Repudiar o acordo com a JBS é diferente de apoiar o governo Temer

Com a volta do petismo à oposição, o governismo perdeu força no Brasil, mas não deixou de existir. Contrariando a lógica, após a delação da JBS vir a público no primeiro semestre de 2017, tais vozes ganharam ainda mais corpo — reforçando as suspeitas de que estariam sendo pagas para defender a gestão Temer.

Desde então, comportam-se como gripes oportunistas. Sempre que os inimigos do governo Temer sofrem um derrota — e, nesse sentido, não há inimigo maior do que a Justiça em seu sentido mais amplo —, tentam converter o estrago em algo que bonifique não só o presidente da República, mas o bando protegido por ele no poder.

Todavia, é claro que uma coisa não implica noutra. É perfeitamente possível, por exemplo, repudiar a anistia concedida à JBS sem, para isso, apoiar o governo Temer.

A opinião pública parece saber disso. Do contrário, a popularidade desta gestão cresceria a cada nova trapalhada de Janot. Mas não foi o que se observou.

Ninguém escapa: Geddel era aliado de Temer endossado por Lula e Dilma

No momento em que a foto com os mais de R$ 51 milhões veio a público, retomou-se um “jogo de empurra” iniciado já na crise que findaria na queda de Geddel Vieira Lima. Um lado gritava que o investigado era ministro do governo Temer. O outro, que ele já havia sido ministro no governo Lula. E que o escândalo apurado ocorrera na Caixa Econômica Federal durante o governo Dilma.

Ambos os lados estavam errados. E certos, ao mesmo tempo. Porque de fato Geddel era, no jargão jornalístico, um nome “da cota de Temer”. Mas não enfrentaria com Lula e Dilma Rousseff a resistência de alguém que discorda de seus atos. Tanto que participou do ministério do primeiro, e foi vice-presidente de uma das maiores estatais no mandato da segunda.

Ninguém escapa. Se não estão unidos hoje, estavam no momento em que o eleitor se pronunciou nas urnas.

Ao criticar o apartamento de Geddel, Lula chamou o triplex de “meu”

A intenção de Lula era mais uma vez fazer pressão política contra a Lava Jato e o noticiário que o atinge diariamente. Mesmo contando com o apoio dissimulado da imprensa, que, sem ressalvas, vive a destacar em manchetes as aspas do ex-presidente. Foi o caso do Estadão Conteúdo e sua matéria replicada por toda uma rede de comunicação ainda em 2016.

As redes sociais, contudo, não deixaram escapar um detalhe. Ao discursar em um congresso de professores em Serra Negra, São Paulo, e ignorando que renega a posse do triplex pelo qual foi condenado, o petista falou do imóvel como se, de fato, pertencesse a ele:

“Vocês percebem que não dão destaque ao apartamento do Geddel como deram ao meu tríplex.”

Ato falho? Meses depois, Lula registrou nas redes sociais que não era dono do apartamento no Guarujá.

Afinal, de quem é o triplex?