Delcídio do Amaral entregou que “Lula foi o único mentor” da compra de silêncio de Cerveró

09/05/2016 – Brasília – DF, Brasil – A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania se reúne para a votação do relatório pela cassação de Delcídio do Amaral.

O Antagonista teve acesso às as alegações finais do processo por obstrução de Justiça delatada por Delcídio do Amaral. E as notícias para Lula não são boas.

De acordo com o senador cassado, “Lula foi o único mentor da obstrução”. Delcídio explicou que a tentativa de suborno de Nestor Cerveró só aconteceu para proteger José Carlos Bumlai, amigo próximo do ex-presidente:

“Após extensa apresentação de ações penais que demonstram o íntimo relacionamento existente entre o sr. Maurício Bumlai (filho de José Carlos) e o ex-presidente Lula, não resta qualquer dúvida que a intervenção de Maurício Bumlai na forma de financiar pagamentos à família de Nestor Cerveró com o intuito de interferir na colaboração processual deste tinha por objetivo evitar a revelação do empréstimo fraudulento concedido pelo Banco Schahin a Maurício Bumlai, que na realidade pretendia defender os interesses do PT e de Lula.

(…) A cronologia dos fatos nos permite concluir que Delcídio se encontrou com Lula, no Instituto que tem o seu nome, e, logo em seguida, após Delcídio procurar Maurício Bumlai, iniciaram-se os pagamentos à família de Nestor Cerveró.”

Em qualquer país sério, alguém com uma acusação deste magnitude estaria fora da vida pública. Mas o Brasil não é sério. E, até a redação deste texto, o acusado segue liderando a corrida presidencial.

Sócio de filho de Lula mandou esconder documentos na véspera da condução coercitiva do ex-presidente

29.10.2017 - Lula durante visita ao Museu "Casa JK"

O caso foi mais uma das descobertas do Antagonista. A operação Aletheia ganhou o noticiário em 4 de março de 2016. Trata-se daquela fase da Lava Jato que conduziu Lula para um depoimento no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Na véspera, Jonas Suassuna ordenou que os diretores do Grupo Gol remetessem todos os documentos de cada área da empresa numa determinada “sala 3”. Um email do diretor de relações institucionais da empresa registra a ordem.

“As pastas de cada área deverão ser agrupadas na Sala 3, conforme recomendação do Jonas. Obrigado.”

Suassuna é sócio de Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos de Lula, o principal alvo da operação no dia seguinte.

Marco Aurélio Vitale, que recebera cópia da mensagem, percebeu que estava em jogo uma obstrução de justiça e se negou a seguir adiante com o plano. Mais do que isso, entregou o e-mail aos investigadores e revelou que a chave do “depósito” ficara com o tesoureiro Alessandro Sargentelli.

Ao cumprir o mandato de busca e apreensão, a PF deixou de verificar justamente a tal “sala 3”.

Diretor da Polícia Federal foi escolhido em reunião fora da agenda entre Michel Temer e José Sarney

Presidente do Senado, (D) José Sarney (PMDB-AP), durante encontro com ex-presidente da República, (C) Luiz Inácio Lula da Silva; vice-presidente da República, (E) Michel Temer, e líderes dos partidos da base aliada do governo (25/05/11).

Era sábado, 4 de novembro de 2017. Sem qualquer registro em agenda oficial, Michel Temer recebeu José Sarney para acertarem a nomeação de Fernando Segóvia à direção-geral da Polícia Federal. A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo, que acrescentou: o encontro se deu no Palácio do Jaburu, e a dupla conversou a sós.

Quatro dias depois, chegou ao noticiário que Segóvia passaria a comandar a PF. Eliseu Padilha, também do PMDB, e também denunciado pela Lava Jato, apoiara a decisão.

Ainda segundo a Folha, os peemedebistas queriam, com isso, oferecer freios à operação que tem tocado fogo no cenário político brasileiro.

Ao que tudo indica, com um cansado silêncio “das ruas”, a Lava Jato sofreu o seu mais duro golpe.

Tribunal que julgará Lula costuma deixar ainda mais severas as penas aplicadas por Sérgio Moro

29/10/2017- Lula visita a Casa Guimarães Rosa em Cordisburgo

Na operação Lava Jato, todos os casos que seguem à segunda instância são encaminhados para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Segundo levantamento feito por O Globo, o TRF-4 costuma ajustar dois terços das decisões de Sérgio Moro.

Mas, ao contrário do que tantos militantes insistiam, metade dos ajustes são feitos no sentido de tornar ainda mais severas as penas impostas. Se 49% das condenações de Moro foram reformadas no intuito de o investigado cumprir penas ainda mais duras, apenas 22% resultaram em punições mais brandas.

Foram contabilizados ainda sete casos em que absolvições assinadas por Moro foram convertidas em condenações no TRF-4. No sentido oposto, uma dezena de condenados foi inocentada. Contudo, o alinhamento entre primeira e segunda instância na Lava Jato, a despeito de um ou outro detalhe, continua acima dos 80%.

Em 2018, o TRF-4 analisará a condenação aplicada por Moro a Lula.

É difícil confiar na nomeação de Michel Temer para a direção da PF

09/11/2017- Brasília – Presidente Michel Temer durante entrevista exclusiva ao programa A Voz do Brasil

Apesar de os envolvidos negarem influência, o jornalismo confirmou que Fernado Segóvia tornou-se diretor-geral da Polícia Federal não só por nomeação de Michel Temer, mas com o aval de peemedebistas também denunciados como Eliseu Padilha e José Sarney.

Se os personagens em si já não não contam a favor, os detalhes apresentados pelo Antagonista tornam impossível confiar que a PF está em boas mãos:

  1. Segovia já defendeu limitação do poder do Ministério Público
  2. O novo “número” 2 da PF foi secretário do assessor de Temer preso pela própria PF
  3. Segóvia quer trocar o superintendente que cuida da Lava Jato no Paraná por delegado que teria tentado sabotar a operação
  4. Segóvia morou no Maranhão em casa de empreiteiro ligado a Edison Lobão
  5. A própria ABIN entregou ao presidente da República dossiê contrário ao nomeado

Toda a articulação foi noticiada para uma opinião pública já sem forças para defender a Lava Jato. E em favor de uma classe política ainda empenhada no fim da operação.

Fica a sensação de que esta foi a maior derrota dos investigadores até o momento.

Diretor-geral da Polícia Federal foi definido por 3 denunciados na operação Lava Jato

25/07/2017 - Brasília – DF, Brasil - Cerimônia de Posse do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. (E/D) Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, Presidente da República, Michel Temer, Ex-presidente, José Sarney, Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Julio Marcelo de Oliveira já tinha amanhecido o 9 de novembro de 2017 incomodado com a mera troca de comando da Polícia Federal. E, no Twitter, questionou aos próprio seguidores: “O que eu não entendi na mudança da direção da PF foi o porquê da mudança. Que razão de interesse público justificaria essa troca?

Ao saber que Camila Bomfim, repórter da Globo, confirmara que Fernando Sergóvia chegava à direção-geral da PF referendado por nomes como José Sarney, Eliseu Padilha e Augusto Nardes, o procurador que mais atacou as pedaladas fiscais de Dilma Rousseff foi além: “Por que um ministro do TCU participou de indicação de Diretor-Geral da PF? Não é função de membro do TCU indicar nomes para o governo“.

Bom… A nomeação foi feita por Michel Temer, um dos principais alvos da operação Patmos. Assim como o presidente da República, José Sarney e Eliseu Padilha foram denunciados pela operação Lava Jato. Quanto a Augusto Nardes, foi investigado pela operação Zelotes.

Para a opinião pública, fica a sensação de que as raposas ajudaram a definir quem investigaria os crimes cometidos no galinheiro.

Por que Michel Temer escolheu para o comando da Polícia Federal um alvo atacado em dossiê da ABIN?

07/11/2017- Brasília – DF, Brasil - Reunião de Líderes da Base Aliada no Senado Federal.

Oficialmente, a Agência Brasileira de Inteligência é um “serviço de inteligência civil” do país. Mas, na prática, não passa de uma agência de espionagem a serviço da Presidência da República.

No 7 de novembro de 2017, a Folha de S.Paulo noticiou que a ABIN havia preparado um dossiê com “informações desfavoráveis a Fernando Segóvia“. No dia seguinte, Michel Temer escolheu o delegado para ser o novo diretor-geral da Polícia Federal.

Por que o presidente nomearia para cargo tão importante alguém que, na véspera, surgira em dossiê com “informações desfavoráveis”?

Fica a sensação de que o peemedebista queria algum nível de controle sobre a pessoa que comandaria a força policial que aterrorizava a classe política. E que, caso o escolhido cause algum desconforto a quem o nomeou, o dossiê ganhará o mundo, forçando a queda de Segóvia.

Dezesseis investigados que foram beneficiados por Gilmar Mendes só em 2017

12/09/2017- Brasília-DF, Brasil- Ministro Gilmar Mendes durante cerimônia de posse do advogado Carlos Bastide Horbach como ministro substituto do TSE na classe dos juristas.

Em 28 de abril de 2017, Gilmar Mendes libertou Eike Batista, que estava em prisão preventiva desde janeiro. Quatro meses depois, foi a vez de Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira obtiveram habeas corpus. No que foram novamente presos sob determinação do juiz Marcelo Bretas, foram novamente beneficiados por decisão do membro do STF. Um dia depois, Cláudio Sá Garcia de Freitas, Marcelo Traça Gonçalves, Enéas da Silva Bueno e Octacílio de Almeida Monteiro receberam a mesma graça.

Após uma semana, seria a vez de Rogério Onofre, Dayse Deborah e David Augusto da Câmara Sampaio. Em outubro, Mendes concederia habeas corpusFlavio Godinho.

Todos estes nomes estão no resumo apresentado por O Globo. Que não inclui o de Sérgio Cabral, cuja transferência para um presídio no Mato Grosso do Sul foi suspendida pelo único indicado por FHC a permanecer na Suprema Corte. E o de José Dirceu, cujo habeas corpus teve no aliado de Temer um voto decisivo. Mas nada que supere o peso da decisão que descartou as provas acumuladas pela cassação de Michel Temer e Dilma Rousseff.

São quinze investigados em dezesete decisões, todas elas frustrando o trabalho de investigadores, todas elas pela mesma caneta, todas elas apenas em 2017. Porque essa postura não é recente. Em 2008, Daniel Dantas chegou a ser solto duas vezes na mesma semana. Sim, pelo mesmo Gilmar Mendes.

Não é que o Supremo protege a “ORCRIM”, o Supremo é escolhido pela “ORCRIM”

Em seu perfil no Facebook, e ainda baqueado por tantas decisões a beneficiar aqueles que mereciam a devida investigação de sua parte, Deltan Dallagnol desabafou: “Não surpreende que anos depois da Lava Jato os parlamentares continuem praticando crimes: estão sob suprema proteção”. Ao noticiar as palavras do procurador à frente da Lava Jato, o Antagonista resumiu: STF protege a ORCRIM.

ORCRIM é como Rodrigo Janot se referiu a “organização criminosa” em uma entrevista há alguns anos. O mesmo Janot que, antes de deixar a PGR, denunciaria ao menos quatro organizações criminosas atuando no executivo e no legislativo: uma ligada ao PMDB do Senado; outra, ao PMDB da Câmara Federal; uma, ao PT; e outra, ao PP. Os grupos encabeçados por Michel Temer e Lula atingem três governos e quatro mandatos presidenciais, uma vez que Dilma Rousseff surge na denúncia contra os petistas.

Ou seja, toda a estrutura necessária para que um ministro chegue ao Supremo Tribunal Federal estaria contaminada. Na atual composição, o STF tem um membro indicado por José Sarney, um indicado por Fernando Collor, um indicado por FHC, três indicados por Lula, quatro indicados por Dilma e um indicado por Temer. Como manda a lei, os onze foram referendados pelo Senado, ou a casa em que 87% dos ocupantes de alguma forma atuaram para tentar salvar Dilma, Aécio e até Delcídio.

A questão não é o Supremo proteger a “ORCRIM”, é o Supremo ser nomeado e referendado pela “ORCRIM”. Logo, o problema é sistêmico. Ou mudam a forma, ou o problema persistirá.

Segundo a própria defesa, o casal Lula da Silva declarou patrimônio de R$ 11,7 milhões

A revista Época conseguiu a relação dos bens do casal Lula da Silva, declarados à Justiça brasileira em outubro de 2017, ainda que Marisa Letícia tenha falecido oito meses antes. A relação foi feita pela própria defesa do presidente. Com 20 itens, conclui que o patrimônio de Lula soma R$ 11,7 milhões, sendo três quartos disso apenas dos planos de previdência já noticiados quando dos bloqueios da operação Lava Jato.

 

São três apartamentos, dois sítios, dois automóveis, uma conta-corrente, três poupanças, três fundos de renda fixa e duas aplicações financeiras, além de cotas na empresa de palestras de Lula e créditos junto à Bancoop.

  1. Apartamento residencial no Edifício Green Hill, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 602.435,01
  2. Apartamento residencial no Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 179.606,73
  3. Apartamento residencia no Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 179.606,73
  4. Fração do Sítio Engenho da Serra, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 413.547,57
  5. Direito de aquisição de uma fração do Sítio Engenho da Serra, em São Bernardo do Campo
    Valor: R$ 130.000,00
  6. Automóvel Ford Ranger 2013/2013
    Valor: R$ 104.732,00
  7. Automóvel Ômega CD 2010/2011
    Valor: R$ 57.447,00
  8. Conta-corrente no Bradesco
    Valor: R$ 26.091,51 (posição de fevereiro/2017)
  9. Crédito junto à Bancoop referente a sua demissão do quadro de sócios
    Valor: R$ 320.999,20 (posição de fevereiro/2017)
  10. 98 mil cotas sociais da LILS Palestras, Eventos e Publicações
    Valor: R$ 145.284,91
  11. Poupança na Caixa
    Valor: R$ 126.827,43
  12. Poupança no Itaú
    Valor: R$ 21.438,70
  13. Poupança no Bradesco
    Valor: R$ 2.946,69
  14. Aplicação financeira Invest Plus, no Bradesco
    Valor: R$ 16.605,25
  15. Aplicação financeira LCA, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 98.378,89
  16. Renda Fixa, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 191.926,45
  17. Renda Fixa, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 52.709,96
  18. Renda Fixa, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 39.929,24
  19. Previdência Privada VGBL, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 7.190.963,75
  20. Previdência Privada VGBL, no Banco do Brasil
    Valor: R$ 1.848.331,34

Total: 11.749.806,36

É verdade que há políticos menos influentes com patrimônio  superior. Assim como é verdade que este volume de dinheiro abala a imagem de homem humilde tão vendida pelo próprio Lula. E que parte das investigações miram justamente imóveis que não teriam sido declarados.