Delcídio do Amaral entregou que “Lula foi o único mentor” da compra de silêncio de Cerveró

O Antagonista teve acesso às as alegações finais do processo por obstrução de Justiça delatada por Delcídio do Amaral. E as notícias para Lula não são boas.

De acordo com o senador cassado, “Lula foi o único mentor da obstrução”. Delcídio explicou que a tentativa de suborno de Nestor Cerveró só aconteceu para proteger José Carlos Bumlai, amigo próximo do ex-presidente:

“Após extensa apresentação de ações penais que demonstram o íntimo relacionamento existente entre o sr. Maurício Bumlai (filho de José Carlos) e o ex-presidente Lula, não resta qualquer dúvida que a intervenção de Maurício Bumlai na forma de financiar pagamentos à família de Nestor Cerveró com o intuito de interferir na colaboração processual deste tinha por objetivo evitar a revelação do empréstimo fraudulento concedido pelo Banco Schahin a Maurício Bumlai, que na realidade pretendia defender os interesses do PT e de Lula.

(…) A cronologia dos fatos nos permite concluir que Delcídio se encontrou com Lula, no Instituto que tem o seu nome, e, logo em seguida, após Delcídio procurar Maurício Bumlai, iniciaram-se os pagamentos à família de Nestor Cerveró.”

Em qualquer país sério, alguém com uma acusação deste magnitude estaria fora da vida pública. Mas o Brasil não é sério. E, até a redação deste texto, o acusado segue liderando a corrida presidencial.

Sócio de filho de Lula mandou esconder documentos na véspera da condução coercitiva do ex-presidente

O caso foi mais uma das descobertas do Antagonista. A operação Aletheia ganhou o noticiário em 4 de março de 2016. Trata-se daquela fase da Lava Jato que conduziu Lula para um depoimento no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Na véspera, Jonas Suassuna ordenou que os diretores do Grupo Gol remetessem todos os documentos de cada área da empresa numa determinada “sala 3”. Um email do diretor de relações institucionais da empresa registra a ordem.

“As pastas de cada área deverão ser agrupadas na Sala 3, conforme recomendação do Jonas. Obrigado.”

Suassuna é sócio de Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos de Lula, o principal alvo da operação no dia seguinte.

Marco Aurélio Vitale, que recebera cópia da mensagem, percebeu que estava em jogo uma obstrução de justiça e se negou a seguir adiante com o plano. Mais do que isso, entregou o e-mail aos investigadores e revelou que a chave do “depósito” ficara com o tesoureiro Alessandro Sargentelli.

Ao cumprir o mandato de busca e apreensão, a PF deixou de verificar justamente a tal “sala 3”.

Antonio Palocci confirmou à Lava Jato que Lula virou ministro para evitar ser preso

A ideia de Lula virar ministro de Dilma Rousseff para evitar ser preso já era discutida nas redes sociais pelos militantes mais fervorosos em meados de 2015. Mas ganhou corpo no início de 2016, quando a Lava Jato conduziu coercitivamente o ex-presidente. Dias depois, a presidente da República fez do próprio padrinho o seu ministro da Casa Civil, cargo que ocuparia por pouquíssimo tempo, uma vez que Gilmar Mendes suspenderia a nomeação após grampos vazados mostrarem a dupla atuando contra uma eventual prisão.

Em delação premiada para a mesma Lava Jato da qual Lula supostamente fugia, Antonio Palocci garantiu que não havia nada de “supostamente”. Segundo o ex-ministro das gestões petistas, o ex-presidente havia sido informado de que seria preso. E que, numa evidente obstrução de Justiça, seria nomeado por Dilma para evitar o encarceramento.

Consultado numa reunião sigilosa, Palocci sugeriu a Lula não aceitar o convite e iniciar uma luta política de dentro da cadeia. Mas este evitou o caminho seguido por tantos aliados que se negaram a delatar o que sabiam dos crimes pelos quais foram condenados.

Não daria certo. Dois meses depois, Dilma seria afastada do cargo. No ano seguinte, Lula se tornaria o primeiro ex-presidente do Brasil condenado em primeira instância.

Palocci confessou que tentava, ao lado de Lula, sabotar a Lava Jato

No já histórico depoimento dado por Antonio Palocci a Sérgio Moro, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma entregou muito mais do que se esperava. Além dos R$ 300 milhões avalizados pelo próprio ex-presidente ao PT, o “Italiano” confessou que foi comparsa do presidenciável em algumas tentativas de barrar o avanço da operação Lava Jato.

“Em algumas oportunidades, eu me reuni com o ex-presidente Lula e com outras pessoas no sentido de buscar, vamos dizer, criar obstáculos à evolução da Lava Jato.”

Palocci se dispôs a, inclusive, revelar detalhes no referido depoimento. Mas Sérgio Moro achou melhor deixar o detalhamento para um processo específico sobre o tema – na mesma semana, a PGR denunciou Lula e Dilma Rousseff por obstrução de Justiça à Lava Jato quando da nomeação desse a ministro da Casa Civil.