Salvaram Temer por causa das reformas, alegaram que não podiam reformar pois salvaram Temer

O noticiário amanheceu o 7 de novembro de 2017 sentenciando que o governo Temer, ainda que não reconheça, desistiu da reforma previdenciária. Com informações de bastidores, Valdo Cruz chegou a registrar no G1:

“Os deputados e senadores não estão muito dispostos a votar a reforma da Previdência, considerada por eles um tema muito impopular e que pode prejudicar suas campanhas pela reeleição no ano que vem.”

Na véspera, Rodrigo Maia se pronunciara sobre:

Nós passamos cinco meses aqui de muita tensão. Um desgaste para os deputados da base que votaram com o presidente, muito grande. Não adianta a gente negar. Os deputados estão machucados.”

É preciso relembrar que a principal justificativa dada pelos deputados federais que salvaram o governo Temer – alguns deles mediante a articulação de senadores da base – era a preservação das prometidas reformas. Passado o sufoco, os parlamentares alegam não poderem tocar com a previdenciária justamente pelo desgaste da salvação de Temer.

Fazem isso para se preservarem nas urnas de 2018. A missão de quem se importa com o país é justamente usar os mesmos fatos para que o efeito seja o inverso.

A primeira grande aliança do PT para 2018 foi firmada com… o PMDB!

Desde que Eduardo Cunha sinalizou que deixava o governo Dilma, ainda em meados de 2015, o petismo se deu a tachar de golpistas alguns peemedebistas. Era uma forma de vender para a opinião pública que a presidente da República enfrentava um processo em desacordo com a lei – o que não passava de uma mentira descarada.

Com a aproximação da eleição de 2018, Lula percebeu que suas principais alianças atuavam justo no PMDB. E iniciou todo um movimento para reverter o estrago da narrativa, com pronunciamentos e iniciativas que se alinhavam com o mesmo governo Temer que ele tanto acusou de golpe. No 5 de novembro de 2017, a articulação deu um enorme salto e selou aliança para disputar o governo de Alagoas como vice.

Para surpresa de ninguém que acompanhou a sequência com a devida atenção, o arranjo se deu na chapa de Renan Filho, cria de Renan Calheiros, do tão surrado PMDB. Ou o mesmo peemedebista que atuou com Ricardo Lewandowski para inconstitucionalmente resguardar direitos políticos a Dilma. Mas esse “detalhe” nunca se encaixou com a “narrativa” mesmo.

Após 13 anos de PT, a imprensa passou a cobrar domínio de economia

Desde a primeira eleição de Lula, o brasileiro se acostumou a ouvir que o presidente da República não necessitava nem de domínio do português, quanto mais de uma segunda língua. E, em tom estranhamente orgulhoso, repetia-se na mídia que um “torneiro mecânico” havia sido escolhido para o Palácio do Planalto.

Quando chegou a vez de Dilma Rousseff, muito se duvidou da capacidade dela de gerir o país, afinal, na década anterior, levara à falência uma lojinha de produtos com valor fixo em R$ 1,99. Em resposta, até acusações de “preconceito” eram sacadas contra os céticos.

Com Jair Bolsonaro se confirmando como um presidenciável forte o suficiente para disputar um segundo turno, contudo, a imprensa mudou de postura. E se deu a cobrar do pré-candidato um domínio da economia que até então soava facultativo aos presidentes brasileiros.

A resposta do pai do clã Bolsonaro tem lá seu sentido, afinal, é comum que gestores de formação distinta se destaquem em funções pública de ponta – por exemplo, José Serra, que não é médico, foi considerado um ótimo ministro da Saúde, assim como o sociológico FHC é lembrado como o ministro da Fazenda que domou a hiperinflação.

Mas, a despeito de estar sendo usado um peso diferente para a mesma medida, é bom que a imprensa passe a cobrar dos candidatos algo além da capacidade de atrair votos. Porque determinado presidenciável apoiado por ela desconhecia a diferença entre uma “fatura e duplicata”. E muito se criticou a armadilha plantada por Fernando Collor em 1989.

Não foi demitida: secretária de Direitos Humanos pediu para sair do governo Temer

O governo Temer não faz por merecer qualquer defesa, mas a verdade precisa sempre ser defendida. Com o título “secretária de Direitos Humanos é exonerada do cargo“, o G1 passou a sensação de que o Governo Federal abriu mão dos serviços de Flávia Piovesan, jurista e advogada muito elogiada na área. E de cara alimentou uma chuva de críticas da parte de todos aqueles que viram na chamada a informação completa.

Mas bastava conferir o subtítulo para confirmar que Piovesan pediu “para deixar o governo“. No conteúdo, aspas da ex-secretária explicando a exoneração:

“A minha exoneração foi a pedido, no sentido de viabilizar uma transição adequada para o exercício do mandato junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a iniciar em janeiro de 2018. Observo que o exercício do mandato demanda total independência, o que torna incompatível a permanência no cargo.”

A exoneração foi assinada por Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil.

Governo Dilma tinha 36 milhões de pobres a mais do que o propagado pelo petismo

Sem apresentar o devido cálculo, o petismo se acostumou a gritar que as gestões Lula e Dilma Rousseff tiraram quarenta milhões de brasileiros da pobreza. Mas bastava conferir o limite do cálculo para confirmar que tudo não passava de propaganda política. Porque o discurso explorava a métrica adotada pelo Banco Central em todo o mundo. E, por ela, se o consumo diário superasse o US$ 1,90, o indivíduo não mais seria pobre. Com isso, bastava o brasileiro viver com o equivalente a um quinto do salário mínimo para escapar da definição.

Contudo, o Banco Central finalmente corrigiu a anomalia que tomava por base a realidade das menores economias do mundo. E passou a aplicar com determinadas nações o limite diário de US$ 5,50, ou renda per capita superior aos R$ 540 mensais. Com isso, a camada pobre do Brasil saltou de 4,3% para 22,1%. Em números absolutos, de 8,9 milhões para 45,5 milhões, uma diferença de 36,6 milhões.

Os dados mais recentes são de 2015, ou o início do segundo mandato de Dilma Rousseff. E confirmam que a pobreza vinha aumentando. Um ano antes, estava em 3,7% – ou 20,4% pelo novo corte.

Quem o estatuto desarmou? Em 4 anos, o Brasil apreendeu meio milhão de armas de fogo

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública ainda reserva algumas tabelas a apreensões de armas. Em 2016, foram registrados 52.082 casos de porte ilegal de arma de fogo, ou 25,3 para cada cem mil habitantes. São números um pouco menores que os de 2015, com 57.505 registros.

Ao todo, foram apreendidas 112.708 armas. Os quatro últimos anos de levantamento findaram num arsenal com 490.969 itens. Mais de 90% das apreensões ficaram a cargo das Secretarias Estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social. Ou seja… O trabalho de contenção das polícias Federal e Rodoviária não tem sido suficiente.

Em termos absolutos, as maiores apreensões ocorreram em Minas Gerais. Relativamente, este posto coube ao Mato Grosso.

Contudo, fica a questão: como um país que celebra o desarmamento ainda coleciona tantos casos de porte ilegal de armas?

Oito sintomas de que Lula estaria dissimuladamente apoiando o governo Temer

Quando empunha um microfone, Lula ainda reserva a Michel Temer adjetivos como “golpista”. Afinal, trata-se da mentira que teceram como desculpa ao impeachment que derrubaria Dilma Rousseff. E muito militante ainda a entoa como alternativa única à vergonha que viveram.

Mas será que este sentimento é verdadeiro? Ou Lula estaria dissimuladamente apoiando o governo Temer? Um bom número de notícias leva a crer que seria o segundo caso.

Antes, contudo, é importante delinear o que seria o governo Temer. E ele se sustenta pelas autoridades que trabalharam para manter o cargo ao peemedebista mesmo após tantos escândalos. A saber:

  • Gilmar Mendes
  • Aécio Neves
  • Rodrigo Maia
  • FHC
  • José Serra
  • João Doria
  • E o próprio Michel Temer

Abaixo, o Implicante seleciona oito notícias amplamente difundidas em veículos da grande imprensa que levam a crer que, ao menos nos bastidores, a ala petista ligada a Lula estaria ajudando o governo Temer:

  1. No caso mais recente, prefeitos mineiros ligados a Temer e Aécio deram palco para Lula antecipar a campanha de 2018 em quase um ano.
  2. Dias antes, justo no início desta agenda em Minas Gerais, Fernando Pimentel atuou para livrar Temer da segunda denúncia oferecida pela PGR.
  3. No breve intervalo em que se descolou de Geraldo Alckmin e se aproximou do governo Temer, João Doria surgiu em público dizendo que seria um erro histórico prender Lula.
  4. No episódio mais pitoresco, Lula e Gilmar Mendes usaram o Twitter para explorarem o mesmo exemplo baixo contra as investigações em curso no país.
  5. Só após protestos e quando a vitória do governo parecia garantida, o PT votou contra Aécio. Antes, estava disposto a salvar o mandato do senador tucano.
  6. Em caravana, Lula chegou a dizer que o petismo deveria parar de gritar “Fora, Temer!”
  7. Quando o presidente visitou Lula após a morte de Marisa Letícia, ouviu do petista que bastaria chamá-lo para abrir um canal de diálogo. Temer, por suas vez, comemorou a notícia e prometeu chamar.
  8. A eleição de Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara contou com o aval de Aécio, Temer e Lula.

O que estaria unindo uma gama tão variada de forças políticas? O inimigo comum que elas tanto querem derrotar: a operação Lava Jato.

Fernando Pimentel atuou para livrar Michel Temer da segunda denúncia

Apesar de ter arrefecido, ainda é possível ouvir o petismo gritar ocasionalmente que foi vítima de uma golpe durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ao menos é o que fica implícito quando xinga Michel Temer de golpista. Essa “narrativa” não enganou muita gente além da própria militância mais cega. E exemplos de que tudo não passou de farsa não faltam.

Um dos mais simbólicos se deu no destaque trazido pelo Estadão. Fernando Pimentel, petista que governa Minas Gerais, trabalhou para conseguir votos que livrassem Temer da segunda denúncia apresentada por Rodrigo Janot. Para tanto, acionou os aliados do PMDB mineiro.

Como justificativa, alegou que a continuidade do governo Temer favoreceria a candidatura de Lula. Mas paira no ar a suspeita de que o inimigo comum – a operação Lava Jato – forçou uma reaproximação de petistas e peemedebistas. E em benefício exclusivo da impunidade.

Que isso tenha se dado numa semana em que Lula excursiona pelo estado governado por Pimentel, só deixa tudo ainda mais impactante.

Lula negou que tenha falado em traição de Dilma, mas a correção não ajudou

Com direito a aspas, o jornal espanhol El Mundo publicou que Lula havia se pronunciado sobre a ex-presidente nos seguintes termos: “o segundo erro veio quando a presidente anunciou o ajuste fiscal e traiu o eleitorado que a havia eleito em 2014, ao qual havíamos prometido que manteríamos os gastos“. Foi quando o entrevistado protestou. Horas depois, o texto foi alterado para: “O segundo erro veio quando a presidente anunciou o ajuste fiscal, e o eleitorado que a havia eleito em 2014, ao qual havíamos prometido que manteríamos os gastos, se sentiu traído.”

Não parece um mero erro de transcrição, mas de interpretação de alguma resposta dada por Lula. Se o jornal não errou ao interpretá-la, errou cedendo ao protesto e alterando a fala.

De qualquer forma, a saia não ficou tão menos justa assim. Na primeira leitura, Dilma teria errado por trair os eleitores. Na segunda, por implementar uma agenda que fez com que os eleitores se sentissem traídos – o que se encaixa perfeitamente na definição de traição.

O que de fato seria um erro político (trair os eleitores), ainda que a medida fosse acertada – corrigir as lambanças cometidas com tanta pedalada fiscal.

Não é verdade que o preço da passagem aérea subiu por causa da cobrança por bagagens

A lógica diz que, se as bagagens despachadas passarão a ser pagas por fora, o preço da passagem aérea, ainda que subisse para quem as despacha, cairia para quem viaja apenas com os itens que as companhias aéreas permitem entrar pela porta da frente. Mas, de repente, reverberando dados da FGV e do IBGE, grossa parte da imprensa brasileira se deu a repetir que “após cobrança por bagagem, preço das passagens aéreas sobe no país“.

É possível afirmar isso? E a resposta é não. Ao menos, não com estes dois levantamentos.

Preço de passagem aérea reage a uma enorme sazonalidade. A depender da época do ano, em especial com a proximidade do verão, eles aumentam insanamente. Um estudo mais firme pesaria a diferença entre os valores da data de emissão com o da decolagem. E ainda confrontaria os custos da passagem para quem despacha alguma mala, e para quem economiza este troco.

Nem a FGV, nem o IBGE, ao menos pelas informações trazidas pela imprensa, atentaram a estes detalhes. De quebra, em vez de confrontar os meses observados com igual período do ano anterior, preferiram calcular tickets emitidos em setembro para viagens de outubro a novembro com valores praticados em junho para viagens de julho a agosto. E o resultado é a falácia gritada nas redes sociais para quem acha que livre concorrência é uma balela liberal.

Mauro Rodrigues escreveu no UOL que “definitivamente NÃO podemos olhar para a mudança nos preços e atribuí-la à nova regra. Em outras palavras, somente com base nesse dado agregado, não podemos concluir NADA: nem que a nova regra aumentou, nem que diminuiu o valor das passagens“. Porque o economista entende que há vários fatores influindo no valor final, como preços de combustíveis, sazonalidade, taxa de câmbio, entre outros:

“Para termos uma noção realista e precisa do efeito da política, precisaríamos comparar preços de empresas que cobram pela bagagem ao de empresas que não cobram. Dessa forma, fatores comuns a todo o setor (como taxa de câmbio ou preço do combustível) se cancelam na comparação. Temos, assim, uma estimativa mais “limpa” do efeito da cobrança para despachar malas.”

Contudo, ele lembra que estudos mais sérios feitos nos Estados Unidos confirmaram que há sentido na lógica da medida:

“Artigo acadêmico Jan Brueckner e coautores faz exatamente isso. Os resultados mostram uma queda no preço médio da passagem, como resultado da adoção da taxa de bagagem. Só que esse preço cai menos do que o valor da taxa. Ou seja, passageiros que não despacham bagagens passam a pagar tíquetes mais baratos; mas aqueles que despacham se defrontam agora com viagens mais caras.”

É a lógica. Mas um lado político não gosta dela. Pois seu discurso não sobreviveria dentro dela.