Diretor escolhido por Temer para a PF começou os trabalhos duvidando da corrupção de Temer

Para supresa de poucos, o novo diretor-geral da Polícia Federal começou bem mal. Fernando Segóvia abriu os trabalhos duvidando da corrupção por parte de Michel Temer em todo o imbróglio envolvendo a JBS.

De fato, as críticas à pressa com que Rodrigo Janot conduziu os trabalhos são válidas. Mas não há dúvidas de que Temer manteve com Joesley Batista uma conversa nada republicana, com direito a áudio capturando até mesmo os trechos mais complicados.

Ao pé da letra, Segóvia achou que uma mala de dinheiro era pouco coisa para incriminar os envolvidos:

“A gente acredita que, se fosse sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção”

Segóvia talvez não lembre, mas a compra de um FIAT Elba foi suficiente para acabar com o governo Collor. Hoje, um carro popular da mesma fabricante sai por um média de R$ 34 mil. Na mala recebida por Rodrigo Rocha Loures havia meio milhão de reais entregues por um executivo da JBS. Com tamanha verba, seria possível comprar uma dúzia de veículos. E ainda sobraria um bom troco.

O delegado foi escolhido para a direção-geral da PF após uma reunião a porta fechadas entre Temer e José Sarney.

Diretor escolhido por Temer para a PF defendia PEC que proibiria o Ministério Público de realizar investigações

Apesar do pouco sentido que tiveram, e de ter nascido de uma tentativa frustrada de manipular a opinião pública contra o governo Alckmin, os protestos de junho de 2013 renderam três grandes vitórias:

  1. Mostraram para a direita brasileira – liberais e conservadores – que ela era capaz de tomar as ruas para si;
  2. Forçaram a promulgação da lei que permite tanta delação premiada;
  3. Impediram que a PEC 37 fosse adiante;

O objetivo da PEC 37 era proibir o Ministério Público de realizar investigações. Na época, quem surgia em vídeo defendendo a medida era Fernando Segóvia, nomeado quatro anos depois por Michel Temer para a direção-geral da Polícia Federal.

Este é mais um ponto contra o nome que chegou a cargo tão importante após uma reunião a portas fechadas entre o presidente da República e José Sarney, aquele.

 

Diretor da Polícia Federal foi escolhido em reunião fora da agenda entre Michel Temer e José Sarney

Era sábado, 4 de novembro de 2017. Sem qualquer registro em agenda oficial, Michel Temer recebeu José Sarney para acertarem a nomeação de Fernando Segóvia à direção-geral da Polícia Federal. A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo, que acrescentou: o encontro se deu no Palácio do Jaburu, e a dupla conversou a sós.

Quatro dias depois, chegou ao noticiário que Segóvia passaria a comandar a PF. Eliseu Padilha, também do PMDB, e também denunciado pela Lava Jato, apoiara a decisão.

Ainda segundo a Folha, os peemedebistas queriam, com isso, oferecer freios à operação que tem tocado fogo no cenário político brasileiro.

Ao que tudo indica, com um cansado silêncio “das ruas”, a Lava Jato sofreu o seu mais duro golpe.

É difícil confiar na nomeação de Michel Temer para a direção da PF

Apesar de os envolvidos negarem influência, o jornalismo confirmou que Fernado Segóvia tornou-se diretor-geral da Polícia Federal não só por nomeação de Michel Temer, mas com o aval de peemedebistas também denunciados como Eliseu Padilha e José Sarney.

Se os personagens em si já não não contam a favor, os detalhes apresentados pelo Antagonista tornam impossível confiar que a PF está em boas mãos:

  1. Segovia já defendeu limitação do poder do Ministério Público
  2. O novo “número” 2 da PF foi secretário do assessor de Temer preso pela própria PF
  3. Segóvia quer trocar o superintendente que cuida da Lava Jato no Paraná por delegado que teria tentado sabotar a operação
  4. Segóvia morou no Maranhão em casa de empreiteiro ligado a Edison Lobão
  5. A própria ABIN entregou ao presidente da República dossiê contrário ao nomeado

Toda a articulação foi noticiada para uma opinião pública já sem forças para defender a Lava Jato. E em favor de uma classe política ainda empenhada no fim da operação.

Fica a sensação de que esta foi a maior derrota dos investigadores até o momento.

Diretor-geral da Polícia Federal foi definido por 3 denunciados na operação Lava Jato

Julio Marcelo de Oliveira já tinha amanhecido o 9 de novembro de 2017 incomodado com a mera troca de comando da Polícia Federal. E, no Twitter, questionou aos próprio seguidores: “O que eu não entendi na mudança da direção da PF foi o porquê da mudança. Que razão de interesse público justificaria essa troca?

Ao saber que Camila Bomfim, repórter da Globo, confirmara que Fernando Sergóvia chegava à direção-geral da PF referendado por nomes como José Sarney, Eliseu Padilha e Augusto Nardes, o procurador que mais atacou as pedaladas fiscais de Dilma Rousseff foi além: “Por que um ministro do TCU participou de indicação de Diretor-Geral da PF? Não é função de membro do TCU indicar nomes para o governo“.

Bom… A nomeação foi feita por Michel Temer, um dos principais alvos da operação Patmos. Assim como o presidente da República, José Sarney e Eliseu Padilha foram denunciados pela operação Lava Jato. Quanto a Augusto Nardes, foi investigado pela operação Zelotes.

Para a opinião pública, fica a sensação de que as raposas ajudaram a definir quem investigaria os crimes cometidos no galinheiro.

Por que Michel Temer escolheu para o comando da Polícia Federal um alvo atacado em dossiê da ABIN?

Oficialmente, a Agência Brasileira de Inteligência é um “serviço de inteligência civil” do país. Mas, na prática, não passa de uma agência de espionagem a serviço da Presidência da República.

No 7 de novembro de 2017, a Folha de S.Paulo noticiou que a ABIN havia preparado um dossiê com “informações desfavoráveis a Fernando Segóvia“. No dia seguinte, Michel Temer escolheu o delegado para ser o novo diretor-geral da Polícia Federal.

Por que o presidente nomearia para cargo tão importante alguém que, na véspera, surgira em dossiê com “informações desfavoráveis”?

Fica a sensação de que o peemedebista queria algum nível de controle sobre a pessoa que comandaria a força policial que aterrorizava a classe política. E que, caso o escolhido cause algum desconforto a quem o nomeou, o dossiê ganhará o mundo, forçando a queda de Segóvia.

Três meses antes, peritos da PF alertaram dos áudios omitidos pela JBS

No 4 de setembro de 2017, Rodrigo Janot convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que as delações da JBS poderiam ser anuladas. Dias depois, o acordo não só seria revisto, como Ricardo Saud e Joesley Batista foram detidos. Motivo: grampos extras e acidentais tinham sido encontrados em meio às provas enviadas pelos delatores.

Três dias depois da coletiva de Janot, a a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais pronunciou-se sobre o caso. De acordo com a APCF, o alerta já havia sido dado três meses antes. E fora solenemente ignorado:

Laudos periciais produzidos há cerca de 3 meses pelo Instituto Nacional de Criminalística já indicavam a existência de outros áudios, até então inéditos, que haviam sido apagados dos gravadores, com conteúdo de potencial interesse à investigação. Coincidência ou não, apenas após a Perícia Criminal Federal apontar que havia conteúdo apagado nos gravadores, novos áudios passaram a ser entregues pelos investigados colaboradores.”

Nem precisava ser perito para desconfiar do acordo assinado com a JBS. Desde o primeiro instantes, usuários das redes sociais faziam críticas à anistia aceita por Janot. E colocavam em dúvida as intenções da JBS.

Mas o procurador deixou para reparar o erro apenas em seus últimos dias na PGR.

Fachin anuiu a prisão de Joesley antes da reunião de Janot com Bottini

Conforme reportado em O Globo, Edson Fachin determinou a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud ainda na noite de sexta-feira, 8 de setembro de 2017. Atendia parcialmente ao pedido urgente feito por Rodrigo Janot. Os investigados entregaram-se apenas na tarde de domingo.

Na manhã de sábado, conforme apurado por O Antagonista, Janot encontrou-se com Pierpaolo Bottini, que atuava na defesa de Joesley Batista. A dupla nega, mas o veículo confirma que se encontraram para tratar da prisão dos clientes deste.

É grave. A demora no cumprimento da prisão permitia aos delatores fazerem o que quisessem com provas de interesse da investigação. E os investigados já deram seguidas provas de que não merecem a confiança da Justiça.

Janot e Fachin devem esclarecimentos à população.