Governo Lula aprovou obra da COMPERJ mesmo certo de que resultaria em prejuízo bilionário

20.05.2014 - Brasília - DF, Brasil- Considerado responsável por um dos maiores prejuízos da história da Petrobras e alvo de ação do Ministério Público por improbidade administrativa, o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli encerra nesta semana sua atuação como secretário de Planejamento da Bahia em silêncio.

O Tribunal de Contas da União fechou a conta: o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro findou num prejuízo de US$ 12,5 bilhões. Sim, bilhões. Sim, de dólares.

Na conversão para real, o COMPERJ  implicaria em desperdício de mais de R$ 40 bilhões que poderiam ser de ótima serventia ao povo brasileiro.

A negligência era tamanha que a fase 2 fora aprovada mesmo sem a definição do projeto. A fase 3, por sua vez, já teve a aprovação mesmo sabendo-se da inviabilidade econômica da ideia.

Conforme destacou o Antagonista, ainda na análise do investimento prévio, soube-se que o custo atingiria US$ 18 bilhões, mas que o retorno não passaria dos US$ 5,5 bilhões – resultando no saldo negativo já mencionado.

A nomear culpados, o TCU apontou para ex-presidentes da estatal (José Sérgio Gabrielli e Maria das Graças Foster) e ex-diretores (Renato Duque e Paulo Roberto Costa). Os envolvidos mandaram e desmandaram na estatal durante os governos Lula e Dilma.

Um ano após o impeachment de Dilma, a Petrobras saiu de prejuízo bilionário para lucro de R$ 266 milhões

Brasília- DF, 02/12/2013 - Presidente Dilma Rousseff durante Cerimônia de assinatura do Primeiro Contrato de Partilha do Pré-Sal.

Dilma Rousseff caiu no 31 de agosto de 2016. Por questões legais, os autores do impeachment se focaram nas pedaladas fiscais cometidas pela petista, mas a opinião pública revoltava-se principalmente com o esquema corrupto que depenava a Petrobras – naquele trimestre, a estatal acumularia um prejuízo de assustadores R$ 16,458 bilhões.

Um ano depois, e abordando o mesmo recorte, o noticiário destacou que a gigante do petróleo concluiu setembro com lucro líquido de R$ 266 milhões. Que poderiam ter sido bem melhor, não fossem os as perdas de R$ 3,3 bilhões com “programas de regularização de débitos, contingências judiciais e baixas contábeis.

Pela expectativa alta, restou a sensação de que a a cifra conquistada não era boa. Mas, um ano antes, davam a empresa como falida. No que é possível afirmar que o impeachment de Dilma ao menos serviu para salvar esta importante peça do patrimônio brasileiro.

Para Palocci, “o pré-sal foi um dos grandes males para o Brasil”

Ainda no depoimento prestado por Antonio Palocci a Sérgio Moro em 6 de setembro de 2017, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff destacou que o pré-sal foi “um dos grandes males para o Brasil“. Na visão dele, tratava-se, claro, de uma riqueza natural que precisava ser explorada, mas com uma cautela que não interessou ao petismo. Desta forma, o projeto foi tocado sem o devido controle, estudo e até mesmo cálculos.

Como exemplo, Palocci citou as refinarias Premium I e II, que custaram um total de R$ 6 bilhões, mas jamais saíram do papel.

“Acho que o pré-sal foi um dos grande males pro Brasil. Porque o Brasil não soube lidar. O pré-sal é uma riqueza, mas é preciso saber lidar com a riqueza, senão ela acaba se tornando um problema. E, no nosso caso, ela acabou se tornando um problema. Porque se fez todo tipo de iniciativa, de processo sem controle, sem estudos adequados, sem cálculos adequados… E que muitos projetos acabaram não saindo do papel. Pega, por exemplo, a refinaria Premium I e a refinaria Premium II. Cada uma custou R$ 3 bilhões… E tá no papel.”

É possível, ainda, acrescentar o estrago político da ideia. A propaganda serviu para reeleger o governo mais corrupto da história do país. E, atualmente, para amenizar o prejuízo para a estatal, o governo Temer vem precisando se livrar de negócio tão desastroso.

João Doria defende a “privatização gradual da Petrobras”

Em 2006, o padrinho político de João Doria sofreu bastante com acusações de que tinha por objetivo reativar o programa de privatizações do PSDB. Numa postura covarde, Geraldo Alckmin tentou se safar negando a intenção. Mas o tiro saiu pela culatra, e o tucano teria no segundo turno ainda menos votos que no primeiro.

De olho nas eleições 2018, João Doria faz o caminho oposto. E já fala abertamente em iniciar o programa de privatizações mais cobrado pelo Mercado, aquele que atinge a Petrobras. Para tanto, defende que seja feito de maneira gradual:

Eu defendo uma privatização gradual da Petrobras para que não haja prejuízo para seu corpo funcional, que é muito bom e sério. [A Petrobras] Foi muito afetada pelo assalto do PT ao longo de 13 anos, mas é uma instituição de valor e pode gradualmente caminhar para sua privatização sem prejuízo funcional, humano ou estratégico para o Brasil”

Para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, Doria acredita que um caminho pode ser a fusão de ambos:

Respeitando as duas instituições, podemos avaliar a hipótese de uma fusão, sem gerar desempregos, mas formando um banco de altíssima competitividade e extrema competência em setores que já atua, inclusive evitando a sobreposição e o uso político também. Nas delações da Lava-Jato, sobretudo a Caixa Econômica Federal [aparece] com o uso de vice-presidências e diretorias para fins políticos. A instituição financeira tem que estar longe de qualquer influência desse tipo”

O prefeito de São Paulo não encamparia tal pauta se não tivesse uma pesquisa por trás indicando que este é um caminho seguro. Por isso, é possível concluir que o jogo virou, e a opinião pública finalmente entende que estatais não passam de cabides de empregos para grupos políticos corruptos.

Palocci disse que Lula não só sabia do Petrolão, como o estimulava

De início, Lula se preocupava, temia a repercussão negativa de qualquer escândalo e achava que deveria tomar atitudes contra o que o próprio partido aprontava na Petrobras. Mas tudo mudaria com o “pré-sal”. Dali em diante, o então presidente passaria até mesmo a estimular a ocupação petista da estatal.

Ao menos foi isso o que contou Antonio Palocci a Sérgio Moro:

“Ele falou que estava pensando em tomar providências, não estava gostando porque a coisa estava repercutindo de forma muito negativa. Mas logo após veio o pré-sal e o pré-sal pôs o governo em uma atitude muito frenética em relação à Petrobras. Esses assuntos de ilícitos e de diretores ficaram em terceiro plano, as coisas continuaram correndo do jeito que era. (…) Ele até chegou a encomendar que os diretores a partir daí fizessem mais reservas partidárias.”

Em outras palavras, Lula não só sabia do Petrolão, como estimulou a ampliação do esquema, ainda que num segundo momento.

Infelizmente, o jornalismo precisou esperar a operação Lava Jato, ou a reeleição de Dilma, para noticiar com todas as letras que Lula sabia.