Pouco antes de cair, Dilma Rousseff liberou R$ 419,4 milhões para auxílio-moradia

Pela carência de armas melhores para atacar a Lava Jato, o petismo desferiu toda a própria força contra o auxílio-moradia, um dos muitos artifícios explorados por imensa parte do poder público para driblar leis e aprovar aumentos bem acima do permitido. Claro, trata-se de algo que deve ser combatido pela opinião pública, mas a seletividade do alvo escancara a estratégia explorada pelos maiores corruptos do país.

O petismo finge esquecer, contudo, que a regalia extrapolou qualquer limite durante o governo Dilma Rousseff. E que, meses antes de cair, a petista abriu um crédito extraordinário no valor de R$ 419,4 milhões para despesas com residências dos membros do Judiciário, Legislativo, Defensoria Pública da União e Ministério Público da União.

À época, Dilma justificou o envio da medida provisória “pelo fato de que o não pagamento dessas despesas inviabilizaria o regular funcionamento dos poderes”.

No 18 de janeiro de 2016, a Medida Provisória 711 justificou o gasto com “relevância e urgência”, mas, como explicou a Coluna do Estadão, crédito extraordinário só pode ser destinado “ao atendimento de despesas urgentes e imprevisíveis, como em caso de guerra, comoção interna ou calamidade pública“.

Qual era a urgência no referido verão? Evitar a própria queda? Se foi isso, jogou dinheiro público fora à toa.

Como a imprensa tradicional reverberou a mentira de que Bono acompanharia o julgamento de Lula

Começou com a Folha Poder. Mas logo escalou para a própria Folha. Numa reação em cadeia, o conteúdo foi se replicando no Valor Econômico, MSN Brasil, Vice Brasil e uma porção de blogs sujos esquerdistas. Pouco após a meia noite, um primeiro desmentido por meio de um veículo alternativo já havia pintado. Ainda assim, a Folha seguiu reprisando a informação falsa no dia seguinte.

Em todas as manchetes, Roberto Requião dizendo que Bono Vox viria ao Brasil para acompanhar o julgamento de Lula. Que, claro, ocorreria sem a presença do cantor. Era algo que nem o próprio senador confirmava.

Antes de reverberar desinformação, o bom jornalismo teria checado com a assessoria do U2 se aquilo era verdade. Não sendo possível, a assessoria do parlamentar resolveria. No entanto, a imprensa tradicional viu vantagem em publicar algo sem a devida apuração. Afinal, e ao pé da letra, tinha o fiapo que interessava para driblar qualquer acusação: a origem de informação seria o senador, não o jornal.

Praticando o bom jornalismo, a imprensa teria feito um ótimo favor à sociedade, pois desmentiria um senador da República que não costuma honrar a cadeira na qual senta. Praticando o que praticou, ajudou Lula, o primeiro ex-presidente condenado da história do Brasil, a fazer pressão no tribunal que o condenaria.

Porque a imprensa tem lado. E esse lado não é o da sociedade.

O petismo pregou desobediência civil, mas o passaporte de Lula foi entregue na manhã seguinte

Com a condenação de Lula em segunda instância, “desobediência civil” virou palavra da moda na boca do petismo. E isso não vem da parte da militância mais bovina, mas dos próprios parlamentares. Por vezes, e ainda que com outros termos não menos truculentos, do próprio condenado.

Mas, na primeira oportunidade que teve para desobedecer a ordem judicial, a defesa do ex-presidente prometeu e entregou o passaporte na manhã seguinte.

O discurso do PT mete medo pois é algo já posto muito em prática na história e na vizinhança mais ao norte do país. E de fato leva ao colapso, como se percebe no exemplo venezuelano.

Todavia, a forma pacífica como o passaporte foi entregue pode ser um sinal de que tudo não passa de frases feitas para incendiar a militância. Que nenhum dos líderes está disposto a se sacrificar por nada. E que cão barulhento não morde.

Defesa de Lula alegou não ter os R$ 21,4 milhões, mas a empresa dele recebeu R$ 27 milhões em 4 anos

O Implicante já havia observado a incoerência dos números. Lula havia declarado um patrimônio de R$ 11,7 milhões. Mas o MPF pediu bloqueio de R$ 21,4 milhões, gerando o protesto da defesa do investigado, que alega não possuir tamanha fortuna.

Foi quando o Estadão relembrou um dado já conhecido. Em 4 anos, no que tem sido investigado como uma forma de lavar dinheiro proveniente de tráfico de influência, a empresa de palestras do ex-presidente recebeu R$ 27 milhões pelos serviços prestados. Com o petista tendo cota societária de 98%, o que permitiria o bloqueio e ainda sobraria um “troco” de R$ 5 milhões.

No mesmo período, a conta da empresa registrou movimentação de R$ 52 milhões. Ao todo, teriam sido 72 palestras ao custo de 200 mil dólares. Desta graça, foram retirados exatos R$ 25.269.235,53.

A operação Zelotes entendeu que a movimentação não condizia com a atividade econômica ou capacidade financeira do cliente. E o fato de grande parte dos pagamentos vir de empreiteiras investigadas contou contra o sócio majoritário.

 

Enquanto o STF levou mais de 7 anos para condenar os mensaleiros, a Lava Jato conclui ações em apenas 9 meses

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, uma ação judicial demora em média 4 anos e 4 meses para ser concluída. Com a Lava Jato, contudo, esse período foi reduzido drasticamente, chegando-se ao fim em apenas 9 meses e 12 dias – em média, claro.

Fazendo-se as contas, descobre-se que a operação arbitrada por Sérgio Moro é cinco vezes mais rápida, economizando três anos e meio do sistema jurídico brasileiro, e entregando resultado ao país na duração de uma gravidez.

De acordo com os especialistas ouvidos pela Folha, a explicação vem justamente dos acordos de delação premiada, que fornecem provas incontestáveis e neutralizam os efeitos de tantas chicanas, ou mesmo a busca por nulidades de provas – as estratégias mais exploradas pelos escritórios jurídicos do Brasil.

Para efeito de comparação, entre o estopim e a condenação, o STF consumiu mais de 7 anos da vida pública brasileira para estabelecer penas brandas aos mensaleiros condenados.

Diretor escolhido por Temer para a PF defendia PEC que proibiria o Ministério Público de realizar investigações

Apesar do pouco sentido que tiveram, e de ter nascido de uma tentativa frustrada de manipular a opinião pública contra o governo Alckmin, os protestos de junho de 2013 renderam três grandes vitórias:

  1. Mostraram para a direita brasileira – liberais e conservadores – que ela era capaz de tomar as ruas para si;
  2. Forçaram a promulgação da lei que permite tanta delação premiada;
  3. Impediram que a PEC 37 fosse adiante;

O objetivo da PEC 37 era proibir o Ministério Público de realizar investigações. Na época, quem surgia em vídeo defendendo a medida era Fernando Segóvia, nomeado quatro anos depois por Michel Temer para a direção-geral da Polícia Federal.

Este é mais um ponto contra o nome que chegou a cargo tão importante após uma reunião a portas fechadas entre o presidente da República e José Sarney, aquele.

 

A Lava Jato foi premiada em 2 de 3 edições do Global Investigations Review Awards

Em 2017, ocorreu a terceira edição do Global Investigations Review Awards, premiação que reconhece o trabalho de grandes investigações em todo o mundo. É uma iniciativa de publicação homônima especializada no noticiário jurídico.

E, por causa da Lava Jato, o Brasil foi novamente premiado. A exemplo do que já havia ocorrido na primeira edição, a operação ganhou na categoria Enforcement Agency or Prosecutor – em tradução livre, Agência de Execução ou Procurador.

O Ministério Público Federal derrotou a vencedora de 2016, um agência inglesa que investiga fraude, suborno e corrupção.

Em três anos e meio, a Lava Jato emplacou forças-tarefas em quatro capitais (Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília). Há ainda, por causa do foro privilegiado de alguns investigados, um “grupo de trabalho” atuando na Procuradoria-Geral da República – mas este costuma mais atrapalhar do que ajudar.

Neste intervalo, foram oferecidas 130 denúncias criminais.

Governo Lula aprovou obra da COMPERJ mesmo certo de que resultaria em prejuízo bilionário

O Tribunal de Contas da União fechou a conta: o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro findou num prejuízo de US$ 12,5 bilhões. Sim, bilhões. Sim, de dólares.

Na conversão para real, o COMPERJ  implicaria em desperdício de mais de R$ 40 bilhões que poderiam ser de ótima serventia ao povo brasileiro.

A negligência era tamanha que a fase 2 fora aprovada mesmo sem a definição do projeto. A fase 3, por sua vez, já teve a aprovação mesmo sabendo-se da inviabilidade econômica da ideia.

Conforme destacou o Antagonista, ainda na análise do investimento prévio, soube-se que o custo atingiria US$ 18 bilhões, mas que o retorno não passaria dos US$ 5,5 bilhões – resultando no saldo negativo já mencionado.

A nomear culpados, o TCU apontou para ex-presidentes da estatal (José Sérgio Gabrielli e Maria das Graças Foster) e ex-diretores (Renato Duque e Paulo Roberto Costa). Os envolvidos mandaram e desmandaram na estatal durante os governos Lula e Dilma.

Despesas pessoais de Sérgio Cabral chegavam a R$ 4 milhões por mês

Se a Lava Jato curitibana parece ter entrado numa fase em que atua mais nas planilhas do que nas ruas, a carioca, um ano após a prisão de Sérgio Cabral, dava apenas os primeiros passos. Foi o que garantiu a O Globo o procurador Eduardo El Hage, que coordena a força-tarefa no Rio de Janeiro.

Para se ter uma noção do tamanho dos peixes capturados pelos investigadores, Hage entregou que o ex-governador detido em 2016 gastava R$ 4 milhões por mês só com despesas pessoais.

Repetindo: por mês.

“É difícil, porque o saque aos cofres públicos foi monstruoso. O mínimo seria o que foi devolvido pelos irmãos Chebar (delatores): US$ 100 milhões. Mas, antes da devolução, enquanto o ex-governador estava solto, muito já tinha sido gasto, então esse valor (desviado) é bem superior. A gente viu que ele (Cabral) tinha um gasto mensal de R$ 4 milhões com despesas pessoais. O desvio que foi feito na Secretaria de Saúde é algo que ainda vamos revelar com mais detalhes. Envolve grandes multinacionais do setor de Saúde, que fizeram importações fraudulentas com o governo do estado do Rio. Causaram um dano que a gente ainda vai revelar em próximas fases.”

Mas é sempre bom lembrar que o trabalho poderia estar sendo bem mais efetivo se Gilmar Mendes não estivesse dificultando tanto o trabalho dos investigadores. E de o governo Temer não estivesse criando obstáculos para o trabalho da Polícia Federal.

Sócio do filho de Lula levou mais de R$ 10 milhões em negócio com o governo de Sérgio Cabral

Quando governou o Rio de Janeiro, Sérgio Cabral laçou o “Conexão Educação”, um programa que distribuiria 1,5 milhão de cartões eletrônicos que serviriam para controlar o consumo de merenda, frequência em aula e até uso do transporte público pelos estudantes fluminenses.

Desenvolvido em parceria com a Oi, a telefônica contratou a Gol Mobile para implementar a tecnologia. Para tanto, e ainda que o projeto jamais emplacasse, pagou R$ 100 milhões, dos quais mais de R$ 10 milhões ficaram com Jonas Suassuna, sócio da fornecedora. O caso foi descoberto pelo Antagonista.

Suassuna ficou conhecido por ser o dono oficial do sítio usado por Lula em Atibaia. A intimidade é tamanha que o empresário é sócio de um dos filhos do ex-presidente.