Não há negação da política, há negação dos políticos sujos

Mão sujas

Ao pé da letra, “política” seria nada mais do que “coisas do Estado”. Há definições mais poéticas, como que a tem por “arte da conveniência”. Na prática, contudo, pode ser resumida como uma forma civilizada de se resolver conflitos.

Negar a política, portanto, seria negar tal método, abandonar o jogo e, já sem debates, já sem compostura, solucionar as rusgas de forma truculenta, à moda antiga, com as próprias mãos.

Por instinto de sobrevivência, políticos são mestres no saque do argumento. Desta forma, qualquer sede por renovação é entendida por negação da política e uma defesa de toda a barbárie que a acompanha.

Mas quem de fato nega a política? Quem perdeu a paciência? Ou quem rasga provas, protege privilegiados, concede liberdade a criminosos e ignora até mesmo os trechos mais claros da Constituição?

Ainda que supostamente ambos estejam errado, fato é que o primeiro apenas reage aos abusos do segundo, que já não se importa com os anseios da opinião pública. Quando a opinião pública não é considerada, não há representatividade, não há democracia, e a Constituição não passa de palavras escritas no papel.

Mais do que negação da política, há a negação dos políticos. Políticos corruptos. Políticos incompetentes. Políticos que vivem a cavar a própria cova.

Porque respeito não é algo que se pede, é algo que se conquista. E a classe política brasileira já não o tem há tempos.