FHC não viu nada muito grave nas pedaladas fiscais cometidas por Dilma Rousseff

22.04.2015 - Polícia Federal investigará o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por dinheiro enviado para ex-amante

É compreensível o medo que FHC sente de Jair Bolsonaro. Afinal, nos anos 1990, o presidenciável defendeu que o então presidente fosse assassinado. O que soa incompreensível, contudo, é o esforço do ex-presidente em defender quem mais lhe rendeu prejuízos.

No caso, o PT. Ou o petismo. Ou mesmo Dilma Rousseff. Ao falar sobre o processo que deu fim ao mandato da presidente cassada, FHC endossou parte da narrativa trabalhada por seus detratores. Narrativa que, inclusive, o incriminava, afinal, alegava que o tucano também cometera “pedaladas fiscais“:

“Isso é um crime tremendo? Não, muitas pessoas fizeram (o mesmo). E por que não (foram afastadas)? Porque essas pessoas não estavam em uma frágil posição de poder e a consequência não foi a interrupção do processo de tomada de decisões. É uma questão política.”

Mas, ao contrário do que disse FHC, foi um crime tremendo, sim. As pedaladas fiscais quebraram a economia, desestabilizaram as relações políticas, levaram 14 milhões de brasileiros ao desemprego e condenaram uma década de desenvolvimento do país.

É uma vergonha que o tucano se esforce para desmerecer a própria história. E para abonar aqueles que seguem apoiando fascínoras como Nicolás Maduro.

Apenas 15% das pedaladas fiscais ajudaram programas sociais: o resto mirou empresários e agronegócio

Apenas 15% dos R$ 40 bilhões de crédito ilegal tomados por Dilma Rousseff junto aos bancos públicos serviram a programas sociais como o Bolsa Família. Os R$ 34 bilhões restantes foram aplicados em grandes empresários e setores do agronegócio.

Os dados do TCU são conhecidos desde outubro de 2015, mas é preciso relembrá-los pois o petismo vive alimentando a narrativa de que as “pedaladas fiscais” socorreram os programas sociais que o eleitorado tanta ama. Entretanto, por mais que de fato algum valor tenha sido utilizado nessa pauta, o grosso do crime de responsabilidade cometido mirava as relações espúrias entre Estado e os empresários corruptos que o PT finge combater.

Como explicou Míriam Leitão, prática semelhante já havia sido explorada pelos governos militares ainda nos anos 70, fazendo da economia brasileira um caos na década seguinte.

A dose do veneno petista, no entanto, parece ter sido bem maior. Dessa vez, os catorze milhões de desempregados surgiram na mesma década.