todo o mundo, não só no perfil do jornalista.

Foi quando Katarzyna Braiter, que também possui perfil no Twitter, intercedeu. A conta não é verificada, mas é referendada pelo perfil oficial da Embaixada da Polônia em Brasília. A consulesa alertou o funcionário da Rede Globo que este havia publicado uma inverdade. Que a marcha era uma comemoração pela independência do país, um evento familiar que contava, inclusive, com a participação de combatentes que derrotaram os nazistas.

“Informações falsificam a realidade e, o que é tão triste, ofende milhares de cidadão honestos que comemoraram o Dia da Independência. Mulheres, crianças, idosos, e que lutaram contra o nazismo.”

Contudo, a resposta inicial de Chacra foi bloquear a consulesa. Que seguia explicando aos que dela duvidavam: “A minha família estava nesta passeata comemorativa e havia lá ex-combatentes da II Guerra Mundial que lutaram contra nazismo“.

Conforme Braiter explicou, não seria impossível que alguns extremistas estivessem participando do ato. Mas seria irresponsável tachar de nazistas os 60 mil poloneses que foram às ruas. Mais ainda, colocá-los contra o povo brasileiro.

Como Chacra se negava a dar retorno, a consulesa prometeu interceder junto aos contratantes:

“Como o Senhor persiste nas suas informações falsas, a carta do Embaixador da Polônia protestando contra suas acusações em que o senhor culpa todos os participantes por excessos somente de alguns vai ser enviada à redação do Globo.”

Ironicamente, no mês anterior, Chacra havia usado o Twitter para reclamar da proliferação de notícias falsas nas redes sociais.

Até o momento da redação deste texto, não foi observada qualquer retratação pública da parte de Chacra, que seguia tentando provar aos seguidores que tinha razão. Contudo, já é possível perceber que agora o jornalista segue o perfil da consulesa.

Tribunal que julgará Lula costuma deixar ainda mais severas as penas aplicadas por Sérgio Moro

Na operação Lava Jato, todos os casos que seguem à segunda instância são encaminhados para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Segundo levantamento feito por O Globo, o TRF-4 costuma ajustar dois terços das decisões de Sérgio Moro.

Mas, ao contrário do que tantos militantes insistiam, metade dos ajustes são feitos no sentido de tornar ainda mais severas as penas impostas. Se 49% das condenações de Moro foram reformadas no intuito de o investigado cumprir penas ainda mais duras, apenas 22% resultaram em punições mais brandas.

Foram contabilizados ainda sete casos em que absolvições assinadas por Moro foram convertidas em condenações no TRF-4. No sentido oposto, uma dezena de condenados foi inocentada. Contudo, o alinhamento entre primeira e segunda instância na Lava Jato, a despeito de um ou outro detalhe, continua acima dos 80%.

Em 2018, o TRF-4 analisará a condenação aplicada por Moro a Lula.

No período em que a Folha fez 93 menções negativas a Haddad, citou Doria negativamente por 290 vezes

Outro dado valioso do artigo de Sérgio Dávilla para a Folha de S.Paulo aborda a cobertura do jornal a respeitos dos trabalhos de Fernando Haddad e João Doria. O levantamento junto aos próprios textos do jornal confirma que, em números absolutos ou relativos, o tucano foi mais atacado que o petista.

Se, no primeiro semestre de trabalho, apenas 15% dos textos publicados na Folha implicavam em algum prejuízo à imagem de Haddad, esta fatia cresceu para 28% quando João Doria assumiu a prefeitura. Em números absolutos, também porque o tucano é um político bem mais midiático, o atual prefeito recebeu três vezes mais menções negativas – no placar, 290 a 93.

Dávilla ainda aponta que Haddad recebeu quase o triplo de menções positivas (13% a 5%). A discrepância é tão grande que, mesmo em números absolutos, e considerando que ex-apresentador de TV foi alvo de 408 pautas a mais, o petista foi positivamente mencionado 83 vezes – contra 54 do adversário que o derrotou em primeiro turno.

“Comparou-se a cobertura da Folha dos seis primeiros meses da gestão de Fernando Haddad com a cobertura de igual período da administração João Doria. Em seu semestre inicial, o petista teve 619 menções no jornal. Delas, 443 podem ser consideradas de efeito neutro (72%), 83 de efeito positivo (13%) e 93 (15%) de efeito negativo. O tucano, por sua vez, teve 1.027 menções em seus 180 dias inaugurais, das quais 683 (67%) neutras, 54 (5%) positivas e 290 (28%) negativas. (…)

Depois, à parte a dominância bem-vinda dos índices de neutralidade em um caso e outro (72% para Haddad e 67% para Doria), impressiona como os percentuais de menções negativas e positivas se invertem: a proporção de textos de leitura negativa em relação ao tucano (28%) é quase o dobro da do petista (15%), enquanto a proporção de textos de leitura positiva em relação ao petista (13%) é quase o triplo da do tucano (5%).”

Os dados servem para confirmar que o jornalismo é muito mais carinhoso com políticos de esquerda. Coisa que o articulista também reconheceu.